[RESENHA] "As Estranhas e Belas Mágoas de Ava Lavander" de Leslye Walton | Por Eleni Rosa




Sinopse: Gerações da família Roux aprenderam essa lição da maneira mais difícil. Os amores tolos parecem, de fato, ser transmitidos por herança aos membros da família, o que determina um destino ameaçador para os descendentes mais jovens: os gêmeos Ava e Henry Lavender. Henry passou boa parte de sua mocidade sem falar, enquanto Ava que em todos os outros aspectos parece ser uma jovem normal nasceu com asas de pássaro. Tentando compreender sua constituição tão peculiar e, ao mesmo tempo, desejando ardentemente se adaptar aos seus pares, a jovem Ava, aos 16 anos, decide revolver o passado de sua família e se aventura em um mundo muito maior, despreparada para o que ela iria descobrir e ingênua diante dos motivos distorcidos das demais pessoas. Pessoas como Nathaniel Sorrows, que confunde Ava com um anjo e cuja obsessão por ela cresce mais e mais até a noite da celebração do solstício de verão. Nessa noite, os céus se abrem, a chuva e as penas enchem o ar, enquanto a jornada de Ava e a saga de sua família caminham para um desenlace sombrio e emocionante. 
Título: "As Estranhas e Belas Mágoas de Ava Lavander" | Editora: Novo Conceito| Ano: 2015 | Adquira um exemplar, aqui. |Leia um trecho do livro, aqui.


Por Eleni Rosa

Um livro mágico, sensível, belo e trágico ao mesmo tempo. A leitura não é fácil, no início há certa vontade de desistir. É um pouco moroso até o leitor mergulhar na sensibilidade da autora e em seu realismo fantástico, em compensação, após o atribulado início tudo fica primoroso.



A autora Leslye Walton consegue exprimir em seu primeiro livro as marcas que os enamorados podem carregar, as oportunidades não vistas por aqueles que se apaixonam e a ilusão acarretada pela paixão. Ela faz um amálgama maravilhoso entre fantasia e realidade onde o preconceito é o pano de fundo, onde a discriminação e o diferente se impõem e gera o desconforto, mas que também seus ‘diferentes’ conseguem se exceder, claro, que nunca sem se despedaçar ou se machucar, porém demonstrando a  força da superação. 



Eu, particularmente, adoro a literatura que mescla realidade e fantasia, vide minhas últimas resenhas (O Lado Mais Sombrio e Atrás do Espelho). Este livro ‘As Estranhas e Belas Mágoas de Ava Lavander’, também pode ser comparado a uma deliciosa fábula (assim, faço alusão ao Livro – O Presente).  É tudo muito surreal.



A história é da menina Ava Lavender... Ava não é uma menina como todas as outras, ela é especial: possui um par de asas. Seu nascimento resultou em um evento para a imprensa, onde foi noticiado o nascimento de um lindo ‘anjo’. 



A narrativa do livro é feita em primeira pessoa, a partir do olhar sensível de Ava, e torna-se muito densa, com riqueza de detalhes, em cada palavra sentimentalmente impressa em suas páginas, colocando o leitor, já imerso na história, empaticamente no lugar de cada personagem.



Ava sempre questionou o motivo de ter asas, de ser tão diferente e, na tentativa de encontrar respostas, decide revisitar a biografia de sua família, antes de seu nascimento.  Nessa busca, o início do livro nos leva a história de sua avó, Emilienne, seus tios-avós (irmãos de Emilienne - René, Margaux e Pierette), que morreram tragicamente antes de Ava nascer, e a história de amor linda e cruel de sua mãe Viviane.



Primeiro ato, vou chamá-lo assim, trágico. Tudo tem início quando os avós da Ava, Beauregard e Maman Roux resolvem sair do paraíso que era seu vilarejo na França, com seus quatro filhos pequenos, e partir rumo ao sonho americano, rumo ao desconhecido. Possivelmente, foram arrebatados pelo grande sonho de progresso, grandiosidade e de futuro promissor vendido pelas propagandas norte americanas. Em solo estadunidense, viram que a realidade era diferente, e a ‘via crucis’ da família se inicia. 



Partindo para o segundo ato do drama é possível pensar que depois de tantas amarguras e sofrimentos Emilienne, avó de Ava, já casada e grávida de Viviane, teria uma vida mais dócil, mas infelizmente não é isso que acontece.  Anos mais tarde, viúva e com uma filha para criar, ela mantém, com muito sacrifício, a padaria da família, a única possibilidade de sobrevivência que lhe restara.



O terceiro grande ato compreende a história de amor e preconceito de Viviane, mãe de Ava. E o quarto e último ato, mais denso, visceral e com a finalidade de quebrar paradigmas, é a história da menina de asas, Ava: sua criação, infância, amigos, juventude, amores, temores, descobertas boas e más. Tendo como coadjuvante seu irmão gêmeo Henry, calado e esquisito, mas fundamental.



É um livro tão lírico e lindo que penso que poderia virar filme. Afinal temos várias filmografias de realismo fantástico, e com um pé na fábula: ‘Chocolate’, estrelado por Johnny Depp e Juliette Binoche, ‘Labirinto do Fauno’, do mexicano Guilhermo Del Toro e ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’ – com Brad Pitt e Cate Blanchett.



Não fui detalhista na minha resenha, fiz um apanhado, por quê? Porque ele é para ser lido no todo e não para quem gosta de ser superficial e se contenta com resumos. É um livro cheio de personagens fabulosos, bons e maus, que tem uma forte crítica à sociedade. Um livro tocante, que no final eu era só lágrimas. Sim, é para ler. Sim...eu recomendo. Sim, para uma leitura juvenil fantástica.

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