[CINEAIL] "Ninfomaníaca - Volume 2" de Lars von Trier



Sinopse: No filme "Ninfomaníaca - Volume 2", Segunda parte das aventuras sexuais de Joe (Charlotte Gainsbourg), uma mulher de 50 anos que decide contar a um homem mais velho (Stellan Skarsgard) sua história pessoal.

Resenha: O filme do polêmico Diretor Lars von Trier, o dinamarquês que, em 2011, em pleno Festival de Cannes, afirmou que se simpatizava com Adolf Hitler. E com a declaração Trier foi banido do Festival e considerado “pernona non grata”. Claro que o cineasta de ‘Melancolia’ e  ‘Dogville’ voltou aos festivais e nos presenteou com Ninfomaníaca I e II.

Ninfomaníaca Parte II traz no elenco Ckarlotte Gainsbourg, Stacy Martin, Stellan Skarsgard, Shia LaBeouf, Jamie Bell, Mia Goth, Wileem Dafoe, Michael Pass, Jean-Mar Ban e Ananya Berg.

Apesar de a película ser única em sua concepção, embora seja dividida em duas partes para apresentação, ainda assim, não consigo enxerga-la como um todo, e sentencio que a Parte II é melhor que a primeira.

Voltando aos primórdios da primeira parte; o filme começa com uma música maravilhosa ao fundo e um cenário sombrio, chuvoso, onde a chuva e a câmera percorrem cada quadro bem devagar até chegar a protagonista Joe (Ckarlotte Gainsbourg), estendida no chão, bem machucada, por fora e por dentro. A partir desse foco não demora surgir Seligmam (Stellan Skarsgard), que a tira da letargia pós violência e lhe oferece abrigo, além da oportunidade de contar sua história.   

A Parte II gera o relato adulto de Joe. Mais denso, mais questionador, mais visceral. Enquanto a primeira parte nos mostra a descoberta sexual de uma adolescente, sua sensualidade e sua vida sedenta por sexo. O segundo vem revolucionar com questões freudianas. 



Continuando a sequencia da história. Joe reencontra sua paixão Jerôme (Shia LaBeouf), sua primeira relação sexual. Eles tentam formar um casal normal, constituir uma família, com direito a filho. 

Porém, com o passar dos anos a protagonista não sente mais prazer e em comum acordo com seu parceiro Jerôme - a sugestão para que Joe busque outros parceiros parte do próprio companheiro – tem início a sua saga incessante pelo gozo, pelo orgasmo e o controle de seu corpo que avança por experiências mais radicais culminando na violência. 

Os enquadramentos são em close, principalmente quando a parte do corpo enquadrada é o falo, o bico dos seios ou a vulva. Somos apresentados ao “ménage à trois” mais hilário do que sexy, sessões sádicas revoltantes, porém compreensíveis, um romance lésbico comportado (sim, quando é possível relembrar a película francesa ‘Azul é a Cor Mais Quente’... Ninfo se deteve a cenas um tanto quanto cândidas).

O diálogo entre Joe e Seligmam continua incomodando. As inserções de Seligmam durante a narrativa, com metáforas, fábulas e explicações beiram a um complemento descabido ou esdrúxulo. 



A linha de vida de Joe se inicia com a adolescente insaciável e orgástica, vai de jovem predadora até chegar à mulher adulta que tenta se enquadrar socialmente, mas que na busca pelo prazer, incorpora a masoquista e posteriormente a sádica. Lars tenta beber da psicanálise quando leva sua personagem a sucumbir na repressão, mas sua essência se rebela, decidindo ser o que é sem deixar-se cúmplice da religião ou da sociedade.

Porque gostei do filme? O segundo filme traz uma discussão de gênero, feminista/machista, mais do ponto de vista feminino. O filme apesar de complexo torna-se atemporal quando investe fundo na condição humana; questiona repressão, o proibido e o politicamente correto. A cobrança de uma sociedade e as fórmulas para fazer o indivíduo se ‘normalizar’, se ‘adequar’ ao meio. Trier coloca as questões ‘além tela’. 

Contrariando alguns críticos não acho que o “the end”, seja insatisfatório, pelo contrário, acho justo. Independente de tudo, a escolha tem que partir de Joe. Mas para chegar a essa conclusão será necessário assistir ao filme e tirar suas próprias conclusões do início, meio e ‘grand finale’



PS. O cinema nos presenteia com vários filmes que nos mostra cenas de sexo: ‘O Último Tango em Paris’ (1972), com Marlon Brando e a famosa cena da manteiga; ‘Nove e Meia Semanas de Amor’ (1986), com Kim Bassinger e Mickey Rourke sensualizando doses de danças, pedras de gelo, vendas e comidas; ‘Instinto Selvagem’ (1992) que transforma Sharom Stone em símbolo sexual da década de noventa a partir de sua cruzada de pernas; ‘Cidade dos Sonhos’ (2002), de Dadid Lynch, com Naomi Watts e seu relacionamento com Laura Harring - a cena de sexo entre as duas rendeu uma indicação ao Oscar; ‘Marcas de Violência’ (2005), com o excelente Viggo Mortensen. Mas nenhum filme tem a intenção de Lars Von Trier. 


Eleni Rosa.

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