[GIBI REVIEW] "Imagine (Zumbis) na Copa", de Felipe Castilho & Tainan Rocha

Sinopse: A Copa do Mundo chega à sua Grande Final. E é justamente durante este jogo decisivo que o fim da humanidade pode ter se iniciado. Por trás das câmeras e sobre o gramado, três pessoas enfrentam suas próprias batalhas, antes de perceberem que o maior pesadelo de uma nação pode não ser uma derrota em casa...e que nenhuma tragédia esportiva na história chegou ao nível do que está para acontecer dentro dos portões do Maracanã.

Título: Imagine (Zumbis) na Copa

Autores: Felipe Castilho (roteiro) e Tainan Rocha (arte e cores)
Giz Editorial (Selo GiBiz) | 52 páginas






A relação entre histórias em quadrinhos e futebol no Brasil não é nova. Na década de 1980, já tínhamos, nas bancas de jornais, gibis disputados como "Dico" (uma versão do jogador Zico) e, claro, o popular Pelézinho (versão infantil do assim chamado "Rei do Futebol"). Ainda hoje temos quadrinhos estrelados por Ronaldinho Gaúcho e Neymar. Mas as histórias ficcionais com personagens factíveis em meio ao esporte bretão ainda são raras no país pentacampeão. Existem, eu sei, mas são raras...

E eis que temos o lançamento "Imagine (Zumbis) na Copa", do selo GiBiz, chegando oportunamente em plena Copa do Mundo 2014, contando três narrativas que se convergem. A primeira: um jovem juiz de futebol é subornado para cometer um crime de arbitrariedade durante a partida final da Copa do Mundo. A segunda: um ex-jogador de futebol, que teve a carreira interrompida por conta do vício em drogas, será comentarista durante esta mesma partida e sempre é comparado ao atual super astro da Seleção Brasileira. A terceira: este mesmo super astro da Seleção dá uma escapulida na madrugada anterior ao grande jogo para uma noitada, é mordido por um zumbi e não está sentindo muito bem...


Os ingredientes para um esforçado exercício de criatividade são dispostos de forma gradual. Somos apresentados à criança pobre do Haiti e seus dramas pessoais até que se torne o tal juiz. Com menos impacto, temos o enlace de sua história de admiração pelo antigo astro da Seleção Brasileira com a atual condição pormenorizada daquele que outrora trouxe muitas glórias ao país mas não quer viver mais um dia sequer confrontando passado e presente, mesmo que seja necessário puxar um gatilho para alcançar seu objetivo. A narrativa menos atrativa, talvez propositalmente, seja a do jovem super astro da Seleção. Vivendo um momento plastificado por jogar decentemente, quebra regras ao visitar uma boate e acaba mordido por um Virologista que havia sido infectado pela "doença zumbi".

Apesar de ter achado o plot muito interessante, devo admitir que gostaria de ver a história melhor desenvolvida. Os traços de Tainan Rocha imprimem o tom ideal de pesadelo tupiniquim à trama de Felipe Castilho, com suas segundas leituras e referências futebolísticas, que atrairão aos mais fanáticos dos torcedores.

Mas tudo se encerra muito rápido, como se ao acompanhar essas três distintas narrativas, só deu tempo de concluir apenas uma delas. Mesmo assim, apenas parcialmente. É como se escolhessemos seguir um anti-heroi para deixar todo o restante para trás.

Possivelmente, a produção do álbum teve de ser apressada para chegar ao leitor antes da Copa do Mundo, o que é compreensível do ponto de vista comercial - em texto interno, Castilho comenta que conseguiram entregar o material em "tempo recorde", o que pode explicar minhas suspeitas.

Isso não quer dizer que os leitores devam desprezar a obra, que tem passagens divertidas como a dupla de comentaristas que são uma espécie de amálgama de todos os grandes que já passaram por este pais... Ou mesmo conferir detalhes interessantes em Edgar - que guarda semelhanças físicas com Neymar - ou reparar que o ex-astro Pedreira tem um passado sombrio "muito parecido" com o de Casagrande e tantos outros que já passaram pelos holofotes da fama.

Dica: poderia muito bem ser adaptada para TV como minissérie de poucos episódios, podendo explorar mais dos personagens e daquele "universo".A edição ainda tem uma mini-galeria com imagens produzidas por Octavio Cariello e Anderson Nascimento. Além de um epílogo, que mostra im pouco do aconteceu após a tragédia no Maracanã.

Kal J. Moon quis chutar uma zabulani na fuça do Edgar só pra ele deixar de ser besta...


1 comentários :

  1. Legal essa idéia de 3 estórias se convergindo! Espero que tenha um bom roteiro porque eu li outra hq nacional de zumbi: "São Paulo dos Mortos" e achei muito fraco o roteiro.

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