[RESENHA] "A Namorada do Meu Amigo", de Graciela Mayrink, por Stef Rhoden


Sinopse: Quando voltou das férias de verão, Cadu não imaginava a confusão em que a sua vida se transformaria. Era para ser um ano normal, mas ele entrou em uma enrascada e está correndo o risco de perder a amizade do cara mais legal do mundo. O que fazer quando a namorada do seu amigo vira uma obsessão para você?
Os churrascos da turma da faculdade talvez ajudem a esquecer Juliana, e, se depender do esforço do divertido Caveira, não faltarão garotas gente boa para preencher o coração de Cadu.
Mas não adianta forçar... Quem consegue mandar no coração? Alice, a irmã de Beto, é só mais uma das dores de cabeça que Cadu tem que enfrentar. A vida inventa cada cilada!


Trecho: "Beto, ele e eu éramos tão unidos que todos no bairro nos chamavam de Os Três Mosqueteiros. Onde um estava, o outro estava. E era sempre um por todos e todos por um, mas a chata da Juju vivia atrás da gente falando que era o D'Artagnan. Onde já se viu, D'Artagnan mulher?"

Ficha Técnica 
Título: A Namorada do Meu Amigo 
Autora: Graciela Mayrink
Ed. Novas Páginas | 2014 | Brochura | 334 páginas | Adquira seu livro, aqui.



Resenha: Bem, pela sinopse dá para perceber que se trata de um triângulo amoroso entre o protagonista Cadu, o melhor amigo Beto e a namorada do melhor amigo, Juliana, frequentemente chamada de Juju. Acho que é um dos temas mais comuns dos romances hoje em dia, afinal, quem nunca viveu, em especial na adolescência, o drama de se apaixonar ou se encantar pelo namorado da amiga ou o cara que a amiga gosta?   

"A namorada do meu amigo" não é uma história muito diferente de tantas outras que nós vemos, ouvimos ou vivemos. É um romance bonitinho, com uma linguagem bem doce e sem ousadia (sem ousadia nenhuma!), voltada para adolescentes. Tem várias referências ao romance "Os Três Mosqueteiros", de Alexandre Dumas, o que é bem legal. Gosto quando o personagem é fã de um clássico e várias referências a esse clássico aparecem na história. 

Mas o livro me desagradou em alguns momentos. A começar pela frase da capa:

"Você trocaria seu amigo pelo amor da sua vida"? 
É sério isso, produção?"O amor da sua vida"? O que um cara de 20 anos que só teve uma - UMA - namorada na vida e uma garota de 17 que está no seu primeiro relacionamento, sabem sobre "o amor das nossas vidas"?

Claro, eles estão apaixonados e as coisas são bastante intensas nessa idade, mas... Quando eu peguei a capa e li a frase, imaginei personagens adultos, embora os modelos da capa sejam claramente jovens. Fiquei meio perdida, mas quando li a sinopse, já respirei fundo. Sabia que eu não seria exatamente o público-alvo do livro e que precisaria ser imparcial na leitura. Espero fazer justiça aqui. 

"- Você tem que ver como a Juliana voltou mudada. - Beto era só empolgação, e a felicidade estava ali, estampada em seu rosto. Fiquei contente pelo meu amigo. 

Ele olhou na direção da irmã e da garota de costas e a chamou. Fiquei observado, na expectativa de finalmente ver a Juju. Foi como se tudo estivesse acontecendo em câmera lenta, e até hoje me lembro da sensação estranha que tive naquele momento. Foi algo inexplicável, nunca tinha acontecido antes; sempre fui um cara racional, e esse lance de sentir atração imediata nunca funcionou comigo. Pelo menos até aquele momento". 

