[BOOKTOUR] "A Culpa é das Estrelas", de John Green

Sinopse: Hazel é uma paciente terminal. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante - o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos -, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta. E a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que, certo dia, aparece no Grupo de Apoio à Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, "A Culpa é das Estrelas" é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.

Trecho: "Os troféus vieram todos abaixo, um a um, e o Isaac pulava neles e gritava enquanto o Augustus e eu mantínhamos uma certa distância, as testemunhas daquela insanidade. Corpos mutilados de jogadores de basquete de plástico lotaram o chão acarpetado: num canto, uma bola sendo espalmada por uma mão sem corpo; no outro, duas pernas sem tronco no meio de um salto. O Isaac continuou atacando os troféus, pulando neles com os dois pés, gritando, ofegante, suado, até que, por fim, cansou e caiu em cima dos destroços.
O Augustus deu um passo na direção dele e olhou para baixo.
- Está se sentindo melhor? - perguntou.

- Não - murmurou o Isaac, o peito inflando por causa da respiração ofegante.
- Esse é o problema da dor - o Augustus disse, e aí olhou para mim. - Ela precisa ser sentida"


Resenha: É realmente muita responsabilidade escrever uma resenha sobre um livro tão amado e, por que não dizer, tão cultuado como "A Culpa é das Estrelas". Ou "ACedE", como os fãs brasileiros o chamam de forma mais íntima e pessoal.

E tudo isso por "culpa" (heheh) do cativante texto do escritor John Green, responsável por criar tamanho interesse em seus personagens nada caricatos e extremamente incomuns.

Não, não temos perdedores que querem ser aceitos numa escola ou aqueles enfadonhos romances água com açúcar feitos para quem acredita que tudo será muito fácil na vida de quem ama de verdade e consegue superar a todos os obstáculos.

Embora a sinopse oficial não diga absolutamente nada de relevante sobre a história - o que me deixou muito intrigado e me fez acreditar que seria "mais um" livro com personagens patéticos e completamente fora da realidade -, seguimos a trajetória de Hazel, uma moça de 17 anos de idade, portadora de um tipo de câncer. Sua mãe se esforça bastante para que ela saia de casa e se enturme com moças e rapazes de sua idade mas Hazel prefere gastar seu tempo relendo o livro "Uma Aflição Imperial" (escrito por Peter Van Houten, seu favorito - fazendo uma analogia óbvia, seria o equivalente a "O Apanhador de Centeio" neste "universo", uma vez que o autor também é recluso, mas aqui é pior pois o livro não tem final, terminando no meio de uma frase!) ou assistindo a um reality show sobre top models na TV. Após muita insistência, Hazel resolve obedecer à mãe e ir ao encontro do Grupo de Apoio à Crianças com Câncer, realizado no porão de uma igreja, onde crianças e jovens na mesma condição - ou até mesmo em condições piores - compartilham de suas experiências com a doença, seus esforços e batalhas pessoais para superá-la, dentre outras coisas.

Como eu e vocês, #impressionautas, a protagonista também acha tudo isso muito enfadonho. Sentimento que ela compartilha com Isaac, que corre sério risco de perder o segundo olho bom por conta dos efeitos da doença e usa um enorme óculos, com lentes grossas, fazendo-o parecer um ciclope... Porém, certo dia, aparece um rapaz muito bonito e a encara com estranho interesse. É Augustus Waters. Embora de corpo um tanto atlético, descobrimos que ele também foi portador da doença mas agora está "numa montanha-russa que segue somente para cima".

Conversa vai, conversa vem, uma sincera amizade nasce daí. Não é todo dia, meninas, que alguém que não as conhece, compara-as à Natalie Portman no filme "V de Vingança"... Porém, Hazel sabe que é exagero, uma vez que seu cabelo não é bonito, suas roupas são consideradas estranhas e ela tem de carregar um razoavelmente pesado tubo de oxigênio e desfilar por aí com uma cânula posicionada entre as narinas não está na moda, não é mesmo?

E, inesperadamente, por conta de alguns acontecimentos interessantíssimos, o amor surge. Primeiro, do lado mais improvável. Depois, através da correspondência de sentimentos. Entretanto, como toda história de amor que se preze, nada ficará firme após isso acontecer.

Eu poderia ficar aqui destilando horas de seu tempo falando a respeito de como este texto me emocionou, como tal personagem é legal, como o livro tem um senso de humor estranho para um tema tão pesado - e tem mesmo pois rolei de rir EM ALTO E BOM SOM com algumas passagens - mas acho que seria muito injusto de minha parte dizer qualquer palavra que prive o futuro leitor do prazer de desfrutar cada momento ao lado de Hazel, Augustus e Isaac.

Anote o que estou dizendo: quando a leitura chegar ao fim, vocês sentirão muita falta deles da mesma forma como sentem de amigos queridos ou parentes mais chegados...

