[RESENHA] "Como Eu Era Antes de Você" de Jojo Moyes | Por Mac Batista

Sinopse: "Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro."

Ficha Técnica  | Título: "Como eu era antes de você" |Autora: Jojo Moyes| Intrínseca Editora | 2016 | Brochura | 318 páginas | Adquira seu exemplar, aqui.


Por Mac Batista


"Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível" pág 172
Em "Como eu era antes de você"  somos apresentados ao Will Traynor e Lou Clark. Ele, um homem de 35 anos que ama a vida que leva. Tem amigos, namorada, é rico e ambicioso, gosta de viajar e praticar esportes radicais e é ótimo nos negócios. E de um minuto para outro vê sua vida ser transformada: após ser atropelado por um motociclista, ele fica tetraplégico C5/C6. Nos primeiros dois anos ele tem esperanças de se recuperar, mas aos poucos ele percebe que isto não vai acontecer e passa a desejar a própria morte.

Lou Clark é a típica garota de cidade pequena que leva uma vida normal. Ela é o oposto de Will. Não tem ambições e expectativa em relação a própria vida. E, até começar a trabalhar para Will, ela achava que tudo que tinha era perfeito. Ela era feliz assim ou, pelo menos, tinha se conformado com este estilo de vida que levava! Em outras palavras, Lou adorava viver em seu próprio casulo, sem nunca se questionar o que poderia existir fora dele! O que ela não contava era que a convivência diária com Will fosse transformá-la tanto a ponto dela ambicionar uma vida mais produtiva e intensa. 


Confesso que por anos olhei para este livro nas livrarias e não me animei em lê-lo. No entanto, depois do inegável sucesso do filme, fiquei tentada a conferir o livro. E querem saber? Não me arrependi. Se no cinema  me peguei rindo, chorando, fazendo piadas... com o livro tudo foi mais intenso. 


Digo isto, porque sempre quando assisto uma boa adaptação cinematográfica a impressão, na maioria das vezes, é boa. No entanto, ler o livro é mil vezes melhor! Os leitores sabem que o livro nos dá uma dimensão maior de todo contexto do enredo. E,  com isto, a nossa opinião muda. Sempre muda! #fato.

Com "Como eu era antes de você" não foi diferente! Eu saí do cinema com vários questionamentos, me perguntando se algo assim acontecesse comigo, se tomaria tal decisão. A resposta foi "não". Afinal, amo a minha vida! E se depois de uma fatalidade ainda continuasse viva, mesmo que não fosse a vida que planejava ter... É porque ainda teria muito ainda para ser vivido. Seria como se estivesse ganhando uma segunda chance de viver a vida de outra forma, de outra perspectiva! E fui categórica ao dizer "Will foi egoísta e covarde!"


"As dores dele tinham causas variadas. Havia a dor pela perda muscular - apesar de toda a fisioterapia feita por Nathan, Will tinha muito menos músculos para sustentar o corpo. Havia a dor de estômago causada por problemas digestivos; a dor no ombro; a dor por infecção urinária - inevitável, apesar dos esforços de todos. Ele também tinha uma úlcera estomacal devido ao excesso de analgésicos que tomara como se fossem balinhas no início da recuperação.pág 88

No entanto, tive que rever os meus conceitos quando li o livro. Este descreveu detalhadamente como era a vida de Will antes e depois do acidente que o deixou tetraplégico para o resto da vida. É angustiante vê-lo sofrendo tanto, portanto, tudo passa a fazer sentido! Não justifica uma decisão destas, mas - pelo menos - me fez entender o lado dele e respeitar tal decisão. 

Na verdade, só quem passa por isso é que sabe como é! Não adianta uma pessoa sadia fazer qualquer tipo de julgamento sem nunca ter passado por algo assim ou ter alguém próximo na mesma situação. O fato é que era preciso ter uma força interior muito grande, um psicológico inabalável para suportar tudo e ainda ter esperança de dias melhores. Dias estes que nunca...jamais viriam.. pelo menos não para o Will.


"De vez em quando, tinha escaras na pele por ficar sentado na mesma posição durante muito tempo. Por duas vezes, precisou ficar na cama para que as feridas cicatrizassem, mas ele detestava ficar na cama. Ficava deitado ouvindo o rádio, os olhos brilhando de raiva de tal forma que nem conseguia controlar. Will também tinha dores de cabeça. (...) Mas o que  mais incomodava era a incessante queimação nas mãos e nos pés que não o deixava pensa em outra coisa (...) De vez em quando, Will parecia sair doa ar, como se a única forma de não sentir dor fosse deixar o próprio corpo. (...) Apesar de tudo, ele não reclamava. Por isso levei semanas para perceber que estava sofrendo (...)". pág 88

No livro também fica claro que nem todos que encontram-se na mesma situação que Will - na vida real - tem a mesma opinião. Uma prova disto é o trecho no livro em que mostra a procura de Lou por mais informações a respeito da tetraplegia. Em meio a busca, ela descobre um grupo virtual de pessoas que superaram esta condição e levavam a vida da melhor forma possível! E passa a ter um pouco de esperança, tentando mostrar para o Will que ele ainda pode ter uma vida, mesmo que não seja a que ele desejou.


