[CINEAIL] "Deadpool", de Tim Miller | por Eleni Rosa

Sinopse: Ex-militar e mercenário, Wade Wilson (Ryan Reynolds) é diagnosticado com câncer em estado terminal, porém encontra uma possibilidade de cura em uma sinistra experiência científica. Recuperado, com poderes e um incomum senso de humor, ele torna-se Deadpool e busca vingança contra o homem que destruiu sua vida.

Elenco: Ryan Reynolds,, Morena Baccarin e Ed Skrein| Direção: Tim Miller |Gênero: Ação, Comédia | Duração: 108 min. | Distribuidora: Fox Films | Classificação: 16 Anos

Por Eleni Rosa


Inspirada no roteiro do filme ‘Deadpool’ tentarei ser bem descontraída.  Você deve estar pensando: “Nossa!? Mais um filme de super-herói” - mesmo sendo aquele hiper fã. Afinal, depois dos ótimos Batmans, eternos Homens Aranhas, inovadores Homens de Ferro e os piadistas e existencialistas X-Mans, claro que você está meio sem saco.


Juro! Não assisti ao tal trailer que vazou para imprensa em 2014, e muito menos incorporei o ‘007’ para investigar a vida de Deadpool, mas ... para minha surpresa... o filme é um escândalo! Maravilhoooooso!

Com uma big direção de Tim Miller – inacreditável, o cara é estreante nesse nicho e arrebentou! - e o roteiro escrito por Rhett Reese e Paul Wernick. E o personagem principal, Wade Wilson, fica a cargo do ator Ryan Reynolds, aquele que vestiu a máscara do Lanterna Verde - fracasso de bilheteria. Uma surpresa para nós brasileiros, há tupiniquins na área: a atriz brasileira Morena Baccarin é Vanessa Carlysle, a namoradinha do ‘mocinho’...ou não, da história.

Um breve hiato sobre quadrinhos: Os quadrinhos ganharam força lá pela década de 30 e, aos poucos, surgiram os personagens de Super-heróis, os ‘fodásticos’ que salvavam o mundo e lutavam contra seus arqui-inimigos. Eles foram popularizados para insuflar os ânimos, principalmente dos soldados no front, marcados pelo período da II Guerra Mundial, tornaram-se emblemas de militarização – vide Capitão América. Lembrando que essa 9ª arte também foi muito utilizada nos idos anos 60 quando pegou carona na Pop Art, difundida por artistas como Andy Warhol. Mas a dicotomia do bem e do mal e, obvio, mocinhos sempre do lado do bem, vencendo os bandidos viraram marcas registradas nos HQs. Os incessantes ‘po-li-ti-ca-men-te corretos’. Porém Deadpool é a verdadeira desconstrução do super-herói. Apaguem a imagem de Superman, Batman, Mulher Maravilha e Cia e voltemos ao filme porque ele não tem nada a ver com os bons moços de quem acabo de escrever.



Afirmo: Deadpool é um anti-herói, ele é todo errado. Sua história começa quando Wade Wilson o alter-ego de Deadpool - um assassino, mercenário, bandido - descobre que está com câncer e com os dias contados. Depois de uma breve depressão ele resolve aceitar uma proposta indecorosa e participar de um tratamento alternativo que lhe daria a cura. A tal ‘terapêutica’, meio subversiva e sem nenhuma garantia, dá certo e o enche de super poderes. Mas como a vida do nosso ‘novo super’ não poderia ser muito fácil, ele sofre um efeito colateral e o cara fica totalmente desfigurado, muito feio, com ‘cara de abacate que transa com outro abacate’ (palavras ditas no filme). O ‘bonitão’, ‘P’ da vida, vai atrás do dito-cujo que fez a transformação, pois quer reverter o processo e voltar a ser o bonitão da área.

O personagem é hilário, debochadíssimo, abarrotado de piadas politicamente incorretas; de cunho sexual, discriminatórias e infames. Piadas boas, ou não, mas a maioria muito engraçada (não há piadas escatológicas, eu agradeço). Ele infla o filme com metalinguagens e faz citações a várias obras ‘pop’ – artistas, filmes, músicas, personagens, etc. Se está na mídia? Está na boca do tagarela Deadpool.

O filme não é só risada é ação também, e muita. A produção utiliza câmera lenta em vários momentos, o que causa um efeito todo especial às cenas. Além de contar a história por meio de flashbacks, exatamente quando está no auge da cena de ação. Sinistro.

E, de repente, o personagem encara a telona e começa a dialogar com o público, sim, comigo, com você, com quem estiver sentado naquela poltroninha, ele coloca o carão na lente e manda ver. O que pega alguns espectadores desprevenidos. A quebra da quarta parede não é novidade, filmes como: ‘Curtindo a vida adoidado’, ‘A Rosa púrpura do Cairo’, ‘O Lobo de Wall Street’, ‘O Show de Truman’...entre outros, já utilizaram esse recurso, mas Deadpool faz descontraído e naturalmente. Dá vontade de manter o papo.


Para os cinéfilos que amam quadrinhos o filme é um prato cheio, e de lamber os beiços. O roteiro é muito simples, com texto rápido, que sai afiadíssimo da boca do protagonista. O final é previsível, mas Deadpool só quer divertir os espectadores, só quer deixar seu público leve e com aquela vontade de ‘quero mais’.


Mandando a real: desde o filme ‘Borat’, eu não ria tanto. Vá ao cinema, sem preconceitos, e divirta-se com o despojado e cômico Deadpool. É, cinema é diversão.

O post [RESENHA] "Fingindo", de Cora Carmack | por Stef Rhoden apareceu primeiro em  APENAS Impressões Literárias .

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