[RESENHA] "A Máquina de Contar Histórias", de Maurício Gomyde

Sinopse: Na noite em que o escritor bestseller Vinícius Becker lançou 'A Máquina de Contar Histórias', o novo romance e livro mais aguardado do ano, sua esposa Viviana faleceu sozinha num quarto de hospital. Odiado em casa por tantas ausências para cuidar da carreira literária, ele vê o chão se abrir sob seus pés. Sem o grande amor da sua vida, sem o carinho das filhas, sem amigos... O lugar pelo qual ele tanto lutou revela-se aquele em que nunca desejou estar. Vinícius teve o mundo nas mãos, e agora, sozinho, precisa se reinventar para reconquistar o amor das filhas e seu espaço no coração da família V.
Título: A Máquina de Contar Histórias Autor: Maurício Gomyde Ed. Novo Conceito | Selo Novas Páginas | 194 pags. | 2014 Clique AQUI para comprar

"- Verdade. Hoje em dia as pessoas fecham e abrem livros com um clique. Eu mesma, se o livro não me interessar logo de cara, mudo para outro. - Essa geração de vocês é fogo! (...) Precisamos ser bons o suficiente para, na primeira página, o leitor já desistir de partir para outro livro."(Diálogo entre os personagens Valentina e Vinícius Becker)

Uma família abastada enfrenta as consequências do luto referente à trágica perda de sua matriarca resolve sair em viagem para restabelecer os laços familiares e se descobrirem mais unidos do que nunca.

O que poderia, tranquilamente, ser a sinopse de uma enfadonha e arrastada novela das seis - ou de um novo filme brasileiro cheio de atores globais - acaba se revelando na mais recente obra do autor Maurício Gomyde, "A Máquina de Contar Histórias".

Apesar de estarmos num novo século e realmente não termos a real necessidade de um novo clássico da literatura brasileira, é de assustar que a qualidade das obras atuais seja tão baixa a ponto de duvidarmos se o livro em questão dê lucro real à editora e qual o critério. de seleção escolhido para publicação.

O texto de Gomyde, repleto de construções equivocadas, personagens superficiais e soluções óbvias, remete ao esforço de um autor iniciante, ávido por mostrar que domina a técnica mas que passa longe da emoção por conta justamente da superficialidade das situações apresentadas.
Vemos a cena e a mesma não nos toca ou apetece...

Como em todo folhetim, também temos uma troca de cartas com um autor misterioso que pode revelar informações importantes para que a trama tome novo rumo. Só que a forma com que esse fato é apresentado é tão óbvio que nem precisa ser um ávido leitor de suspense para descobrir quem está por trás da manipulação exposta ao leitor. Até quando a atual literatura brasileira se utilizará de clichês tão desgastados somente com o intuito de conseguir um lugar ao sol?

Isso sem falar no ciclo repetitivo, a cada capítulo, da briga entre Valentina e seu pai Vinicius, ela acusando-o e ele se defendendo, apenas mudando algumas palavras ou cenário - e às vezes, nem isso...

O mais estranho, porém, é ver os personagens escritores em cena dando verdadeiras aulas de como se escreve e o autor fazendo justamente o contrário!

Não, esse livro não nasceu para ser um clássico, é verdade. Mas um pouquinho de esmero e cumprir o papel de entretenimento já seria suficiente.

Se o leitor não se sentir atraído por esta história ao ler as primeiras páginas, não deve se sentir culpado.

Kal J. Moon ficou imaginando como seria a trama se a Família V fosse pobre... 


Sobre o autor
  Maurício Gomyde nasceu em São Paulo e mora em Brasília. 

Tem quatro livros lançados de forma independente. "A Máquina de Contar Histórias" é o primeiro pelo selo Novas Páginas. 

Clique AQUI para visitar seu site oficial.

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