[RESENHA] "DALÍ" por Eleni Rosa



Meu primeiro grande contato com Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domenech, Salvador Dalí, fora dos livros, ocorreu em março de 1998, há 16 anos. O Rio passava por uma década de grandes mostras – 1995 ‘August Rodin’, escultor francês, desembarcava na Cidade Maravilhosa, direto para Museu Nacional de Belas Arte. Em  1997 o MNBA, apresentou aos cariocas a maior exposição impressionista de sua história ‘Claude Monet’ .  1998,  ‘Fernando Botero’ e ‘O Monumental Dalí’ marcaram presença na cidade dos bambas, da malandragem, do samba, das mulheres bonitas, da praia, do sol e, claro, da arte.


Infelizmente, ainda não fui à Espanha, a terra natal de Dalí, mas em 2012 pude, mais uma vez, encontrar o Surrealista no Rio de Janeiro, dessa vez no Centro Cultural da Caixa Econômica. Apreciei as gravuras da exposição “Dalí: A Divina Comédia”. Com 100 gravuras inspiradas na obra do italiano Dante Alighieri – escrita a partir de 1304 até 1321, uma representação mágica do ‘Inferno, Purgatório e Paraíso’. Simplesmente fan-tás-ti-ca.


Dia 30/05/2014, aportando no CCBB à exposição “Salvador Dalí”. Fiz questão de estar presente no primeiro dia de abertura da exposição ao público. No fim da tarde, às 17h30min, já existia uma fila que dava volta no Centro Cultural, mas marquei minha presença. De posse de convites, diga-se - muito bem-vindos, passei direto pelo portão principal. Mas senti falta de algo, nada midiático no salão principal, nem ao redor ou nos corredores. Subindo ao segundo andar tudo continuava muito normal. Assim, começava minha odisseia em desvendar Dalí.  



As obras vieram de três principais instituições que detém o privilégio de guardar suas obras: Fundação Gala – Salvador Dalí, Museu Reina Sofía – Espanha e Museu Salvador Dalí em Saint Petersburg – EUA. São 29 pinturas, 80 desenhos e gravuras, além de documentos, fotografias, livros e filmes no total de 150 peças. Com o custo de R$9 milhões (captados via Lei Rouanet). Apesar da coleção vasta, ela não trouxe as telas mais famosas de Dalí, como “A persistência da memória”, 1931 (a tela emblemática dos relógios que parecem se derreter), mas há outras telas tão importantes quanto...



A exposição é cronológica, início da carreira, meio e o fim da carreira de Salvador Dalí, onde ‘termina’ com sua morte, em 1989. A primeira sala nos apresenta seus quadros na penumbra dando um ar de mistério, um ar soturno a cada quadro. Afinal é a expectativa do não real, do imaginário, do sonho ou do pesadelo.



Será possível o visitante admirar seus traços precisos nas telas “A memória da Mulher- Menina, “O Sentimento da Velocidade”, “Composição Surrealista com Figuras Invisiveis”, “O  Pé de Gala”,  “Autorretrato Cubista”, “Paisaje Pagamo Medio”. Obras produzidas no auge do Movimento Surreal, as influências de Picasso, os devaneios com Gala - sua musa,  com a consciência e o psique freudiano, além do sentimento relacionado a Segunda Guerra Mundial que explode sobre a tela.  


Além das pinturas e desenhos o público poderá surpreender-se com a contribuição ‘daliliana’ para a Sétima Arte. Filmes como “Le Chien Andalou”, 1929 – O Cão Andaluz, “L’Age d’Or”, 1930 – A Idade do Ouro, os dois codirigidos pelo próprio Dalí e Luís Bunel. Do grande mestre do suspense  - “Spellbound”, 1945 – Quando Fala o Coração, de Alfred Hitchcock, onde as cenas dos sonhos do personagem foram desenhadas por Dalí. Infelizmente não tive tempo de assistir aos filmes, porém já conhecia “Le Chien Andalou” - O Cão Andaluz. Mas o artista catalão  ultrapassa o desenho, a pintura, o cinema, instalações e  percorre a literatura com seus desenhos criados para ilustrar livros.


Uma sala me deixou extasiada, fiquei boquiaberta com sua exposição na mídia. Sobre uma parede estão várias capas de revistas transformadas em belíssimos quadros com a imagem de Dalí. No lado oposto são retratos do mestre em várias fases da vida. O artista foi modelo e  destaque de várias matérias para inúmeras edições de revistas do mundo inteiro, imperdível.  


Ao final, retorno ao primeiro andar, lá entro em uma pequena fila para interagir com a réplica da instalação “Mae West Room”, a original está no Museu de Figueiras, cidade de Dalí. “Mae West Room” foi produzida pelo poeta Edward James e Dalí, em 1938. Na sala encontra-se dois quadros de Dalí, lareira, sofá-boca, que representam a obra “I Volto di Mae West” – representação da atriz que dá o nome a obra. No pequeno local o visitante está livre para sentar, colocar a mão, fazer inúmeros ‘selfs’ com muitas caras, bocas e quem sabe... bigodes. E interagir nas redes sociais. 


Ao transitar por cada sala continuei crendo que tudo estava muito correto, certinho, tão diferente do que Dalí demonstrou em sua vida...tudo bem, a liberdade está pintada na tela, a revolução está na pincelada, o traço revolucionário está sobre o papel, mas...


Apesar dos números expressivos, a exposição de Dalí não tem nada de grandiosa. Porém, é impossível deixar de visitar, de estar diante do Surrealismo feito pela própria ‘persona’ do Surreal – Salvador Dalí.

Afinal, quem se atreveria a dizer: “Todas as manhãs, ao levantar-me, experimento um prazer supremo: ser Salvador Dalí.” A perfeição de seus traços fez os críticos se calarem e se curvarem ao grande mestre, esquecendo seu egocentrismo.


Serviço:



Centro Cultural Banco do Brasil

Rua Primeiro de Março, 66

Tel.: 3808-2020

De quarta a segunda-feira das 9h às 21h – Grátis

Até 22 de setembro.

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