[CINEAIL] "Perdidos em Marte", de Ridley Scott | por Eleni Rosa

‘Perdido em Marte’, ou seria melhor ‘Como Sobreviver em Marte’? Não importa, o que interessa é que esse filme tem pedigree, pois traz na Direção nada mais nada menos, que Ridley Scott, consagrado com as ficções cientificas: o ‘cult’,  ‘Blade Ranner – O Caçador de Andróides’ e o inesquecível ‘Alien – O 8º passageiro’. Scott carrega na bagagem filmes premiados e memoráveis como ‘Thelma e Louise’, ‘Gladiador’, ‘Hannibal’ e ‘Cruzada’. É, esse é o cara.

Passadas as complexidades dos últimos filmes genuinamente de sci-fi, Gravidade e Interestelar, Scott nos apresenta um filme palatável, leve e bem humorado, apesar de estar no limiar da tragédia. ‘Perdido em Marte’ é baseado no romance de Andy Weir e foi adaptado por Drew Goddar (‘Guerra Mundial Z’), na Direção de Fotografia está Dariusz Wolski (‘Piratas do Caribe’). E para desvendar o Planeta Vermelho o ator Matt Damon (‘Gênio Indomável’), incorpora o personagem Mark Watney. Compõe o elenco: Jessica Chastain (‘A Hora Mais Escura’), Sebastian Stan (‘Capitão América 2’), Mackenzie Davis (série ‘Halt and Catch Fire’), Chiwetel Ejiofor (‘12 Anos de Escravião’), Michael Peña (‘Trapaça’), Jeff Daniels (‘The Newsroom’) e Sean Bean (‘O Senhor dos Anéis’).
Finalmente a luz se apaga, termina os trailers e a tela começa a revelar ao público uma equipe de astronautas que realiza pesquisas no solo do Planeta Vermelho, mas, de repente, eles são surpreendidos por uma tempestade e obrigados a retornar a nave.

Todos fazem uma fila, quase indiana, em direção à nave, quando sentem falta do botânico Mark Watney (Matt Damon). Eles tentam contato, iniciam uma busca, mas a tempestade não permite que eles prossigam. Assim, Watney é dado como morto. A ‘chefa’ da equipe, Melissa Lewis (Jessica Chastain), relata o trágico fim do botânico a NASA que, por sua vez, tem a função de convocar a imprensa e anunciar a perda. 

Porém, para surpresa de todos, Mark Watney acorda. Sim, ele está vivo, ferido e em meio à poeira de Marte após ser atingido por uma antena e desmaiar. Mas o que o astronauta percebe é que esse não é o seu maior problema, pois agora ele encontra-se sozinho no hostil Planeta Vermelho, porque sua tripulação o deixou para trás.



Watney literalmente ‘levanta sacode a poeira e dá a volta por cima’, com doses cavalares de otimismo, algo inacreditável, ele mantém a esperança e a vontade de sobreviver. Diferente dos últimos filmes que assisti sobre sobrevivência e solidão (‘Naufrago’ e ‘As Aventuras de PI’), o bom humor e criatividade do personagem de Matt Damon é um verdadeiro achado.  

O personagem, um pesquisador e botânico (sua salvação), realiza incansáveis cálculos, revira todos os documentos da nave, analisa inúmeros dados e, sabendo que seus recursos são escassos, por fim, resolve plantar batatas para conseguir manter-se vivo por quatro anos - data prevista para a próxima nave ser enviada ao espaço para resgatá-lo.

Depois de muitas tentativas Watney consegue contatar a Terra. E, de repente, para desespero da NASA, o morto e enterrado astronauta ressuscita. Bom e ruim, pois depois do constrangimento da primeira coletiva de imprensa para noticiar sua morte à agência é obrigada a marcar outro encontro com a mídia para informar exatamente o contrário - que o astronauta Mark Watney está vivo. Uma grande saia justa.

Correndo contra o tempo um grupo de cientistas trabalha a quilômetros de distância de Marte para resgatar Watney, enquanto caberá à equipe original chefiada por Melissa Lewis, reparar o erro do abandono e traçar um plano de trazê-lo de volta a Terra.

As boas tiradas estão no excelente bate-papo que Watney mantém com as câmeras da base, ele faz um verdadeiro diário de bordo com muito bom-humor. Outro ponto hilário são suas brigas com as escolhas musicais da tripulação, principalmente de Melissa Lewis, pura referência à década disco, de 70. Suas piadinhas sobram para todos, incluindo Neil Armstrong.

Em época de crise econômica, um fato que me chamou atenção foi escolher a China como parceira dos EUA para resgatar o astronauta. Achei bajulação com a economia que mais cresce no mundo. Poderia ser o Japão, Inglaterra até a Rússia, mas vamos relevar, afinal, o poder do capital é tudo para Tio Sam e a China ainda está ‘podendo’.


O filme aproveita para criticar a necessidade da mídia na espetacularização dos fatos. Pois ao chegar o dia do ‘possível’ resgate de Mark Watney, o acontecimento vira um verdadeiro ‘show’, com direito a transmissão ao vivo para o mundo todo, quiçá para o universo. Essa busca desenfreada dos meios de comunicação social em surpreender o telespectador, ganhar audiência, aumentar o ibope e, claro, garantir o consumo, anda incomodando, principalmente quando a abordagem é jornalística. Pequeno, mas belo enfoque de Scott.

Para os curiosos que adoraram a fotografia com as vislumbrastes imagens de Dariusz Wolski; o filme teve gravações em um vale na Jordânia, chamado ‘Wadi Rum’ e conhecido como ‘Vale da Lua’. Claro que o público tinha que se deleitar.

E quanto às mirabolantes invenções de Watney, não pensem que não têm fundamentos. Segundo li, a NASA confirmou que muitas das tecnologias empregadas no filme são viáveis, completamente reais, como o módulo habitacional e o processador que recicla oxigênio. Gente, esse Andy Weir pode ser considerado um gênio.


Só para finalizar, ‘Perdido em Marte’ é um bom filme. Suave e cheio de esperança, de positividade, não é o melhor filme de Ridley Scott, mas com certeza vale ser visto. 

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