[RESENHA] Cássia Eller – o Musical


Minha admiração por Cássia Eller ficou mais densa, mais arrebatadora após assistir ao seu Clipe com Edson Cordeiro cantando Satisfaction, dos Rolling Stones, no Fantástico, em 1993.  Sua voz ímpar, grave, poderosa, sua vitalidade sem igual, sua habilidade de transitar pelo samba, forró, country, blues, reggae e rock and roll , só a faria ascender.
Cássia me fez comprar CDs e DVDs. Suas músicas eram interpretadas com a alma. Ela evocava os deuses do som e, com certeza, fazia ecoar sua voz pelos 4 cantos da Terra. Uma superartista, ou mais uma superartista que meteoricamente aos 39 anos nos deixava. Em 29 de Dezembro de 2001, Cássia Eller morreu...infarto, drogas, não sei, mas sua passagem foi igual a um meteoro, rápida, completamente estelar. Uma grande perda para a música brasileira. Mais uma vez a MPB ficava de luto.
Quando vi a chamada para o musical na mídia, fiquei louca para assistir, afinal o espetáculo estreou com ingressos baratos e es-go-ta-dos, mas logo depois li a crítica de um jornal que me deixaria desanimada. A pessoa parecia ter saído de um curso intensivo com Bárbara Heliodora (a rígida e famosa crítica de teatro brasileiro, hoje aposentada). Simplesmente a análise acabava com a peça.
Mas, como sou muito insistente, não resisti e ainda no início do mês de junho já estava sentadinha em uma das inúmeras fileiras do Teatro I, do CCBB para prestigiar o musical.
O diretor, João Fonseca, o mesmo que conduziu impecavelmente Tim Maia e Cazuza, ambos sucessos de público, traz para o musical Tacy de Campos, uma curitibana escolhida entre mil candidatas para viver no palco Cássia Eller. 
Tudo muito contido, diminuído... cenários e músicos. Tacy, divide o palco com Eliane Porto, Emerson Espímola, Evelyn Castro, Jana Figarella, Mario Hermeto e Thainá Gallo. Os atores se revezam em vários papéis durante a montagem – mãe de Cássia, pai, Eugênia, Nando Reis.
Tacy impressiona, tudo nela lembra a cantora; voz, gestual, o jeito de tocar o violão. A primeira cena começa com “Do Lado Avesso” onde a cantora/atriz aparece de costas e apenas se volta para a platéia quando começa a cantar “Lanterna dos Afogados” e, com os seios expostos, encara o público e vive Eller na veia.
 A protagonista brilha nas interpretações de canções como “Por Enquanto” (Renato Russo), “Malandragem” (Cazuza),”Com Você Meu Mundo Ficaria Completo” (Nando Reis), sem falar das interpretações da cantora francesa Édith Piaf.
O roteiro tenta pontuar os principais fatos pessoais e musicais da carreira de Cássia Eller: sexualidade, paixão, drogas, momentos no Rio de Janeiro e em Brasília, teatro e sua ascensão musical. A peça se distancia de um espetáculo teatral musical e deixa a impressão da necessidade de focar só nas extravagâncias sexuais, para a montagem ‘clichê’ da vida de um astro – no estilo ‘vou mostrar o que o povo quer ver’, o que dá ibope.
O cenário deixa a desejar, muito simples, cadeiras e muitos plásticos pretos envolvem banda e atores. O trabalho de figurinista fica a cargo de Marília Carneiro e Lydia Quintaes. A iluminação é de André Crespo é 10! Dá um up ao palco, em relação ao cenário tão pobre.
Tacy Campos deixa bem claro seus limites como atriz, mas sua voz explode com o timbre muito parecido ao que Cássia Eller possuía. Assim, a plateia delira em um verdadeiro saudosismo e eu repito: Eu tive o prazer de estar em um show de Cássia Eller, em pleno 2014.
Fascinante! Recomendadíssimo, no aspecto ‘cover’. Mas, como deixei para escrever tudo no segundo tempo da prorrogação (influência da Copa/2014), creio que será muito difícil assistir Cássia Eller – o Musical, no CCBB, afinal a temporada termina final de julho. Mesmo assim fica a dica...onde a peça estrear, pode ir, é satisfação garantida.
Adendo: por se tratar do musical de uma cantora que só despertava emoções e que deixou muita saudade por ter a vida interrompida tão precocemente, o triste é que em inúmeros momentos do espetáculo não é possível ouvir Tacy Campos cantando ou as interpretações do corpo de atores... há um coral permanente que não cessa a voz, não se cansa e não obedece ao pedido de silêncio e os ‘psius’ dos incomodados com o coro. Lamentável para quem assiste, mas acho que de bom tom para quem está no palco.

Cássia Eller - o Musical
Quando: Quarta a sexta, às 19h; sábado, às 19h30, e domingo às 19h. 140 min. Até 20/07/2014
Onde: Teatro CCBB RJ (Rua Primeiro de Março, 66 - Centro)
Quanto:
  R$ 10,00 inteira/ R$ 5,00 meia
Classificação etária: 14 anos




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