[RESENHA]"O Filho do Dragão - A Saga das Pedras Mágicas Vol. VII" de Sandra Carvalho | Por Mac Batista

Sinopse: Após a cruenta batalha que reduziu a Ilha dos Sonhos a cinzas, Kelda, filha do Rei da Lua e da Rainha do Sol, assume-se como Sacerdotisa dos Penhascos, a fim de salvar o seu povo do ferro e do fogo dos inimigos. Durante a longa viagem que a levará à Terra das Montanhas de Areia, a jovem guerreira, eleita decisora pela Pedra do Tempo, interroga-se se irá encontrar Halvard, o seu irmão gêmeo, marcado pelo destino para concretizar a profecia do Filho do Dragão. Kelda acalenta a esperança de que ainda será possível desviá-lo do trilho da perdição. Contudo, antes terá de combater Deimos, o rei do Povo do Fogo, assim como Sigarr, o terrível feiticeiro que raptou Halvard quando este era criança. 

Título: "O Filho do Dragão - A Saga das Pedras Mágicas Vol. VII" | Editora: Editorial Presença|Gênero: Literatura Portuguesa, Fantasia, Épico, Romance| Ano: 2009 (edição 1) / 2010 (edição 2)|Nº Páginas: 468 | Adquira um exemplar, aqui. |Leia um trecho do livro, aqui.


Por Mac Batista


É fato que a Literatura Fantástica Portuguesa tem ganhado mais notoriedade entre os leitores e escritores. E não é de hoje que este gênero arrasta milhares de fãs pelo mundo a fora! Eu sou uma fanática pelo universo da Literatura Fantástica. E dentre algumas autoras deste gênero, famosas por dar voz a personagens femininas em um universo governado pelos homens, destaco Juliet Marillier ("Sevenwaters"), Marion Zimmer Bradley ("As Brumas de Avalon") e Sandra Carvalho ("A Saga da Pedras Mágicas" e "Crônicas da Terra e do Mar"). 

Em "O Filho do Dragão", da autora Sandra Carvalho, a narrativa começa mostrando as consequências de Kelda ter tomado a decisão de se passar por Oriana,  "A Sacerdotisa do Penhasco", após a Ilha dos Sonhos, lar de seus ancestrais, ter sido destruída pelo exército de "O Filho do Dragão". Este livro possui três eixos de sustentação: 1) Kelda apaixonada e rejeitada por Lysander, assume a identidade de Oriana, o quê acarreta em consequências inimagináveis; 2) A consternação de Kelda ao se deparar com a verdadeira face de seu irmão Halvard e; 3) A tentativa de redenção de Sigarr atráves da paixão que sente por Kelda.
Kelda é a todo momento testada por suas convicções e também pela atmosfera maléfica que impera na Terra das Montanhas de Areias (Deserto do Saara). Após se reencontrar com seu irmão Halvard e ser obrigada a fazer um pacto de sangue para provar a sua lealdade a ele, Kelda se depara com a dura realidade de que seu irmão não é mais aquele menino que ela conseguia domar com um simples sorriso. Ele se transformou em um homem forte, bonito e uma pessoa tão má que duvidava que a Arte da Luz seria capaz de restaurar a sua essência.
Como se não bastasse esta decepção, Kelda é constantemente testada e desafiada por Deimos, Rei do Povo do Fogo, que também tem papel importante na profecia do "Filho do Dragão": a de ser o "Protetor". Logo de cara, Deimos não acredita que Kelda foi subjugada por Halvard e não descansa até suas suspeitas serem concretizadas. Prova disto, é a  luta que Kelda e Deimos trava, em determinado ponto da história, sendo uma das mais brutais e sangrentas!  Realmente ler este embate foi de perder o fôlego:
"(...) Espreitei por cima do ombro e vi a garra do demónio estendida, candente devido à evocação da magia. Então, soltou uma gargalhada e fremiu__ O teu mestre garante que és excecional... Vejamos se é verdade! __ Libertou o vómito ardente, cobrindo-me de flamas (...) O efeito era aterrador! A sala transformara-se num forno gigante... E nós estávamos a mercê de Deimos, sem recursos para escapar à fúria arrasadora de seu poder. (...) E o fedor a enxofre  envenenava-me, deixando-me tonta e nauseada, prestes a desfalecer" (pág. 70)
Com as desconfianças de seu irmão e de Deimos - seu inimigo declarado após a luta que o deixou com sequelas irreversíveis - Kelda se ver em constante agonia entre o dever e o coração (mesmo com todas as evidências, ela continua acreditando que pode redimir o seu irmão). A tristeza por ter sido rejeitada por Lysander e a angustia de ser apontada como traidora de seu povo, a faz se aproximar de Sigarr. A princípio, Kelda faz isso com o intuito de se tornar aprendiz do feiticeiro e aprimorar o seu conhecimento nas Artes Obscuras, assim ela estaria apta para enfrentar o seu irmão quando o a "Noite Branca" chegasse.

Sigarr, o feiticeiro mais odiado de toda a saga, a princípio reluta bastante, pois não quer ser responsável em treiná-la. No entanto, o fato de não ter mais controle sobre as vontades de Halvard e também de não ser mais respeitado como mestre, faz com que o feiticeiro reavalie sua posição diante deste novo cenário. E ainda tem o aditivo dele ficar cada vez mais intrigado por Kelda. Ao mesmo tempo, que a teimosia dela o irrita, ele se vê a cada dia que passa mais dependente da companhia de Kelda.  Por fim, ele  cede e ambos firmam um acordo: Sigarr ajudaria Kelda no aprimoramento das Artes Obscuras e Kelda o ajudaria a controlar e, posteriormente, derrotar Halvard.

