[CINEAIL - OSCAR 2014] "Clube de Compras Dallas" de Jean-Marc Vallée, Por Mac Batista

Sinopse: Baseado em uma história real, o filme se passa na década de 1980 e retrata o dia a dia do eletricista texano Ron Woodroof após ser diagnosticado com o vírus da AIDS. Em uma batalha contra a indústria farmacêutica e os próprios médicos, Ron procura tratamentos alternativos e passa a contrabandear drogas ilegais do México.

Lançamento:   
Diretor: Jean-Marc Vallée
Elenco: Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner, Dallar Roberts, Lawrence Turner
Joji Yoshida , Jane McNeill
Gênero: Drama , Biografia
Nacionalidade: EUA

Resenha: Depois de algum tempo evitando assistir este filme, por achar que seria mais um filminho com "moldes melodramáticos" o suficiente para receber algumas indicações ao Oscar, Globo de Ouro e BAFTA e que - no fundo - não contaria nada de novo, finalmente me rendi aos apelos de alguns amigos e conferi um dos filmes mais aclamados de 2014. Em meio as atuações duvidosas, roteiros confusos e histórias desconexas, eis que me deparei com uma história que realmente me fez abrir um sorriso no canto da boca, apesar de algumas ressalvas.

Baseado na vida real de Ronald Woodroof, no filme interpretado por Matthew McConaughey, "Clube de Compras Dallas" é ambientado nos anos 80. É quando Woodroof é diagnosticado portador do vírus HIV. Para quem ainda não sabe, os anos 80 foi marcado por esta epidemia (AIDS) que vitimou milhares de pessoas e, hoje, após 25 anos de sua descoberta, estimasse que o vírus matou mais de 25 milhões pessoas no mundo. No caso de "Clube de Compras Dallas", a história  se passa em uma época em que as pessoas não sabiam de onde vinha esta doença ou como - de fato - era transmitida (muitos até acreditavam que se "pegava AIDS" pelo toque). No entanto, a maioria a associava como "a doença dos gays", por estes comporem estatiscamente a maioria dos casos, na década de 80. Woodroof pensava da mesma forma. Mas, para surpresa, ele descobre que a AIDS não é sexualmente transmitida somente pelos homossexauis, mas sim em toda relação sexual feita sem camisinha dentre outros métodos também. Algo que o protagonista, com sua vida desregrada, fez muitas e muitas vezes.

Em meio a falta de informações precisas sobre a doença, a ganância da Indústria Farmacêutica e as incertezas da Medicina, Woodroof descobre que tem pouco tempo de vida (apenas 30 dias) para resolver todas as pendências existentes. Inicialmente, ele não aceita sua situação. A rejeita até onde pode, mas sua saúde já está muito debilitada e as crises de tosses e desmaios frequentes o fazem perceber a dura realidade: ele vai morrer

Então, ele começa uma busca frenética pela "cura". Após um tratamento inicial com AZT, ele percebe que os efeitos causados por este medicamento o debilita, cada vez mais. E resolve procurar por algo alternativo. E é neste ponto da história que se inicia a grande reviravolta na vida de Woodroof que é um típico caubói texano, com seu chapéu, botas, machismo e homofobia ao extremo. Após experimentar na própria pele o preconceito e a discriminação que - até então - ele dispensava aos outros, Ronald percebe que algo precisa ser feito. 

Jared Leto (Rayon) e Matthew McConaughey (Woodroof)
E ele reagi e vai além.

É incrível a luta dele pele sobrevivência. Longe de fazer a "linha do pobre coitado", Woodroof não descansa até encontrar alguém que possa realmente ajudá-lo. E esta ajuda vem de outros países. Uma ajuda ilegal, pois a Indústria Farmacêutica dos EUA não reconhece os tratamentos utilizados em outros países. Sem emprego e um teto para morar, Ron percebe que pode lucrar com estes medicamentos ilegais. Consequentemente, ele vê a chance de se estabelecer financeiramente, resolvendo também seu problema de moradia. Então, ele cria o "Clube de Compras Dallas", onde as pessoas diagnosticadas como o vírus HIV podem - após uma taxa de adesão - receber mensalmente todo o medicamento que ele "disponibiliza". 

