[RESENHA]"Cinco Dias" de Julie Lawson Timmer | Por Mac Batista

Sinopse: Mara Nichols é uma advogada bem-sucedida, esposa e mãe dedicada. Ela está doente. Uma doença devastadora. Ela precisa colocar um fim ao sofrimento dos últimos tempos. Scott Coffman é um professor do ensino fundamental que precisa cuidar de um garoto de oito anos enquanto a mãe do menino cumpre pena na prisão. Mara e Scott têm apenas cinco dias para dizer adeus àqueles que amam. Essa talvez seja a maior prova de amor que poderiam dar a essas pessoas.

Título: "Cinco Dias" | Editora: Novo Conceito| Ano: 2015 | Adquira um exemplar, aqui. | Leia um trecho do livro, aqui.


Por Mac Batista

Em "Cinco Dias", o leitor é apresentado as histórias de vida de Mara e Scott. Eles estão se despedindo da vida que estão acostumados a ter e é da forma mais dolorosa possível. 

Scott tem a difícil tarefa de abrir mão de um garoto que, até então, tinha a guarda temporária. Como acontece na maioria das vezes, Scott se afeiçoou ao menino e o vínculo estabelecido entre eles se tornou tão profundo que agora, na eminente despedida, ele se vê totalmente perdido sem a possível companhia da criança que aprendeu a amar como um filho. E essa dor e angústia se torna maior ao saber que a vida do menino, ao lado da mãe (ex-presidiária), seria bombardeada por sucessivos fracassos, pobreza, exemplos de má conduta etc.

Em outras palavras, o menino seria criado em uma vida totalmente sem perspectivas.  E esse fato está, aos poucos, acabando com Scott psicologicamente. Seu sofrimento é palpável e somente quem passou ou passa por uma experiência como a dele, sabe o que é dar todo amor, carinho, infraestrutura familiar adequada a uma criança. Ter todo o trabalho para criá-la, guiando no caminho do bem e, do nada, ver todos os seus esforços sendo jogados por terra. É realmente de angustiar, para não dizer outra coisa.

“E o menino estava lá agora, e precisava dele. Um menino prestes a voltar para um mundo sem três refeições diárias, com roupas sujas e uma mãe nem sempre lúcida. E, embora Scott tivesse por fim aceitado o conceito de que ficar com a mãe era melhor para Curtis do que estar separado dela, ele continuava arrasado ao pensar no tipo de vida que seu Carinha estava deixando para trás, e o tipo de vida para o qual retornaria. E era tão, mas tão difícil pensar em qualquer outra coisa.”p. 114


Mara é a típica mulher moderna - mãe, esposa, viciada em trabalho e sócia em uma empresa - que do nada teve sua vida virada de cabeça para baixo ao se descobrir portadora da Doença de Huntington (DH). Para aqueles que, até então, nunca ouviram falar desta doença, a DH é um distúrbio neurológico hereditário caracterizado por causar movimentos corporais anormais e falta de coordenação, também afetando várias habilidades mentais e alguns aspectos de personalidade. É triste demais ver uma pessoa tão cheia de vida, como a Mara, se deteriorando a cada dia que passa.

Ela percebe que, dia após dia, a DH está lhe tirando tudo que ela mais ama. Então, ela toma uma decisão radical, que me fez refletir bastante a princípio. Tentei me colocar no lugar dela, entende-la, mas só quem passa por algo assim  e - até mesmo quem convive com pessoas portadoras da DH - é que têm a verdadeira dimensão do quanto é doloroso se ver dependente de terceiros para realizar as tarefas diárias mais triviais. No entanto, como seguir em frente nesta decisão, deixando para trás filha, marido, pais, amigos? Como abrir mão das pessoas que você mais ama no mundo?

“Porque isso não envolve só você! Nem só o que você quer, nem o que você sente! – Ele se inclinou para a frente. Você já pensou nisso? Isso já passou pela sua cabeça, pelo menos uma vez, nestes últimos quatro anos? –Ele abriu as mãos. -Você leu os sites, os folhetos do consultório do Thiry. Trinta mil pessoas nos Estados Unidos têm DH! Um número ainda maior é afetado pela DH. Você pode dizer que tem o gene, mas essa doença maldita não é só sua! Claro, a DH está no seu corpo, mas também está nessa família. [...] Eu sei que essa doença acabou com você, mas você parece esquecer que essa doença acabou com a gente também.” p. 244 

Conforme a narrativa foi fluindo, fiquei me perguntando se a vida de ambos (Scott e Mara) iria se cruzar. E, de certa forma, isto acontece. De uma maneira inesperada, a tábua de salvação para os problemas de Scott e Mara  se torna algo interessante:


“Talvez fosse meio louca, ela pensou. E então sorrindo, disse a si mesma que sem o fórum teria enlouquecido de vez. Sua família e seus amigos da “vida real” importavam muito mais, é claro, mas seus amigos virtuais ao tratarem-na como uma pessoa normal esse tempo todo, tinham mantido Mara lúcida o bastante para aproveitar a vida real até ali.” p. 126
Sinceramente, não consigo escolher entre as duas histórias, pois ambas me tocaram de forma diferente. Fiquei a todo momento torcendo por um milagre, pelo famoso "Felizes para Sempre", mas nem sempre o final é aquilo que desejamos. O que é bom para um, pode não ser bom para o outro e vice-versa. Percebi também que sofrimento e felicidade é uma escolha... é opcional! 

Independente da situação que a pessoa se encontra, partirá dela a decisão de guiar os próprios passos para aquilo que realmente deseja em seu futuro. Ela pode escolher se deitar e pedir para "jogarem a terra por cima" ou, simplesmente, sacudir a poeira e tirar algo positivo de uma fase ruim e passar a viver num constante processo de transformação.  Afinal, nem todo fim é sinal de um ponto final, mas apenas o começo de um novo capítulo da vida.

"Cinco Dias" é um livro memorável, com uma carga dramática incrível ... e que transmite uma linda lição de vida. Para vocês leitores que curtem o gênero sick-lit, eis um livro que vocês podem colocar na sua coleção.

Bjins e inté.

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