[CINEAIL - OSCAR 2016] "Os 8 mais Odiados" de Quentin Tarantino | Por Eleni Rosa



Sinopse:Um mexicano, um inglês, um xerife e um negro entram em um bar. Isto poderia ser o início de uma piada, mas é a premissa do oitavo filme de Quentin Tarantino, que enclausura oito tipos sociais muito precisos dentro de um pequeno armazém para assisti-los se digladiarem. O mecanismo perverso poderia soar artificial, mas funciona porque nenhum dos personagens possui mais voz do que o outro, e nenhum corresponde ao ideal do herói – como era o ex-escravo de Django Livre. O espectador observa o ringue à distância, sem ter para quem torcer.


Título Português: "Os 8 Odiados" | Título Inglês: "The Hateful Eight"|Direção: Quentin Tarantino | Ano: 2015 | Duração:


Por Eleni Rosa


Vagarosamente a câmera vai focalizando um crucifixo, milímetro por milímetro vai subindo a imagem talhada na madeira, dos cravos dos pés até o rosto sofrido e contorcido de Jesus Crucificado. No fundo uma trilha sonora tenebrosa. Avistamos ao longe, entre o rosto de Cristo e a densa neve, uma carruagem. E a música vai ascendendo enquanto a carruagem se aproxima o mais veloz que os seis cavalos, a neve e o cocheiro permitem. Mas acalmem-se, pois o gênero deste filme não é  terror, é o mais novo faroeste do Diretor Quentin Tarantino – ‘Os 8 Odiados’ (The Hateful Eight, 2015).




O filme é ambientado nos Estados Unidos da segunda metade do século XIX, uma trama pós Guerra da Secessão, onde confederados ainda estão cheios de sangue nos olhos e que somam as mazelas segregacionistas. Mas o que a maioria vai relembrar na nova película de Tarantino, além do faroeste (afinal ‘Django Livre’ não tem muito tempo), será a experiência de seu primeiro longa-metragem, ‘Cães de Aluguel’, ‘filme de câmara’, que incide em um jogo mortal formado por um grupo de pessoas confinadas. Simplesmente primoroso!




Para quem curte curiosidade: ‘Oito’ é também o número de longas-metragens desse grande Diretor, que espalha aos quatro ventos que encerrará a sua carreira quando chegar ao seu ‘décimo’ projeto na 7ª arte.


Bem, voltemos à narrativa: A carruagem surge levando o caçador de recompensa o oficial Juhn Ruth (Kurt Russell, do último “Velozes & Furiosos 7” - o qual não assisti­ - e o cult, “Vanila Sky”), com sua fugitiva da justiça Daisy Domergue, (Jennifer Jason Leigh, de “O Maravilhoso Agora” - o qual não assisti­ - e o suspense “O Operário”)a estranha prisioneira será enforcada na cidade de Red Rock. 


Cai uma intensa tempestade de neve e, em meio a paisagem gélida, eles se deparam com o misterioso Major Warren (Samuel L. Jackson, que ...dispensa apresentações depois do retorno em “Pulp Fiction- Tempos de Violência”), também caçador de recompensas, que leva dois cadáveres até a próxima cidade para receber a recompensa, seu trunfo é ser detentor de uma carta do Presidente Lincoln com trechos que revelam profunda amizade entre ambos. Mal a carruagem começa a trilhar seu destino e novamente são interrompidos, agora pelo ex-ladrão e pretenso xerife da tal próxima cidade de Red Rock, Chris Mannix (Walton Goggins, de “American Ultra” - o qual não assisti­ – e “Django Livre”). Com o aumento da nevasca eles são obrigados a parar numa taberna.





No abrigo nossos viajantes são obrigados a se juntarem a Joe Gage (Michael Madsen), Oswaldo Mobray (Tim Roth), Bob (Demian Bichir) e o General Sanford Smithers (Bruce Derm). O começo do filme é lento, mas tudo começa a se encaixar e a mostrar o melhor de Tarantino, quando todos se fecham no ‘Armazém da Minnie’ - agora os oito tipos sociais serão assistidos em um embate implacável.


Como sempre, os diálogos estão aguçados, o Major Marquis toma as rédeas da situação – na interpretação de Samuel L. Jackson - o grande intérprete do monólogo teatral de Tarantino. Os demais personagens, símbolos da colonização estadunidense (o velho colono e o imigrante mexicano), tornam-se secundários, porém não menos importantes. Nós pobres mortais temos a sensação de estarmos diante de um palco teatral de dimensões irreais. E de repente o roteiro toma forma de ‘mistério’ que aos poucos vai sendo desvendado. Os minutos passam e vamos entrando em uma trama ao melhor estilo Agatha Christie.




O filme ainda conta com a participação do próprio Tarantino, que além de desempenhar o papel de diretor, roteirista também participa como narrador, comentando as reviravoltas de sua cria.



A construção do filme nos abre vários repertórios além do suspense. Informo aos fãs do terror: o presente já foi entregue antes do Natal. Em vários momentos, a partir da segunda metade do filme, é possível lembrar imagens do filme ‘O Exorcista’. Momentos vividos pela personagem de Daisy Domergue, há cenas que ela está coberta de sangue e com um sorriso enlouquecedor, sua aparência lembra a personagem Regan Mac Neil. Não para aí: a Trilha sonora é do compositor italiano Ennio Morricone que, além der ser ‘expert’ em trilha de western (Três Homens em Conflito, Era Uma Vez no Oeste...etc.), também participou da trilha de ‘O Exorcista’. É, realmente, há sequências sinistras.



O Diretor mantém a violência, marca registrada de seus filmes, e não é pouca. É um banho de sangue que brigará com ‘Pulp Fiction’, para ver quem levará o trofeu da película mais sanguinária.


A força do cinema de Quentin Tarantino está lá na telona, ‘Os 8 Odiados’, é um ótimo filme. Confesso: sou fã de carteirinha do Diretor, mas lúcida, pois não consegui assistir ‘Jackie Brown’, penso que esse fato me dá certo afastamento do delírio que ocupa a mente dos grandes fãs incondicionais.



O que desejo? Vá! Assista ‘Os 8 Odiados’.


Assistam o trailer:


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