Porém, tenho de dizer que meu personagem favorito não é nenhum dos protagonistas. Simpatizei muito com Isaac. Este tremendo azarado é o motivo real para que eu chegasse ao final da história. Eu fui, literalmente, apunhalado por seu destino na história e me identifiquei no ato com o que acontece a ele, uma metáfora sobre quem entrega seu coração a alguém que não preza o verdadeiro sacrifício de estar junto... "Sempre"!

E desafio qualquer um a não chorar a dois capítulos do final. Não tem como não fazer isso...

Personagens cativantes. É isso que faz de "ACedE" um livro tão especial para tantas pessoas. E só de conseguir levar tantos jovens em direção à literatura, já exerce uma grande função neste universo. Afinal, alguns infinitos são maiores que os outros. Exatamente como na vida real...

Kal J. Moon tem o mau humor de Peter Van Houten quando acorda. Mas isso não é novidade para ninguém...

** Esta resenha faz parte do booktour organizado pelo blog Conversa Cult com apoio da Editora Intrínseca, a quem agradecemos imensamente a oportunidade concedida.




John Green, escritor
Sobre o autor
John Green
é um dos escritores norte-americanos mais queridos pelo público jovem e igualmente festejado pela crítica. Com mais de um milhão de seguidores no twitter, é autor best-seller do The New York Times, premiado com a Printz Medal e o Printz Honor da American Library Association e com o Edgar Award, e foi duas vezes finalista do prêmio literário do LA Times. Com o irmão, Hank, mantém o canal do YouTubeVlogbrothers”, um dos projetos de vídeo on-line mais populares do mundo. Mora com a mulher e o filho em Indianápolis, Indiana.

Ficha Técnica
Título: "A Culpa é das Estrelas"
Autor: John Green
Ed. Intrínseca | 290 páginas | Ficção americana

Site oficial

Veja aqui um video com o autor falando sobre o livro

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8 comentários :

  1. mais um livro que vai para a minha "pilha de espera" kkkkk.

    parabéns pela resenha.

    bjins

    Mac Batista

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    Respostas
    1. A única parte "ruim" disso é que nem posso emprestar pois não o possuo... Gostaria muito de saber sua opinião sobre esses personagens ultra-cativantes... (KJM)

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  2. Céus, eu AMEI esse livro. Li ele por acaso, ao ver que ele tinha sido nominado para o prêmio do Goodreads, mas que ainda estava em votação.
    E achei ele incrível!
    Tal como você, também ri horrores com algumas passagens - e chorei em algumas. É um livro emocionante, e que faz, sim, a pessoa pensar, mesmo q eu não queira. Gostei demais, mas não tenho coragem de ler outros livros do autor, pois pelo que li das sinopses, são ainda mais tristes (e, por resenhas, não são tão cômicos como ACedE).

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  3. [SPOILER ALERT]

    Então, Izandra... Confesso que chorei quando "aquele" personagem "sai de cena... Sinceramente, achei que o destino dele não seria aquele mas o autor foi muito coerente ao não fazer nada como num filme de Hollywood mas sim como na vida real.

    E esse é seu recurso literário mais espantoso: é tudo incrivelmente real em seu texto e acredito que isso levou tantas pessoas a admirá-lo... Agradeço a visita e volte sempre, ok? (KJM)

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  4. Oi adorei.. muito obrigado, me fez se interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da buqui livros e de uma conferida..à capa é linda traz o universo de fundo..abraços.
    www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html

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  5. Kaj o livro é realmente espetacular. O final, confesso que não era o que eu esperava lá no fundinho do coração, porque a gente sempre quer que o casal fique junto e tal, eu meio que tinha esperanças de uma melhora, um milagre, sei lá...rs...mas se fosse assim, acho que não causaria todo esse frisson que causou em quem o leu. Tô na expectativa de ver o filme (ainda não consegui ver), e espero que seja como: A Menina Que Roubava Livros, que sinceramente, de todas essas adaptações, foi a melhor que eu vi. Quem não leu o livro, assista o filme, porque segue totalmente a risca. Simplesmente sensacional.
    Voltando ao: A Culpa É das Estrelas, quem não leu, leia, de preferência antes de ler o livro.

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  6. Kaj o livro é simplesmente lindo! Chorei horrores...kkkk....E confesso, que lá no fundinho da alma eu tinha esperanças de que o final fosse mais feliz, com o casal junto e tal, tinha esperanças de um milagre ou sei lá. Mas acho que se fosse dessa forma não causaria todo esse frisson que cousou em quem o leu, e não serviria pra mostrar que as coisas nem sempre acontecem do jeito que a gente quer, às vezes o final não é tão feliz, mas a história vale muito à pena.
    Espero que o filme seja tão sensacional quanto o livro. Espero que seja tão bom quanto foi: A Menina que Roubava Livros, onde a adaptação seguiu completamente a risca. Kaj, você viu esse ou leu? O que achou?? BJs

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    Respostas
    1. Não, Shan... Eu só li o livro A Culpa é das Estrelas... Ainda não assisti o filme. Mas como todo mundo tá falando bem, devo assistir na próxima semana... Valeu pela visita! Volte sempre! (KJM)

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