[RESENHA] "A Garota no Trem" de Paula Hawkins, por Stef Rhoden

Sinopse: Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Jason –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.

Trecho: "Perdi o controle sobre tudo, até sobre os lugares dentro da minha cabeça".

Ficha Técnica 
Título: A Garota no Trem 
Autora: Paula Hawkins 
Ed. Record | 2015 | Brochura | 378 páginas 

Resenha: O que você faz num feriado?
a) Um big churrasco na sua casa com os amigos?
b) Curte o feriado todo na praia com a família?
c) Viaja para uma cidade próxima?
d) Vai bater perna no shopping com as amigas, tomando um café?
e) Fica obcecada por um livro que ficou sabendo da existência na noite anterior, que só conseguiu dormir depois que encontrou o e-book e fica sozinha em casa, em paz, com seu tablet até terminá-lo?

Preciso falar minha opção?

Quarta à noite eu estava de bobeira no Facebook e vi o post de uma amiga o trailer de um filme que estreará esse ano: "A Garota no Trem". O trailer, imediatamente me deixou curiosa e pensei que assistiria assim que saísse. No mesmo momento, abri meus e-mails e vi os novos títulos da Amazon. Adivinha qual chamou a minha atenção! Não deu outra! Baixei o e-book e, enquanto minha família foi se divertir no feriado, fiquei no descanso do lar na companhia de Rachel Watson, Megan Hipwell e Anna Watson.

E, gente! Valeu a pena! Que livro bom!!!!!


A história começa com Rachel Watson, uma mulher solitária, alcoólatra, que ainda sente dificuldades em superar o fim do seu casamento. Todos os dias ela pega um trem para Londres, que passa ao lado da antiga casa em que ela morava, agora ocupada pelo marido e sua atual esposa, Anna. Como uma espécie de fuga, Rachel, então, começa a reparar nas casas vizinhas e percebe que ali mora um casal jovem e, aparentemente, feliz. Para se distrair de sua própria vida, ela cria histórias para esse casal em sua cabeça. Todos os dias, ela olha ansiosamente para o que o casal está fazendo e imagina seus diálogos, o tipo de vida que tinham...

Até o dia em que Rachel acorda com uma ressaca dos infernos, cheia de machucados, as mãos sujas de sangue, as calças fedendo a xixi e uma amnésia. Ela não consegue se lembrar o que aconteceu, apenas que foi algo ruim. E a sensação só aumenta quando, através das notícias, Rachel fica sabendo que Megan Hipwell, a garota que ela observava todos os dias, está desaparecida.

História promissora, né? E que, definitivamente, cumpre o que promete.

Paula Hawkins, a autora zimbabuana que mora na Inglaterra há anos, consegue nos conduzir de uma forma magnífica dentro da mente perturbada e confusa de Rachel. É impossível não sentir a dor da personagem! Rachel é totalmente crível, uma pessoa que nós podemos facilmente encontrar dentro de um trem. Da mesma forma, a autora nos conduz para dentro da vida de Megan, que está muito longe de ser tão perfeita quanto Rachel imaginava.

Gosto quando o livro me é apresentado como uma sala escura, onde os focos de luz vão aparecendo pouco a pouco, até acender por completo e me deixar ver todos os detalhes do cômodo. Este livro é exatamente assim. Não há uma pré-descrição, uma pré-ideia. Vamos sabendo o que acontece conforme acontece, conforme a autora acende um abajur. Ela intercala a narração entre Rachel, Megan e Anna, três mulheres que, a primeira vista, não tem nada em comum, mas vai montando um quebra-cabeças tão bem construído, acendendo abajures de forma tão bem sincronizada, que se torna impossível largar o livro! Minha atenção ficou focada, avancei nas páginas querendo saber logo o desfecho da história e só parei quando, enfim, li as linhas finais.

Para isso, é claro que Paula Hawkins usa diversas técnicas de thriller psicológicos - que, aliás, como todos os clichês, funcionam muito bem -, mas ela tem um quê de originalidade. Cada capítulo é dividido em turnos de manhã, tarde, noite ou madrugada, e faz o leitor passear entre o passado e o presente. É interessante.

Mas o que mais gostei no livro, sem dúvida, foi a construção das personagens. Paula não teve medo de ousar: não mostrou heroínas perfeitas, coisas fofas, mundos lindos, apenas a realidade, as pessoas por trás dos romances. Rachel está muito longe de ser uma mocinha: é feia, alcoólatra, fraca e cheia de autodesprezo e autopiedade. E, ao mesmo tempo em que sentimos pena dela, também torcemos por ela, sentimos nojo, dor, vontade de lhe estender a mão e lhe dar uns tapas. Não é isso o que você sente pela sua amiga? Ou sua vizinha? Ou sua prima?

Paula tem uma escrita interessante e até inteligente e, como a muitos, me lembrou bastante Gillian Flynn e sua "Garota Exemplar". O livro prendeu a minha atenção e, confesso, só consegui entender o que estava, de fato, acontecendo, quando Paula me permitiu entender. E eu fiquei surpresa. Preciso dizer que imaginei algo um pouco mais obscuro, é verdade, mas nem por um minuto fiquei decepcionada, afinal, foi tudo tão... Humano!!

Gostei do livro da primeira até a última página. Agora é só esperar pelo filme, né? E torcer para que ele, ao menos, faça jus ao livro. Pelo trailer, pelo menos, ele me parece muito bom. Traz Emily Blunt no papel de Rachel, Haley Bennett como Megan e Rebecca Ferguson no papel de Anna. Confira:



Beijão!

Stef Rhoden

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