Com isto, Woodroof se torna alvo da Indústria Farmacêutica que, por motivos obscuros, não aceita que esses remédios sejam "disponibilizados" por Ron em território norte-americano. É preciso deixar bem claro que Woodroof, em momento algum, é retratado como "herói", mas como uma pessoa que, em meio a uma "guerra de egos", tenta sobreviver - malandramente - da melhor forma possível. O diretor Jean-Marc Valleé teve a preocupação em mostrar ao telespectador todo drama enfrentado pelas pessoas portadoras do vírus HIV, na década de 80. Fosse pela busca por um tratamento adequado, rápido e eficiente; ou pela luta contra a Indústria Farmacêutica que só visava os próprios lucros, ao invés de produzir medicamentos que amenizassem os efeitos causados pela doença e/ou pelo AZT, aumentando, assim, a estimativa de vida destas pessoas.

Jared Leto como Rayon
E qual é o desfecho de toda esta história? Somente assistindo ao filme para saberem. No entanto, a cena final em que Woodroof precisa se manter em cima de um touro por 8 segundos, contém mil significados.

Outro ponto que não pode passar em branco é o incrível trabalho de caracterização de todos os personagens, figurino, maquiagem e fotografia... Simplesmeste, impressionante! 

A entrega de Matthew e Jared aos seus respectivos personagens é digna de todos os prêmios que eles receberam. A química entre os atores mantém o equilíbrio da trama até o fim. É comovente ver a amizade existente entre Woodroof e Rayon e como isto lhes dá força para prosseguir. Mesmo sendo rude, na maior parte do tempo, Woodroof demonstra o quanto se importa com o bem-estar de Rayon. Tudo sem exageros ou apelações, pois apesar de se tornarem amigos... Woodroof não deixa de ser o machão homofóbico de sempre. No entanto, ele se torna mais condescendente.

Jared Leto está maravilhoso como o travesti Rayon. Que delicadeza! Que verdade impressionante que ele (Jared) transmite como Rayon. Impossível ninguém gostar deste personagem. A graciosidade de Rayon contrasta - o tempo todo - com os modos grosseiros de Ronald. De fato, foi merecedíssimo o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante!
 
Ao contrário do que muitos falaram sobre a atuação de Matthew McConaughey, eu o achei "politicamente correto". Foi o papel da vida dele? Sim, foi! O melhor que ele já fez? Sim, foi! Ele o desempenhou bem? Sim, claro! Tanto que ele ganhou a maioria dos prêmios que foi indicado. Mas acredito que isso só aconteceu porque Matthew não tinha um forte concorrente. Não estou menosprezando o trabalho do pobre rapaz, mas convenhamos que para o Oscar, deste ano, a Academia não tinha outra opção! Ou era Matthew... ou era Matthew!

Além disto, todos sabem que neste filme foi utilizado uma fórmula infalível para conquistar a  Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood: "emagreça ou engorde + fique feio (ao extremo) + arranque algumas lágrimas+morra no final + apresente uma históra verídica, mas morra no final + faça cenas de nú artístico + ops! esqueci...faça cenas de sexo selvagem, porém artístico = ganhe o Oscar!!!".  Definitivamente, os cartolas não resistem a este velho "feijão com arroz". E Matthew caiu nas "graças" do povo!

Enfim "Clube de Compras Dallas" é um bom filme pelo conjunto da obra. Portanto, recomendo. No entanto, se vocês já assistiram ao filme "Philadelfia"(1993), com Tom Hanks e Denzil Washington... será impossível não fazerem algumas comparações...

Mac Batista.

0 comentários :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...