[CINEAIL - Especial OSCAR 2015 ] "O Jogo da Imitação", de Morten Tyldun por Kal J Moon

Sinopse: Baseado na história real do lendário criptoanalista inglês Alan Turing, considerado o pai da computação moderna, e narra a tensa corrida contra o tempo de Turing e sua brilhante equipe no projeto Ultra para decifrar os códigos de guerra nazistas e contribuir para o final do conflito. 

Elenco: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Charles Dance, Matthew Goode, Mark Strong
Direção: Morten Tyldon
Roteiro: Graham Moore
>>> Indicado a 8 Oscars, incluindo Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz Coadjuvante e Roteiro Adaptado.
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Ao contrário do que muitos imaginam, é terrivelmente difícil criticar um filme ruim.
Nenhum ator que se preze espera sair de casa para estrelar uma verdadeira bomba. Nenhum diretor, por pior que seja, deseja comandar algo que será chamado de lixo.

E nenhum roteirista acha que está escrevendo algo que será mal produzido.
E aí vem as tais indicações a prêmios diversos, com vital importância ao cobiçado Oscar.
E aquele filme, que já criou alguma expectativa ao longo do ano anterior, está entre os favoritos. Produtores, diretores, roteiristas e elenco comemoram pois aquele projeto incerto tem aprovação da crítica especializada.

Mas e se os críticos estiverem errados?
Jogo? Mas que jogo?

A grande maioria das resenhas a respeito do filme "O Jogo da Imitação" - estrelado por Benedict Cumberbatch ("Além da Escuridão - Star Trek", trilogia "O Hobbit") e dirigido pelo norueguês Morten Tyldon - elogia sem rodeios a direção de atores, com destaque à frieza do protagonista.


Há também muitas loas à delicadeza do roteiro em tratar um tema tão intocado como homossexualidade durante a Segunda Guerra Mundial de forma tão precisa quanto se é necessário.
Mas ao assistir "O Jogo da Imitação", o espectador é apresentado aos temas propostos de forma bem superficial e até um tanto previsível demais para algo que deveria ser considerado ousado.

Desde o primeiro momento em cena, o espectador tem certeza de tratar-se de um homossexual em cena. O fato deste homossexual também ser um gênio é algo explicitado no roteiro como se quisesse recriar a fórmula de que a Academia leva em consideração atores que fazem papéis de mentalmente insanos se os personagens tiverem alguma habilidade especial. A homossexualidade parece ter sido colocada em voga para substituir esse paradigma.

Mas a forma como o roteiro superficial de Graham Moore nem tenta se aprofundar nas questões que levam o personagem a sentir-se "diferente" numa época tão conservadora. Ele é o que é e pronto.
Cumberbatch já havia entregue diversos personagens parecidos, com a mesma gana por conhecimento e a mesma sagacidade, que só soa como mais do mesmo.


Cercado por um elenco repleto de incompetentes como a insossa Keira Knightley - que estranhamente foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel mas foi completamente esnobada em "Mesmo Se Nada Der Certo", onde estava bem de verdade -, vale destacar as inspiradas atuações de Charles Dance (do seriado "Game of Thrones"), Matthew Goode (o vilão de "Watchmen") e um surpreendente Mark Strong ("Kick-Ass").

Se o roteiro e a direção focassem em explorar de forma honesta o tema homossexualidade ao invés de usá-lo como pretexto para mostrar essa faceta do homem que criou o protótipo do que veio a ser o computador como o conhecemos, teríamos um filme digno de grandes discussões, até mesmo digno do Oscar. E não um mero jogo.

Kal J. Moon gosta de um bom debate. Ele sempre tem um quando encontra pessoas inteligentes...

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