[RESENHA] "SOCIEDADE DOS MENINOS GÊNIOS" de Lev AC Rosen por Renatinha Santos

Sinopse:Chantagem, mistério, confusões de gênero, coelhos falantes e um assassino autômato: mergulhe na trajetória de Violet Adams, que assume a identidade de seu irmão gêmeo para conseguir uma vaga na mais prestigiada universidade de Londres, que é exclusiva para meninos. Inspirado em clássicos como Noite de reis, de Shakespeare, e A importância de ser honesto, de Oscar Wilde, SOCIEDADE DOS MENINOS GÊNIOS traça um retrato pitoresco e provocativo da aristocracia vitoriana, oferecendo diversão, aventura e uma reflexão bem-humorada sobre a questão do gênero.

A personagem principal é Violet Adams, uma jovem bem a frente de sua geração, filha de um famoso astrônomo, envolta com a ciência, maquinários, e com o dom de inventar, e sonha em cursar a prestigiada escola para jovens cientistas: Illyria. Contudo a escola só aceita homens. Book Trailer clique aqui.

Gostei MUITO, mas muito mesmo, da forma como ROSEN explorou a troca dos irmãos gêmeos. A princípio, lembrei do filme, em que a atriz Amanda Bynes passa-se pelo irmão gêmeo, para entrar em uma faculdade que oferece bolsa de estudo para jogadores de futebol. Em "Sociedade dos Meninos Gênios", Violet também deseja ir para a universidade, mas uma universidade que forma verdadeiros gênios, pois neste universo todos vivem pela e para ciência.

"Violet atirou-se na cama e puxou uma pasta de debaixo do travesseiro. Desarrumou as fitas que a mantinham fechada e tirou de dentro alguns papeis para examiná-los mais uma vez. Eram os documentos do requerimento para freqüentar a faculdade de Illyria, onde, se seu plano fosse bem sucedido, passaria o ano seguinte. No momento, Illyria era a melhor faculdade de ciências do mundo. Enquanto muitas escolas da época exigiam cartas de referencia e extratos bancários, Illirya só admitia alunos mediante a prova de seu gênio cientifico e oferecia-lhe uma educação toda gratuita. Só não admitia mulheres..."

Ashton, o irmão de Violet é um rapaz encantador, que sempre apóia a irmã, sempre a ajuda e tem um coração enorme. Na trama ele vive uma intensa e tórrida história de amor, que nos enche de prazer com a leitura, tamanha delicadeza que o autor teve ao tratar dessa relação. Ele é mais ligado às artes, e vive o lado mais romântico e emocional da vida, sendo o oposto da sua irmã. Através dele é demonstrado como era a vida dos “invertidos” (homossexuais), entretanto é abordado de uma maneira apenas a relatar como viviam e como era sua vida sem chegar a despertar qualquer preconceito.
Os romances que se desenrolam com a historia são deliciosos de acompanhar, e, muitas vezes, causam mais prazer do que as muitas invenções ou, até mesmo, que a trama maligna presente. Toda história precisa direta ou indiretamente de um vilão. Neste romance o vilão é um personagem que, desde o primeiro minuto de narrativa irrita ao leitor. No entanto, o leitor acaba tendo a consciência de que a história não seria tão rica sem a figura do vilão.

O mais interessante em observar na jornada de Violet em Illyria é a auto-descoberta. Ela aprende mais sobre as ciências que tanto gosta e, também, sobre quem é realmente, construindo parte de sua própria personalidade com a experiência que vivencia. Mesmo se passando por homem, ela começa enxergar seu lado delicado de mulher e a paixão que aflora em seu coração, mostra a ela um lado que ela não conhecia. Ela se apaixona por Ernest, o Duque de Illyria. Ernest também se sente atraído por Violet, o que o deixa confuso, pois acredita que ela é homem, mas acaba tentando se convencer que tudo se deve ao fato de estar convivendo com o irmão gêmeo da mulher que ele tanto deseja.

Outro romance que nos conquista é o de Jack, amigo de infância dos gêmeos, que também entra para Illyria e em determinado momento procurando fazer o melhor para sua amada, Cecily, oculta seus sentimentos e se torna o amigo que ela precisa. Já que Cecily, a afilhada e protegida do Duque que mora em Illyria, acaba se apaixonando por Violet, pensando que ela é Ashton
“-Então, agora devo persuadi-la de que sou amigo dela -Jack continuou ignorando-a – Então no final do ano, quando você, revelar seu disfarce, ela vai perceber que eu era o homem certo o tempo todo.”

Confesso que no inicio achei o livro um pouco maçante e, até demorei bastante para avançar na leitura. No entanto, quando a leitura começou a tomar forma, conseguiu prendeu a minha atenção. Pela sinopse e diagramação da capa, o livro pode parecer algo do estilo "Harry Potter", "As Crônicas de Nárnia, Percy Jackson" etc. É impossível deixar o livro de lado cada vez que os personagens se vêem em algum perigo ou alguma aventura, tornando a narrativa fantástica!

“Foi quando Violet passou a examinar a segunda figura que a primeira ganhou vida. Ela engasgou, observando como a cabeça se endireitava acima do pescoço fino caído e firmava os pés grossos e pesados no chão. Cada movimento produzia um guincho metálico. As mãos da coisa, que pareciam três garras simples, revelaram navalhas afiadas como bisturis, sob a camada exterior, quando a coisa as estendeu. As navalhas se projetaram a frente com o som de facas sendo afiadas e, de repente, as mãos eram garras assustadoras que se estendiam na direção do pescoço de Violet.”

"Sociedade dos Meninos Gênios" é o tipo de livro que agrada uma boa parte dos leitores, pois  nele pode-se encontrar um misto de ação, aventura, romance e muito humor. Esse, aliás,  também pode ser percebido nos agradecimentos do autor, que em seu primeiro parágrafo diz: “a esta altura, embora deva estar claro que sou talentoso e bonito...”. Este, até mesmo ao finalizar a história e fazer seus agradecimentos,  mantem o forte teor de sua narrativa.

Portanto, recomendo para quem gosta do gênero.

Por Renatinha Santos

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