Outro ponto: como citei anteriormente, a linguagem muito doce me fez desacreditar no protagonista, o narrador, várias e várias vezes. Não acho que um garoto precise falar palavrões o tempo todo para ser convincente, há garotos bem-educados e bastante respeitadores. Eu mesma já conheci vários e entendo que este seja o perfil do Cadu! Mas não estou apenas falando da ausência de gírias e palavrões, falo do vocabulário usado e do comportamento, da postura dele em algumas cenas. Eu sempre bato na mesma tecla: mulheres descrevendo homens precisam ter cuidado. Em vários momentos vi Cadu como uma mulher e uma mulher mais velha! Nem mesmo Beto, que é descrito como um cara de mais "atitude", digamos assim, tem ousadia. Nem o "bocudo" do Caveira, o personagem mais divertido do livro. Aliás, toda história precisa de um "Caveira" para garantir as risadas... Adorei o Caveira! 

Cadu é o cara legal. O príncipe. É sensível, dedicado à faculdade, responsável, calado, determinado... Tem lá seus defeitos, mas, afinal, é um cara. Mas um cara machista. Bastante machista. É um cara que separa mulheres, segundo ele, em "garotas de uma noite apenas" e "garotas pra namorar", algo que ele repete algumas vezes na história. Devo dizer que achei bastante sexistas os trechos em que aparece Rosângela, uma garota com quem Cadu ficou, mas é sempre vista como "fácil", enquanto Beto e Caveira - e até mesmo o próprio Cadu em determinado ponto - passam o rodo na mulherada e a coisa é "normal". 

Aliás, vamos falar sobre o Beto: não entendi exatamente o porquê do Cadu ser amigo dele! Beto é um BABACA! Com todas as letras maiúsculas! Um cara destemperado, chato, vingativo, infantil... Eu consigo entender que ele é o irmão mais velho de duas garotas lindas, vindo de uma família tradicional do interior de Minas. Mas daí a reagir daquela forma com o MELHOR AMIGO? Ele, mais do que ninguém, deveria conhecer a índole do Cadu! E não consigo entender o comportamento dele no final do livro. Além disso, não tem problema nenhum em Beto ser um galinha, mas ele é um grosso e trata mal as garotas com quem fica, além de ser ainda mais machista que Cadu. Sério, odiei o Beto. Não tive nenhuma empatia por ele e não entendo mesmo como Cadu, um cara legal, poderia ser amigo de um ogro como o Beto. E muito menos o porquê da Juliana ter gostado dele também. 

Aliás, Juliana é uma garota bastante comum. Não vi nada de extraordinário nela para despertar tanto interesse. Ela é doce, delicada e linda. Só. Na verdade, ela é bastante sem sal... 

A melhor personagem do livro é, de longe, Alice, irmã caçula do Beto. Alice é descrita como a garota mais bonita da cidade, e foge totalmente do clichê da garota bonita: Alice é determinada, madura, pé no chão. Sabe onde quer chegar e faz as coisas acontecerem e com muita autenticidade e honestidade. Gostei da Alice logo de cara e acho que ELA deveria ser a protagonista da história. Ou pelo menos ela mereceria um livro só dela. Quero iniciar aqui uma campanha pró-Alice! Quero saber mais sobre Alice! 

Também quero fazer um elogio sobre a forma como Cadu conduziu toda a sua situação. Achei bastante humana a forma como ele lida com essa história, principalmente quando ele se desembesta de vez, perdido. Faz a gente lembrar que ele é só um garoto...  

Resumindo, é um livro romântico para adolescentes. A linguagem é bem simples, o enredo é fofinho, sem grandes surpresas, afinal, não há muitas coisas novas para contar em um triângulo amoroso. A prosa é fluida, não há palavrões e nem frases grosseiras, mas também não há como acreditar que todos aqueles diálogos sairiam da boca de garotos de 20 anos. Seria um livro que eu daria para meus filhos lerem, embora fosse deixar muito claro que assim que estivessem na faculdade, arranjariam um emprego imediatamente... Sério!

Stef Rhoden está seriamente pensando na forma protetora como o brasileiro cria seus filhos... 

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