[DIVULGAIL] "Escolhendo Livros: Entrevista com Douglas MCT, autor da saga Necrópolis'

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Imagens: Douglas MCT
Rafael Trina, no Escolhendo Livros

Hoje é um dia especial pro Escolhendo Livros! O motivo? Fomos atrás de um autor chegado a uma aventura épica para mostrar que o Brasil também cria as suas próprias fantasias. Este era Douglas MCT, o simpático criador da saga Necrópolis, que nós até já falamos por aqui há alguns posts atrás. Se você se lembra bem e teve a chance de ler a nossa resenha, Douglas é um dos disseminadores da cultura Dark Fantasy pela nossa terrinha e tem muita a dizer sobre o seu trabalho como escritor de ficção nacional. Vem com tudo que a entrevista hoje está imperdível!

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EL: Quando passeava pela Bienal do Livro 2013, tive a chance de encontrar o Necrópolis – A Fronteira das Almas no stand da Editora Gutenberg. Dentre os vários fatores que me fizeram levar o livro para casa, com certeza o termo dark-fantasy foi o que mais chamou a minha atenção. Então nós do Escolhendo Livros gostaríamos de saber: Como você entrou em contato com este gênero literário? Existe algum autor(a) que te influenciou diretamente?
MCT: Eu acho que acabei me atraindo para esse gênero meio sem querer. Descobri os quadrinhos de Hellboy aos 15 anos e descobri, anos depois, que aquilo era dark-fantasy. Com o passar dos anos, outras construções narrativas desse gênero acabaram me conquistando fortemente, como a franquia de games God of War e a série A Torre Negra, de Stephen King, A Trilogia Tormenta, de Leonel Caldela, e a Trilogia Fronteiras do Universo, de Philip Pullman. Acredito que George R.R. Martin, Bernard Cornwell e Neil Gaiman também caminhem um pouco por este gênero. Aliás, isso ainda responde a sua outra pergunta, esses autores foram e continuam sendo grande influência na minha literatura, junto de Henry James e Mike Mignola.
EL: Como foi o processo de criação da saga? Você teve alguma dificuldade específica ao criar um universo tão extenso e detalhado como o de Necrópolis?
MCT: O processo sempre foi complexo, e continua sendo. Mas desde moleque sempre tive muito interesse e facilidade em construção de mundos e criação de personagens, é o tipo de elemento que gosto de passar horas, semanas e meses trabalhando, é da minha natureza como autor. Isso não exclui as dificuldades de cada processo, claro. Mas, especificamente, acho que definir a moeda corrente e distância entre cenários, foram os elementos mais complicados, dado meu problema com números e cálculos.
EL: Em alguns momentos de A Fronteira das Almas, é possível capturar uma essência narrativa que lembra bastante a de jogos e livros de RPG (Role Playing Game). Há alguma inspiração oriunda deste universo tão popular na cultura nerd?
MCT: Sim, sim. Na verdade, além de outros livros, a minha literatura é influenciada por todas as outras mídias, como RPG, games, séries, animações ocidentais e orientais, e principalmente cinema e quadrinhos. Todas essas mídias trabalham a narrativa, cada uma a sua maneira, mas todas elas contam histórias. E todas elas me ensinaram como contar as minhas próprias histórias, então você encontra essas influências nos meus livros e continuará encontrando.
EL: Dia 23 de setembro de 2012, o segundo volume da série, A Batalha das Feras, foi lançado no Fantasticon. Como foi a recepção do livro no evento?
MCT: Foi ótima. Mesmo o Fantasticon sendo um evento mais de nicho e não tão forte como a Bienal do Livro (onde o Necrópolis 1 foi lançado um mês antes naquele ano), proporcionalmente falando, foi um dos melhores lançamentos do evento, tanto do público que descobria a série Necrópolis ali, quanto e principalmente dos fãs, que já acompanham a série há um tempo e foram com grande expectativa pela continuação.
EL: Existe algum personagem do livro que você tem alguma ligação mais íntima?
MCT: Eu costumo dizer que cada um dos personagens, pelo menos entre os principais, tem um pouco de mim. Como se eu tivesse dividido minhas qualidades, defeitos e personalidade em cada. Verne tem mais da minha voz, Simas expõe toda a minha caricatura social, enquanto que Karolina é orgulhosa como sempre serei e Ícaro tem aquele lado sombrio que procuramos ocultar a maior parte do tempo, etc.
