[CINEAIL - OSCAR 2016] "O Regresso" de Alejandro González Iñárritu | Por Eleni Rosa

Sinopse: 1822. Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso, fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald (Tom Hardy), que ainda rouba seus pertences. Entretanto, mesmo com toda adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança.

Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Will Poulter | Direção: Alejandro González Iñárritu
Gênero: Drama | Duração: 156 min. | Distribuidora: Fox Films | Classificação: 16 Anos


Por Eleni Rosa

Acredito que todos os cinéfilos de plantão conheçam muito bem o trabalho do Diretor Mexicano Alejandro González Iñárritu. Só para relembrar sua trajetória temos: ‘Amores Brutos’ (2000), ‘21 Gramas’ (2003), ‘Babel’ (2006), ‘Biutiful’ (2010) e ‘Birdman’ que o consagrou, com o Oscar de melhor filme e melhor direção em 2015. Alejandro gosta de colocar seus personagens em circunstâncias extremas, e, assim acontece com o faroeste  ‘O Regresso’.

Mais uma vez Iñárritu se distancia de suas tramas paralelas, marca registrada em seus primeiros longas, e mantém a linha linear de Biutiful e Birdman, escolhendo um único protagonista para passar por sofrimentos infindáveis.

O filme é baseado em fatos reais, do livro de Michael Punke, The Revenant: A Novel of Revenge. Conta a história de Hugh Glass, interpretado por Leonardo DiCaprio, um caçador que atua como guia para peleiros nos confins dos Estados Unidos da América, em uma região perigosa e inóspita no início do século XIX. É uma obra longa, tensa, com um visual deslumbrante que nos presenteia com uma ‘doação’ visceral de DiCaprio.


Assim que inicia o filme somos agraciados com uma cena com um agitado plano sequência. A partir daí já imaginamos aonde vamos parar com caçadores de peles e índios se digladiando entre socos, escalpes, flechadas, machadinhas e muitos tiros.


Não demora muito tempo e a esperada cena de Leonardo DiCaprio e o seu ‘algoz urso’ surge e, sem tempo de respirar, ficamos durante 10 minutos perplexos afundados nas poltronas, sem nos mover. O urso, duas vezes maior do que Glass, o deixa a beira da morte.

A Via Crucis só está começando para o personagem de DiCaprio. Passados os 10 minutos, começa, verdadeiramente, a luta de Hugh Glass para sobreviver.  Iñárritu não poupa o espectador da dor, seu filme é um forte soco no estômago.
Depois do ataque do urso, Glass é salvo pelos parceiros, mas é deixado com seu filho e mais 2 homens, para que tivesse uma morte digna e um enterro cristão, pois seus graves ferimentos e as intempéries da região não os fizeram acreditar  em sua sobrevivência. 

Mas o destino do caçador não foi benevolente, porque entre os homens que ficam estava seu desafeto John Fitzgerald (Tom Hardy, de mad Max – Estrada para fúria). Claro que o vilão abreviaria sua chegada ao altíssimo, assassina seu filho e enterra Glass vivo. Mas, como uma fênix (desculpe-me o bordão), Glass consegue sobreviver e lutar, com todas as forças, para se vingar de John Fitzgerald.

O filme é perturbadoramente violento e somado ao ‘inferno’ gelado, que predomina em toda grande tela, deixa o espectador estarrecido com as poucas perspectivas de sobrevivência de qualquer forma de vida. Assim, o apelo dramático de Leonardo DiCaprio eriça os pelos de qualquer indivíduo, multiplicando-se a medida que as dificuldades vão surgindo.

Outro acerto do Diretor foi à escolha de Emmanuel Lubezki, Diretor de Fotografia do filme ‘Gravidade’ e de ‘Birdman’. Segundo li, em algumas reportagens, a gravação do filme foi realizada utilizando luz natural, o que tornou o visual belíssimo. Assim, Lubezki transforma o cenário em um grande personagem na trama, tanto nas belas passagens, quanto nas passagens mais hostis. São tomadas incríveis de natureza; rios, montanhas, florestas e muita...muita neve. E com utilização de grandes angulares ele tem o poder de nos presentear com um efeito quase circular, uma visão panorâmica indescritível.


Claro que o filme não é só elogio. Tirando todos esses pontos positivos da atuação de DiCaprio, das tomadas em plano sequência, da fotografia magnífica, do cenário, do figurino, etc. eu achei (Diante de um filme tão grandioso, quem sou eu para achar? Mas...), insisto, achei que faltou algo no roteiro. São muitos minutos em uma jornada inacreditável, que leva um homem semimorto buscar incessantemente vingança. 

Poderia ter aproveitado a oportunidade para retratar a colonização estadunidense, afinal estamos diante de índios e brancos, franceses e ingleses. Nem que fosse subliminar, o roteiro poderia ter sido mais encorpado, afinal mais uma vez, este ano, estamos diante da formação da identidade americana, assim como no filme ‘Os Oito Odiados’. Uma oportunidade perdida, mas que não tira o mérito dos realizadores.

O filme é brutal e imperdível, pode até não render o Oscar ao Leonardo DiCaprio, mas ficará na história. Vale a pena assistir ‘O Regresso’


PS.:Outra coisa me incomodou, mas deixo para vocês revelarem.  

Até a próxima, pessoal!

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