Essa aproximação  desencadeia um sentimento que Sigarr, até então, se achava incapaz de sentir novamente.  No passado, quando ainda vivia na Ilha Sagrada, Sigarr foi abandonado por sua noiva Aranwen e trocado por um humano. O sofrimento por esta traição fez com que ele desenvolvesse ódio mortal pela raça humana, abraçasse definitivamente a Arte Obscura e perseguisse, depois de ser expulso da Ilha Sagrada, os descendentes de Aranwen. Este fato, somado com a atração que ele sente por sua nova aprendiz, faz com que Sigarr viva em constante dialética, pois Kelda é tataraneta de Aranwen. 
"__Não estou a justificar os crimes de Sigarr __ contrapôs Íris, esforçando-se para não se enrolar no meu ardor __ Só acho que deves saber que, por debaixo do monstro que tanto odeias, existe um homem capaz de amar. Talvez essa informação  te venha a ser útil..." (pág.101)
No decorrer da narrativa, o leitor tem a possibilidade de ver o feiticeiro através de uma  nova perspectiva. A mudança de Sigarr é muito sutil no início e, aos poucos, vai se tornando algo muito latente. A necessidade dele ter Kelda sempre por perto, protegendo-a das atrocidades de Halvard faz com que o leitor crie uma certa empatia por este personagem. Ao mesmo tempo que sente angustia ao vê-lo provar a Kelda - a todo momento - que o seu coração está mudando.

E a torcida por um possível romance se desenvolver entre Kelda e Sigarr começa a tomar forma.  Kelda começa ver  Sigarr com outros olhos e, aos poucos, fica cada vez mais envolvida por ele. No entanto, sabendo que ele é o homem que mais fez mal a sua família e a seus antepassados e teve participação no terror que assola a terra dos homens, Kelda nega até onde pode este novo sentimento! Ela fecha os olhos para as evidências e se foca em seu objetivo, buscando motivos contundentes para provar que Sigarr em nada mudou:
"__O teu pai era um homem mau... Mas tu não és! __ rebati com firmeza. Depois, levei a mão ao colar que lhe pendia do pescoço, o qual exibia pedaços de ossos, peles e dentes das vítimas que ele prostrara durante o seu treino, e prossegui resoluta: __O teu mestre é mau... Mas tú não és! Por mais que Sigarr se esforce, jamais conseguirá preencher o teu coração com trevas. Há luz dentre ti, Erebus... Eu sei, porque já a vi.__Chega! __Afastou-me Erebus e recuperou a capa. Num ápice, abrira a porta e precipitou-se através do corredor. Não tive alternativa, senão segui-lo" (pág. 145)
Kelda também desenvolve uma profunda amizade com Erebus, seu primo há muito tempo desaparecido e que foi criado como filho por Sigarr. Erebus nasceu com a mesma missão de Kelda, a de ser o "Decisor" e é chamado na história como o "Criador das Trevas". Aos poucos, o leitor percebe que Erebus não tem o coração ruim ou corrompido como o de Halvard e isso faz com que ele se torne o melhor amigo de Kelda!

Apesar de ser narrada por Kelda, este livro tem o maior foco nas atrocidades que Halvard comete na ânsia de se tornar o Filho do Dragão. É impossível gostar de uma criatura que sente prazer no sofrimento alheio! Halvard é mal e louco e não tem o menor pudor em esconder isso! É um psicopata... um sociopata e tudo de ruim que uma pessoa pode ser! Ele sempre surpreende o leitor com o seu requinte de crueldade, seja no campo de batalha ou seu novo reinado na Terra das Montanhas de Areia! Definitivamente, ele é o maior vilão de toda a saga!
"Movimento. Pulsação. Magia de Luz... Magia de Trevas... Eu não recuaria perante nada! Faria 'tudo o que tivesse de ser feito' para vencer esta guerra."(pág.454)
E mesmo amando o irmão, Kelda percebe - tarde demais - que Halvard realmente não tem salvação. A partir deste momento, ela começa a correr contra o tempo e a recorrer a todos os artifícios para se manter "aparentemente" fiel ao juramento feito a seu irmão. Ao mesmo tempo, em que busca maneiras de neutralizar a concretização da profecia do Filho do Dragão. E não se iludam, ela vai chegar até as últimas consequências para alcançar o seu intento. E isto fica bem claro em "Sombras da Noite Branca", o livro que encerra a Saga das Pedras Mágicas.

A leitura de "O Filho do Dragão" é bem fluída e a diagramação, mais uma vez, está perfeita! Sandra Carvalho deu uma nova faceta a história, fazendo o leitor repensar alguns conceitos e reafirmar outros. Nos apresentou novos personagens bem construídos e, até certo ponto, desenvolvidos. No entanto, na ânsia de nos mostrar quem é o "Filho do Dragão", ela deixou de se aprofundar na cultura do Oriente Médio que é tão bonita e rica em detalhes. Ficou aquela sensação de "falta alguma coisa"! Afinal, a autora transitou superficialmente pelos costumes e crenças de uma cultura milenar! Uma pena! 

Em tempo, a resenha sobre o último livro desta saga, "Sombras da Noite Branca", já está quase finalizada! E vou logo adiantando... o livro  é sensacional! hahaha

Bjins e inté!


Livro que ainda não foi resenhado:


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