[CINEAIL - OSCAR 2014] "12 Anos de Escravidão" de Steve McQueen, Por Mac Batista

Não recomendado para menores de 14 anos.
 

Sinopse: 1841. Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um escravo liberto, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de doze anos ele passa por dois senhores, Ford (Benedict Cumberbatch) e Edwin Epps (Michael Fassbender), que, cada um à sua maneira, exploram seus serviços.

Lançamento:   
Diretor: Steve McQueen (II)
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch, Lupita Nyong'o, Sarah Paulson e Brad Pitt
Gênero: Drama , Histórico
Nacionalidade: EUA

Resenha: Quando reuni alguns amigos para assistir a este filme, confesso que não esperava ficar tão contente. Pensei que seria "só mais um filme falando sobre a Escravidão...como tantos outros já abordaram". Mas a curiosidade em saber como este tema seria trabalhado, falou mais alto. Lembro que um dos meus amigos - cansado depois de uma noite de trabalho me disse: "Estou tão cansado,  que acho que vou dormir rápido". E depois de alguns minutos eu olhei para o lado e lá estava ele, literalmente, "vidrado" no filme. E quando o mesmo terminou ele disse "Caraca... e eu pensei que fosse dormir...impossível!!! Este filme é muito bom!!!Prendeu totalmente a minha atenção"(Eduardo Viana).

E ele estava certo.

Considerado o melhor filme dramático pelo Globo de Ouro, Oscar e BAFTA 2014, "12 Anos de Escravidão" tem direção de Steve McQueen ("Shame")  e é baseado na história real de Solomon Northup, originalmente publicada em 1853. O longa conta a vida de um homem negro e livre de Nova York, interpretado por Chiwetel Ejiofor, que é enganado, dopado, sequestrado e vendido como escravo em 1841. 

"Eu nasci um homem livre. Vivia com minha família... Até o dia em que fui enganado,
sequestrado e vendido como escravo." -
Solomon Northup
Por mais de uma década, Solomon vive o inferno de ser forçado por um proprietário de escravos a trabalhar em uma plantação na região de Louisiana, passando por diversas humilhações. Ele é dado como morto por sua família e vê, com "olhos incrédulos", privado do maior bem que um ser humano pode ter: a liberdade. 

"Pecado? Não existe pecado. Um homem faz o que quer com sua propriedade." - Edwin Epps

Com moldes clássicos, a narrativa mostra as tentativas de Solomon em reaver sua liberdade e retrata o cenário de um sistema social e comercial de produção, através da dominação, onde não existe um "Senhor bom", menos ainda um "escravo feliz". De forma dura, o filme deixa bem claro que, para que este sistema perpetue, é necessário haver os dominantes e os dominados

Um sistema que sempre existiu desde que mundo é mundo, retratados em muitas histórias da Cultura Celta, Romana dentre outras contadas em filmes e séries. O mesmo sistema pode ser visto na aclamada série "Raízes" (1977) que conta a história do negro Kunta Kinte.  Esta série marcou uma geração! E, também, no filme "Amistad" (1997) que dispensa comentários e tem em seu elenco Morgan Freeman ("Um Sonho de Liberdade"), Anthony Hopkins ("O Silêncio dos Inocentes"), Nigel Hawthorne ("Tarzan"), Djimon Hounsou ("Diamante de Sangue") e Anna Paquin ("X-Men").

Mas voltando a história de Solomon, durante 12 anos ele passa por algumas plantações e fazendas e o cenário que ele vê é sempre o mesmo: uma escravidão sem fim. Homens, mulheres e crianças negras sem esperanças, submetidos aos mandos e desmandos  de seus senhores. 

Por vários momentos, pensamos que o mesmo vai acontecer com o Solomon que tenta "dançar conforme a música" para se manter vivo dentro de um sistema desumano, onde somente os mais astutos sobrevivem. No entanto, quando Solomon vê-se dentro de um círculo vicioso  trabalhando, plantando e colhendo cana-de-açúcar, sendo alvo constante de pessoas má intencionadas, ele começa a perder as esperanças... E é aí que Samuel Bass (Brad Pitt) entra em ação, trazendo a reviravolta que todos esperam.
É importante ressaltar também que - mesmo sendo uma história centrada na vida de Northup - o filme também retrata a situação da mulher negra que, na condição de escrava, era submetida a várias violências físicas e mentais, principalmente, quando eram alvos da obsessão e luxúria de seu senhor "Edwin Epps", aqui interpretado por  Michael Fassbender, que - por sinal - dá um show à parte também!!! 

E, como se não bastasse tamanho sofrimento, ela também era vítima do despeito de sua senhora -"Mary Epps" (Sarah Paulson)- que não se conformava com o fato de seu marido ser tão obcecado por uma mulher "negra e inferior" a ela! É o que acontece com a escrava "Patsey", interpretada pela brilhante Lupita Nyong'o, que arrematou - merecidamente - o OSCAR de melhor atriz coadjuvante.

Edwin Epps (Fassbender) e Patsey (Nyong'o)
Apesar do filme ter cenas tocantes e chocantes, sua dinâmica não nos permite derramar uma lágrima sequer. Não há espaço para isto. A realidade vivida por Solomon e milhares de outros negros é dura e cruel, sem ser apelativa. 

E isto é possível? Sim, é. O filme está aí para comprovar. E toda a trama transcorre na medida certa, sem o "ar romantizado" contextualizado em tantos outros filmes hollywoodianos. E deixa bem claro que é preciso, sim, encarar - de frente - este cancro secular e suas sequelas infligidas a uma nação de homens e mulheres livres.

"Eu vou sobreviver! Não vou cair em desespero! Me manterei de cabeça erguida até que me ofereçam a liberdade." - Solomon Northup
Enfim, "12 Anos de Escravidão" tem um elenco invejável, um roteiro impecável, e é um filme que nos desafia a refletir. E apesar da história ser ambientada entre 1841-53, eu a considero atemporal. Afinal, o que você faria se se visse privado de sua liberdade? Em sua singularidade, o filme desafia também qualquer futuro diretor e roteirista a abordar o tema, sem banaliza-lo. Tarefa difícil, mas não impossível! 

Quando terminei de assitir ao filme, pensei "Este é o melhor filme do ano! Que elenco!!! Que roteiro maravilhoso!!!". Bem...rss.. deveria ter participado de algum bolão!!! (rss).

Prêmios que o filme recebeu:

OSCAR 2014
- Melhor Filme
 
- Melhor Atriz coadjuvante (Lupita Nyong'o)
- Melhor Roteiro adaptado.

GLOBO DE OURO 2014
- Melhor filme (Drama) 

BAFTA 2014
- Melhor Filme
- Melhor Ator (Chiwetel Ejiofor)


E para aqueles que ainda não assistiram ao filme... 

Bem o que estão esperando? 

Afinal, um filme que recebe tantos prêmios assim...não é qualquer filme,né?! ;) rss.

Portanto, recomendo! 


Capa do livro
Repercussão do filme e do livro:

De acordo com o site do Instituto Luiz Gama, "um comunicado da National School Boards Association (Associação Nacional de Conselhos Escolares, em tradução livre) anunciou que o filme será utilizado em escolas públicas dos Estados Unidos, fazendo parte da grade curricular dos estudantes."

No Brasil, o livro será publicado pela editora Companhia das Letras. 


Recomendo:

Se você gostou da resenha e gostaria de assistir outros filmes que abordam os temas: "Escravidão", "Preconceito e Discriminação Racial" dentre outros, leia também "15 Filmes para refletir"


Bjins e inté,
Mac Batista

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