[RESENHA]"Sonhos Despedaçados" de Ellie James | Por Eleni Rosa

Sinopse: Em uma casa abandonada, um grupo de adolescentes joga Verdade ou Desafio. Antes de a noite acabar, a garota mais popular da escola desaparece como se fosse por mágica. Recém-chegada à cidade, Trinity preferiria não ter as visões que a atormentam tanto… Agora ela precisa agir rápido, porque todas as suspeitas levam até ela. Cheio de reviravoltas e sustos, Sonhos Despedaçados é leitura obrigatória para quem gosta de tramas com desfechos imprevisíveis. Os cenários ajudam a compor o mistério, e podem ser os cemitérios antigos de Nova Orleans ou os destroços deixados pelo furacão Katrina. O único problema: você não vai ter coragem de ler este livro quando estiver sozinho em casa.

Título: "Sonhos Despedaçados" | Editora: Novo Conceito| Ano: 2015 | Adquira um exemplar, aqui. |Leia um trecho do livro, aqui.


Por Eleni Rosa

Difícil. Esta é a palavra que traduz a leitura que fiz desse livro, e realizar a resenha ... um parto. Sonhos Despedaçados é um livro muito fraco. E, não sabia, mas o infeliz ainda faz parte de uma série. Uma visão dantesca para uma leitura. 


Sonhos Despedaçados é um livro extremamente mal escrito, muito confuso e com desenvolvimento anêmico. Tudo o que ele pretendia ser não é: cobiça ser uma trama de suspense, mas fracassa; anseia ser uma leitura policial, mas falha; almeja ser uma obra sobrenatural, mas não chega nem perto. Sem criatividade e previsível, simplesmente ele é figurinha repetida. Assim, o aditivo que seria a pincelada romântica, acaba sobressaindo. Mais um livro com personagens sem profundidade, com diálogos toscos. O que poderia ser uma ótima trama sobrenatural de mistério e suspense, com um toque de romance, com cenários de Nova Orleans que ajudariam a compor o mistério - cemitérios antigos ou os destroços deixados pelo furacão Katrina... Infelizmente não é. E Trinity é uma protagonista fraca e chata. 


Trinity, ‘a personagem’ tem visões que a atormentam tanto, que preferia não tê-las, além de um passado cheio de dor. Seus pais morreram quando ela ainda era muito pequena, foi criada pela avó em um local distante, nunca frequentou a escola e com pouquíssimos amigos. 


Ela começou a ter sonhos premonitórios, ainda criança quando sua cachorra morreu e mais tarde com a morte de sua avó. Logo após o falecimento de sua avó ela foi obrigada a se mudar para New Orleans e viver com a sua tia, irmã de seu pai. Recém-chegada à cidade, sua vida vira de ponta a cabeça. Ela começou a frequentar a escola e a sofrer com a estranheza dos novos colegas. Num relato previsível Trinity se apaixonou pelo namorado da menina mais popular da escola e segue condicionada a submissão a Chase, o tal ex-namorado de sua rival Jessica. Tudo é narrado em primeira pessoa na visão de Trinity


Logo no início da trama de Ellie James, a autora, em uma situação lembrando uma iniciação de irmandade, mostra Trinity sendo levada à noite, a uma casa abandonada, por um grupo de adolescentes de sua escola. Depois de um ridículo jogo de ‘Verdade ou Desafio’ e uma série de provocações propostas por Jessica, sua “rival”, acontecimentos bizarros passam a ocorrer. Trinity descobre que tudo não passou de uma brincadeira para que ‘Jess’, se vingasse dela, afinal ela foi à causadora do término do namoro com Chase.

 

Depois da noite dos horrores, no dia seguinte, Jessica desaparece misteriosamente e todas as suspeitas incidem sobre Trinity. Nessa hora, suas visões poderiam ajudar, assim Trinity repassa todas as informações de seus sonhos para a polícia. E além da desconfiança dos investigadores a protagonista tem que lidar com Amber, melhor amiga da menina desaparecida, que inicia um confronto e coloca na internet indícios de que Trinity é a culpada pelo desaparecimento de ‘Jess’.



Trinity então, com a ajuda de Chase, tenta resolver esse mistério, achar ‘Jess’ e descobrir mais sobre o seu passado e a verdade sobre o que aconteceu com os pais dela. Tudo acaba sendo revelado e mesmo os pais de Trinity não estando vivos, a história deles é importante  para entender muitos acontecimentos.



Quanto ao lado romanesco desse ‘pseudo romance’: Chase é um jovem sem sal que deseja estar ao lado de Trinity e se empenha em ajuda-la com as novas descobertas sobre seu passado e seus sonhos. Mais ao final do livro surge Dylan, que sabe muita coisa e não diz nada, mas permanece ao seu lado dando apoio e  protegendo. E, de alguma forma, Trinity consegue ver exatamente onde Jessica se encontra, cabendo aos rapazes ajudá-la a desvendar essa situação.



Há algo estranho nesse tipo de literatura, o roteiro é sempre igual: um jovem lindo e uma jovem maravilhosa, mas pedante e a chegada de uma terceira personagem bonita, tímida e que sofre com as maldades que as meninas costumam fazer. Se digladiam na briga entre protagonista X antagonista. Parece Déjà vu. Os meninos persistem em ser pretexto para brigas entre as meninas. Olha, cansei! Nesse contexto, não dá mais, é imprescindível algo que supere o previsível. Tem que ser um trio como em Crepúsculo.



Ellie James, não é marinheira de primeira viagem, é jornalista e tem outras obras publicadas, mas isso não bastou para Sonhos Despedaçados. A autora perdeu o foco inteiramente na trama. A leitura é sofrível e arrastada, ratifico o termo ‘con-fu-sa’. Foi muito difícil terminar o livro, como escrevi no primeiro parágrafo, e o final... fraquíssimo, ridículo que não consegue ser a salvação.



Questiono como uma editora vai ao exterior em busca desse tipo de literatura. Como será sair de um país tão rico, tão criativo para comprar e lançar um livro tão fraco. Será que nós brasileiros não conseguimos fazer tramas mais interessantes, será que realmente foi válida a publicação desse livro? Misericórdia! Não consigo imaginar um Brasil de Machado de Assis, de Jorge Amado, de Erico Veríssimo, se rendendo a esse tipo de literatura.


Fica a dica. #autoresnacionaissim.

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