[CINEAIL - OSCAR 2014] "Ela" de Spike Jonze, Por Eleni Rosa





Sinopse: Em um futuro próximo na cidade de Los Angeles, Theodore Twombly é um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única. Ao iniciá-lo, ele tem o prazer de conhecer "Samantha", uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor um pelo outro


Lançamento:
 
Diretor: Spike Jonze
Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Chris Patt, Rooney Mara, Olivia Wilde, Matt Letscher, Portia Doubleday e as vozes de Scarlett Johansson, Brian Cox, Bill Hader, Spike Jonze e Kristen Wiig
Gênero: Drama , Romance , Ficção científica
Nacionalidade: EUA


Resenha: Filme que concorreu ao Oscar-2014 na categoria de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original e Melhor Design de Produção, só faltou à indicação de Joaquin Phoenix para Melhor Ator ou Scarlatt Johansson para Melhor Atriz. Levou Melhor Roteiro Original. Simplesmente Fan-tás-ti-co!
 

Não gosto de ler críticas antes de assistir ao filme, penso que compromete o meu repertório e acaba me sugestionando ao pensamento do crítico, fazendo com que escape detalhes minuciosos que só pertencem ao meu consciente e subconsciente. 


Ao colocar "Her" na lista dos filmes a serem vistos, algo me chamou atenção, não só o ator Joaquin Phoenix, mas a proposta feita pelo Diretor em colocar na telona algo tão ‘atual’ e que de repente poderia soar maçante, clichê, talvez. Afinal os estúdios hollywoodianos nos trazem um leque de filmes, com temas muito próximos, mostrando o convívio do ‘homem’ x ‘máquina’. Normalmente, verdadeiros embates.   


Desse leque acima, trago alguns exemplos para massagear a memória: o Cult Blade Runner ´  O Caçador de Androides, que conta a história do policial Deckard, personagem vivido por Harrison Ford e sua paixão por sua assistente Rachael, uma adroide. Anos 2000 retiro dois interessantes da minha cartola, ‘S1m0ne’ - estrelado por Al Pacino, o criador de uma atriz virtual – embate entre criador e criatura. Este filme questiona claramente a frase, de Enstein: Nossa tecnologia não pode superar nossa humanidade”

Na mesma época, 2001, nos deparamos com Steven Spielberg e seu longa  ‘A. I – Inteligência Artificial’. Projeto do renomado Stanley Kubrick. O roteiro fala da criação de máquinas com sentimentos. E atualmente o último lançamento nos cinemas, o remake de  RoboCop, que discute a relação "sentimento x homem x máquina". Seguindo a nossa viagem no "mundo de Her"... ao sentar na poltrona do cinema, pressenti que assistiria algo totalmente diferente.


Spike Jonze, Diretor, não apresenta um filme de ficção científica (embates entre máquinas), mas sim um grande romance que ocorre em um futuro muito próximo. Um homem se apaixona por um programa de computador. Uma história que poderia muito bem acontecer nos dias atuais. Por que não? Afinal, vivemos plugados às máquinas, aos celulares e aos fones.


A atmosfera da película nos coloca em um lugar de lugar nenhum, sem identidade. Ao olhar o mundo globalizado a "cidade de Her" poderia fazer parte de inúmeras capitais. É como se o ser humano estivesse eternamente em um shopping Center. Poderia ser Nova york, Londres, Tóquio, sem marcas, sempre em tons pasteis. As cores utilizadas são todas muito neutras. O figurino de uma época lá atrás, século XX, anos 40 ou 50. O cenário é intimista, simples...um apartamento, um escritório, um elevador...   


A película Her mostra a vida de Theodore (Joaquin Phoenix) um escritor, que após a separação da mulher (Rooney Mara), vive solitário. Ele é comum, poderia ser um amigo meu, seu irmão, meu primo - inteligente, individualista, deprimido, e com poucos amigos. Assim, Theo resolve instalar um sistema operacional diferente em seu computador. Uma inteligência artificial que aprende a evoluir baseando-se nas respostas que recebe. Sua nova aquisição chama-se Samantha (voz de Scarlatt Johansson, impossível pensar em uma dublagem).


Nesse mundo louco, onde o individualismo impera, onde cada vez mais estamos diante de uma tela, Samantha chega sexy, bem humorada, paciente, acolhedora e amorosa. Para a psicanálise freudiana seria a utopia masculina para a projeção que o homem faz entre a amante e a mãe. Perfeito! Hum, será? 


Seria muito fácil resolver nossos problemas de relacionamento se pudéssemos criar nossa metade da laranja a nosso bel prazer. Mas o solitário Theodore se apaixona e tudo indica que Samantha, o programa, também está apaixonada.

Porém, nem tudo são flores. Surge o primeiro percalço. A necessidade de uma presença. É possível conviver, amar o virtual? O não tátil? 


O roteiro vai se abrindo e de suas variadas portas saem inúmeras interrogações. Será que é possível um ser humano se apaixonar por um sistema operacional? Assim como o filme A. I., de Spielberg, seria possível uma máquina nutrir sentimentos ou apenas foi programada para esta ação - amar? Será perfeito um relacionamento sem divergências, onde tudo, é compatível, é igual, é feliz? Seria um conto de fadas? Ou uma aberração? 


Spike Jonze explora o ciúme, opressão, sexo, distância, convívio, pertencimento. E o passeio por cada tema mexe com cada indivíduo prostrado em sua poltrona macia, protegido dos olhares pela escuridão da sala de cinema.  “O amor é uma forma de insanidade socialmente aceitável”. Frase profetizada por uma amiga do protagonista. E, mais uma vez, introduzo uma interrogação...Será?


O tema desse roteiro é maravilhosamente retrata o social, emocional, psicológico, antropológico e comunicacional em que o ser humano está inserido no século XXI. Em vários momentos do filme, o personagem se esbarra em pessoas que falam sozinhas, se comunicam em seus smartphones. O ‘outro’ não encontra foco nas ruas, há muito pouco contato físico, afinal o que realmente é real?


Por fim, nos surpreendemos com o final. Assim, repetirei a frase inicial ipsis litteris: ‘Melhor Roteiro Original. Simplesmente Fan-tás-ti-co!’, Vale cada quadro, palavra, fotografia, som, expressão, olhar... Assistiria mais vezes. 

Eleni Rosa

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