EL: Quais são os livros que não podem faltar na sua estante?
MCT: São muitos, e ali incluo também quadrinhos. Mas focando na literatura e na sua pergunta, aí vão alguns: A Trilogia Fronteiras do Universo, As Crônicas de Gelo e Fogo, A Trilogia Tormenta, Coisas Frágeis e Hellboy. Ah é, eu falei que não citaria quadrinhos, mas Hellboy está colado eternamente nessa estante já quase sem espaço.
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EL: Você tem outros projetos em andamento? Fale um pouquinho deles para gente!
MCT: Tenho sim. Bastante coisa. Estou assumindo como editor-chefe de uma revista mensal sobre animes e mangás, que é publicada há muitos anos no Brasil. Estou escrevendo Necrópolis 3, que tem previsão de lançamento para esse ano. Na área de quadrinhos, voltei com força total, estou roteirizando Dez Desejos, que é um mangá que poderá ser lido como webcomic gratuitamente a partir de fevereiro neste endereço: http://www.necropolissaga.com/dezdesejos/ e faz parte do universo de Necrópolis, se você é fã, será incrível, se nunca tiver lido os livros, será incrível também, afinal é uma história que se passa 25 anos antes da jornada de Verne, com a linda arte do Rafael Françoi. Além deste, tem Hansel&Gretel, um mangá grandioso, com mais de 80 páginas prontas (de 260), que será lançado pela NewPOP assim que terminarmos, mas não, não temos previsão de quando esse material ficará pronto, só saibam que eu e a artista, Rafi Bluebunny, estamos trabalhando semanalmente neste projeto lindo e que ele sairá, sim. Tem outras duas HQs que estou roteirizando, mas elas são segredo ainda e serão reveladas na hora certa. Por fim, tem alguns contos e outros romances que pretendo escrever em breve, mas tudo ao seu tempo e tempo eu não tenho faz tempo.
EL: Em uma visita pelo site oficial de Necrópolis, notei que o livro tem uma playlist própria para os leitores. Como foi que surgiu esta ideia?
MCT: Como eu disse acima, entre as minhas influências, o cinema foi uma delas e bem forte. Eu sempre imaginei minhas obras como algo multimídia e não a toa, fui o primeiro a lançar um booktrailer no Brasil, algo que se consolidou como formato de sucesso no país. Ainda em 2006, data da primeira versão de Necrópolis, eu pensei que, assim como os filmes, que tem a música-tema e uma trilha para cada cena da película, um livro poderia também, talvez, ter uma música-tema e uma trilha para cada capítulo. Conheci e convidei Isis Fernandes para musicar o livro e ao longo de quatro anos ela realizou esse belíssimo trabalho, que logo vou disponibilizar na íntegra para todos.
EL: Entrar no mercado editorial brasileiro: Difícil?
MCT: Já foi, hoje não mais. Na época que eu fazia as primeiras tentativas, ainda em 2003, o mercado era outra e a fantasia não tinha moral editorial, hoje ela é prioridade. Atualmente, 9 entre 10 editoras tem um selo para literatura fantástica e buscam, no Brasil ou fora, obras do gênero, e cada qual com sua proposta, vem abrindo portas para este mercado, que espero cresça e que os leitores filtrem o que é bom e deve continuar.
EL: Dê uma dica para os leitores que queiram escrever um livro de fantasia.
MCT: A dica de sempre: leia, leia, leia e depois leia mais um pouco. Leia sempre, e leia de tudo. Não só fantasia. Leia suspense, leia terror, leia o mainstream indefinido (mas também não precisa apelar para auto-ajuda). Escreva, escreva e escreva. Tente, sem pressa, experimente, use você como laboratório para si mesmo. Vá a eventos, participe de grupos, colha opiniões de terceiros que tenham boa vontade, mas não sejam amigos nem trolls. E consuma outras mídias, como games, quadrinhos, filmes e desenhos animados, porque eles tem muito a ensinar também no contar de histórias. Seja paciente, profissional e nunca desista. Leia e escreva, mas eu já disse isso, né?

Nós agradecemos imensamente a participação do autor aqui no Escolhendo Livros e fazemos a pergunta: Você já leu algum livro do nosso convidado de hoje? Não deixe de comentar aqui embaixo sobre as suas experiências com as obras do Douglas!

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E aí gostaram? Confiram também outra entrevista com o autor, mas feita pela equipe do AIL, na coluna "5 Perguntas", clicando aqui

Equipe AIL

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