"Senti um nó enorme na garganta e engoli. Ritchie continuava escrevendo:

_ Não foi o que eu escolhi. Nem a maioria de nós neste grupo. Eu amo a minha vida, apesar de preferir que ela fosse diferente. Mas entendo por que o seu amigo possa ter se cansado. É cansativo levar essa vida, cansativo de uma maneira que as pessoas sadias jamais entenderão de verdade. (...)". pág 309


E sem que perceba Lou fica, a cada dia, mais envolvida pelo mundo de Will. E o inevitável acontecesse: estabelece uma áurea que vai além de cuidadora x paciente. Isto fica claro no livro. É tudo muito sutil!  Afinal mesmo cadeirante, Will ainda mantem uma vivacidade, sagacidade de outrora que a tetraplegia não foi capaz de extirpar. Ele é como a luz que atrai a libélula, mesmo que ainda fraca ainda possui este poder! 

"Às vezes, Clark, você é a única coisa que me dá vontade de levantar da cama"  pág. 236

Por outro lado, Lou possui tudo aquilo que Will um dia já teve: a possibilidade de tomar as rédeas da própria vida nas mãos e moldar o destino da forma que quiser! E mesmo com todos os esforços de Lou em mostrar para Will que ele poderia, sim, ser feliz... ter um motivo para continuar vivendo, Will mantém a decisão!







"Eu entendo que poderia ser bom. Entendo que, com você, talvez fosse até uma vida muito boa. Mas não é a 'minha' vida. Não sou igual a essas pessoas com quem você fala. Não é a vida que eu quero. Não chega nem perto (...) Você não me conhece. Nunca me viu antes disso. Eu adorava a vida, Clark. Gostava mesmo. Do meu trabalho, das viagens, das coisas que eu fazia. Gostava de usar o corpo. De andar na minha moto, me desviando dos prédios. Gostava de dominar as pessoas nos negócios. Gostava de transar. Transar muito. Eu levava uma vida 'muito' boa. Não nasci para viver enfiado nesta coisa; mas, por tudo e para tudo, é isto que me identifica. É a única coisa que me define (...) Nestes seis meses, vi você se transformar em outra pessoa, que está só começando a ver as possibilidades que tem. Não imagina como isso me deixou feliz. Não quero que você fique presa a mim, às minhas consultas hospitalares, às limitações da minha vida. Não quero que perca todas as coisas que outra pessoa poderia lhe dar. E, egoísta, não quero que olhe para mim um dia e sinta sequer o mínimo arrependimento (...) E não quero olhar para você todos os dias, ver você nua, andando pelo anexo com suas roupas malucas e... não poder fazer o que quero com você. Ah, Clark, se soubesse o que eu gostaria de fazer com você exatamente agora. E... não aguento pensar nisso. Não posso. Não é quem eu sou. Não posso ser um homem que apenas... aceita"  pág 284


É inegável também a transformação que ambos passam no decorrer da história. Will, apesar de se manter firme na decisão do suicídio assistido, passa a ter momentos descontraídos com Lou. Ela traz um pouco de leveza e alegria para a vida dele. E esta, instigada por Will, passa a ambicionar coisas que nunca ousou a sonhar antes como, por exemplo, fazer faculdade de Design de Modas, viajar etc. 



Em "Como eu era antes de você" é fácil perceber que o amor pode se manisfestar de várias formas nas vidas das pessoas. Em doses homeopáticas, ele serve - por muitas vezes - como um bálsamo para o corpo, a alma e o coração. O amor transforma as pessoas, milimetricamente, até mesmo sem que elas percebam. O fato de querermos ver as pessoas de quem temos afeto/carinho felizes, nos faz um bem danado! A alegria delas é a nossa alegria... Principalmente, quando somos nós que proporcionamos tal sentimento! Aí, meus queridos, não há nada que anule tal satisfação.
"Saber que você ainda tem possibilidades é um luxo. Saber que lhe dei algumas me dá um certo alívio. É isso. você está marcada no meu coração, Clark. Desde o dia em que chegou, com suas roupas ridículas, suas piadas ruins e sua total incapacidade de disfarçar o que sente. Você mudou a minha vida  muito mais do que esse dinheiro vai mudar a sua. Não pense muito em mim. Não quero que você fique toda sentimental. Apenas viva bem. Apenas viva. Com amor, Will" pág. 317
Para aqueles que são chegados ao gênero, mas ainda estão indecisos... Leiam o livro e assistam ao filme! Vocês não vão se arrepender!  Sentirei saudades deste ranzinza chamado Will e a espevitada Lou. Casal fofo demais! Ganharam uma estrelinha no meu core! 

Ah...! E antes que me esqueça, este livro ganhou uma continuação: "Depois de você".  Em que o leitor pode conferir como ficou a vida de Lou depois da morte de Will. Portanto, em breve, teremos mais resenha por aqui!

Bjins e inté! :)

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