[CINEAIL] "Robocop 2014" de José Padilha, Por Eleni Rosa



Não recomendado para menores de 14 anos
 
Sinopse:  Em um futuro não muito distante, no ano de 2028, drones não tripulados e robôs são usados para garantir a segurança mundo afora, mas o combate ao crime nos Estados Unidos não pode ser realizado por eles e a empresa OmniCorp, criadora das máquinas, quer reverter esse cenário. Uma das razões para a proibição seria uma lei apoiada pela maioria dos americanos. Querendo conquistar a população, o dono da companhia Raymond Sellars (Michael Keaton) decide criar um robô que tenha consciência humana e a oportunidade aparece quando o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado, deixando-o entre a vida e a morte.



Resenha: O Filme é de ficção científica mesclado com ação. Para o elenco foram escalados: Joel Kinnaman, como Alex Murphy/RoboCop, Abbie Cornish, interpretando Clara Murphy,  Gary Oldman, o cientista, Michael Keaton, na pele de Raymond Sellars, Samuel L.Jackeson encarna  o âncora Pat Novak, Jackie Earle Haley  é Maddox e Marianne Jean-Baptiste, a policial Keren Dean. Na direção o brasileiro José Padilha.



Realmente lembrava muito pouco do primeiro filme de RoboCop, mas na memória consta que foi uma sessão interessante. Dessa vez fui levada ao meu espaço favorito apenas por um nome, confesso, José Padilha. É, o novo RoboCop é dirigido pelo Diretor de Tropa de Elite. Essa informação, claro, deixou muita gente curiosa, e eu me incluo nesse nicho.



Em 1987 foi lançado o filme RoboCop. O Roteiro narrava uma cidade lutando contra o crime e, para tanto, o policial Alex Murphy foi ressuscitado e transformado em robô, trazendo um sopro de esperança para os novos tempos. Análogo ao filme de Frankenstein é criado um misto entre homem e máquina. A família do policial acredita realmente que ele partiu dessa para uma melhor, mas a sequência do filme vai mostrando ao espectador que dentro daquele robô existe mais que parafusos ou programas, ele começa a ter lampejos da memória de Murphy. E no clímax do filme, entre outros detalhes,  acontece o encontro do RoboCop com a família que não o reconhece. 


Porém, o remake é díspar. Diante de vários caminhos Padilha escolhe mudar a história original. Alex, não é morto alvejado por tiros, mas sim sofre um atentado (em época de Hamans e Al-Qaida, nada melhor). Com a explosão de seu carro o policial sofre queimaduras graves tirando a esperança de um retorno para uma vida normal. Desde seu acidente a família luta para que ele sobreviva. Para resgatá-lo sua mulher opta pela experiência do cientista vivido por Gary Oldman. O que tira o toque de emoção do filme. 


As questões apresentadas são importantes: ética científica (e nós, em 2014, em tempos de clones e experiências com células tronco), a corrupção é endêmica (não nos deixa nem no futuro e muito menos na ficção), o poder da mídia (definitivamente é o 4º poder, e dita as pautas do governo), as indústrias e seu marketing impetuoso (priorizando o que deve ser consumido por toda humanidade). Diante de tantos temas, nosso super homem, digo, Homem-robô se vê a deriva. 


Não há inovações, não há efeitos especiais dignos de surpresas, não há embates excitantes. As cenas de ação são normais. Violência? Nem tanto. Diante de tantos filmes futuristas e cheios de efeitos, realmente, a novidade de RoboCop/2014 é Padilha e seu jeito de filmar. Nem a discussão sobre humanidade e sentimentos nas máquinas ou o cerceamento imposto ao povo por andróides é tão relevante, sugere um “déjà vu”.
 

Veredicto: Um filme normal que será visto tranquilamente na ‘Sessão da Tarde’ e sem muita emoção. 


PS.: Lembrei-me, com saudosismo, dos filmes ‘Ensaio Sobre a Cegueira’, ‘Diário de Motocicleta’, ‘Jardineiro Fiel’, dos Diretores – Fernando Meireles e Walter Salles. 

Eleni Rosa

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