[RESENHA] "Janeiro Saudoso: Coqueluche" de Douglas MCT | Por Mac Batista

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Livro: Janeiro Saudoso: Coqueluche (Calendário de Histórias) | Páginas: 7 | Ano: 2017 | Editora: Amazon | Adquira a coletânea, aqui.

Sinopse: Durante a festa de família, uma mulher encontra nos ingredientes da receita as memórias que um dia perdeu.


Por Mac Batista

"Coqueluche" é o primeiro conto da coletânea "Calendário de Histórias" de Douglas MCT, autor do livro "O Coletor de Almas" e "Necrópolis". 

Neste conto, somos apresentados a uma atmosfera cotidiana de uma família moderna e, tipicamente brasileira, através da ótica de uma personagem feminina. 

No decorrer dos fatos relatados pela mulher, percebemos o estado de tristeza e saudoso em que ela se encontra. Tristeza e saudade que remetem a perda de um ente muito querido: seu pai. Um homem carinhoso, atencioso e detentor de outras qualidades que ela não enxerga em sua família, ali reunida. E, mesmo assim, ela continua executando suas tarefas cotidianas com muita complacência e resignação por algo que não pode ser mudado.


Um momento em família. A casa cheia. Parentes. Crianças correndo de um lado para o outro. Comida sendo preparada na cozinha. Todos aguardam o prato do dia. Todos impacientes para comer. Poderia ser uma ceia de Natal, mas era Janeiro. Todos a questionam sobre a demora. Todos, menos um: seu pai. 

E quando este surge à sua frente, como fruto de sua imaginação, trazendo consigo as boas memórias (dos momentos em que passavam juntos, criando novas receitas) que ela já não se lembrava mais, sua vida torna-se menos pesada. 

Por um lado, a partir de um entendimento clínico, "Coqueluche" pode ser uma doença contagiosa, com sintomas de tosse convulsiva,  manifestando - na maioria das vezes - em crianças. Por outro, no sentido figurado, pode ser um estado momentâneo de grande apreço por algo ou alguém.  E isto fica claro nas linhas restante do conto e depois de lermos a linda dedicatória que o autor faz ao seu pai, já falecido.

Afinal, é assim que nos sentimos diante de uma perda: afundados em uma agonia sem fim. Como se estivéssemos realmente doentes, não do corpo, mas da alma. O tempo passa. Voltamos as nossas rotinas diárias. E ficam apenas as lembranças. As boas lembranças. E são essas lembranças, momentos eufóricos, que nos fazem sorrir, rir e - até mesmo - gargalhar que nos dão força para seguirmos em frente. 

E o tempo se encarrega de tornar menos dolorosa a ausência daqueles que partiram. E sempre encontramos, a nossa maneira, uma forma de continuarmos trilhando os caminhos da vida. E é sobre isto que "Coqueluche" aborda: dor da perda, tristeza pela ausência e, também, da força interior que nos dar a capacidade de continuar vivendo.

Sobre Autor:  

Douglas MCT já escreveu para os gibis da Turma da Mônica, roteirizou o desenho animado Galera Animal transmitido na TV Globo, participou do enredo do game Chico Bento para as redes sociais, é autor dos quadrinhos Edgar Alan Corvo, SUPER e Hansel&Gretel, e dos livros O Coletor de Almas e Necrópolis. Parceiro do Blog Alexandria com a coletânea Calendário de Histórias.

E quem quiser acompanhar ou saber um pouco mais sobre o projeto, clique na imagem abaixo:

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