[RESENHA] Yayoi Kusama - Obsessão Infinita

Após inúmeras inserções na mídia sobre a exposição de Yayoi Kusama, no CCBB, resolvi deixar aqui minhas impressões sobre essa intrigante artista. 
A arte, em si, constrói, com elementos extraídos do mundo sensível, outro mundo. Buscamos a arte pelo prazer que ela nos proporciona, assim fugimos das severidades da vida real, procurando as delícias das emoções ‘não reais’ - assim expressa o autor Joel Coli.
Mas eu penso que a arte é muito mais. Simplesmente tentamos compreender e admira-la, mas a obra é um objeto de contemplação, e como disse o artista Duchamp: “são os olhares que fazem um quadro”. A arte transforma nossa sensibilidade, transforma a nossa relação com o mundo. O contato com a arte nos transforma, ela tem o poder de nos fazer ‘partir’, de sair de nós mesmos.  

Assim é a exposição que ocupa os 1° e 2° andares do Centro Cultural Banco do Brasil, conhecido CCBB, no Centro do Rio de Janeiro. Criando uma interação com o público, a japonesa Yayoi Kusama de 84 anos, considerada um dos maiores nomes da arte contemporânea e também um ícone da moda, que vive há a mais de 30 anos, numa instituição psiquiátrica em seu país natal, Japão. Yayoi apresenta Obsessão Infinita, o trabalho da artista traz 110 obras, criadas entre 1949 e 2012. Admiradora do minimalismo e surrealismo, seu trabalho carrega um alto identificador de psicodelia, luzes coloridas e bolinhas. A partir de suas criações concluímos que a arte está longe da lógica.

O Surrealismo - recordando os desavisados - surgiu na França na década de 1920. Este movimento foi expressivamente influenciado pelas teses de Sigmund Freud, psicanalista que mostrou a importância do inconsciente na criatividade do ser humano. Seu representante mais conhecido no mundo artístico foi/é Salvador Dalí, o espanhol de bigodes enormes, que trabalhou com a distorção e justaposição de imagens. Sua obra mais conhecida consta da cena onde retrata relógios que parecem estar derretendo - ‘A Persistência da Memória’ - uma forma conotativa de evidenciar o tempo.

Mas a conhecida Princesa das Bolinhas adapta para telas, roupas, vídeos, esculturas e até para corpos nus as formas e cores que distingue em seus delírios.

Yayoi Kusama  nasceu em Matsumoto, no Japão, em uma família tradicional, a artista contou em entrevista, que sua educação foi muito repressora e seus desenhos, a fez escapar do suicídio.

Em 1957, Kusama chegou à Nova York e lá entrou em contato com artistas como Donald Judd, Joseph Cornell e Andy Warhol. Foi na cidade americana onde ela começou a fazer suas peformances.

Andy Warhol, quem não o adimira, pelo menos já ouviu falar de sua frase mais celebre: In the future everyone will be famous for fifteen minutes (No futuro todos serão famosos durante quinze minutos) . Ele reinventou a ‘pop art’ com a reprodução mecânica em serigrafias com temas do cotidiano e artigos de consumo, como as latas de ‘sopas Campbell’ e a ‘garrafa de Coca-Cola’, símbolos da história da arte, como Mona Lisa, além de rostos de figuras conhecidas como Marilyn Monroe, Liz Taylor, Elvis Presley, Che Guevara e Brigitte Bardot. 

Segundo o canadense Philip Larratt-Smith, um dos curadores da exposição, Kusama e Warhol eram líderes no que faziam, enamoravam a publicidade e indicaram representantes na mídia para promover suas obras. 

Historicamente somente há dois anos que o trabalho de Yayoi ganhou suas primeiras grandes exposições internacionais: em 2011, no Reina Sofía, em Madri, e no Centro Pompidou, em Paris; e, no ano passado- 2012, na Tate Modern, em Londres, e no Whitney Museum, em Nova York. Na Argentina, sua recente exposição no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires.

Na exposição encontramos numa sala espelhada “Campo de falos” — um jardim de falos decorados com bolas vermelhas e brancas. Outro destaque é a instalação “Cheia de brilho da vida”, em que as bolinhas em feitio de lâmpadas se acendem e apagam em cores diferentes. E o público também é chamado a participar dessa obsessão. Logo na entrada, cada visitante receberá uma cartela de adesivos, todos de bolas coloridas, para decorar outra instalação, a “Sala da obliteração”, originalmente toda em branco, agora tomada por bolinhas coloridas do chão ao teto.

Umberto Eco em sua opinião sobre ‘ruído’, mostra o quanto a interferência exterior, perturba nosso contato com o objeto. E a obra de arte é um emissor que envia sinais que nós recebemos e dele podemos perceber de várias formas, quanto forem à exposição aos ruídos, o significado do que nos é apresentado. Assim surgem várias interpretações, várias visões sobre o mesmo objeto analisado.  
 
A arte pode nos parecer obediente mensageira, mas percebe-se que é importadora de sinais, de marcas deixadas pelo não-racional coletivo, social e histórico, além do psicológico do artista. É, como descreve Coli, a arte está longe da lógica.

Desafiando e escandalizando a artista Yayoi Kusama  nos presenteia, no fim da exposição, com 36 telas gigantes, pintadas entre 2012 e 2013, que mostram que seu trabalho continua, sem sossego, e nos desafia a etiquetarmos sua obra complexa como hiper-realista, abstracionista ou surrealista.

Eu diria apenas: Maravilhosa!
A exposição, imperdível, tem entrada franca e fica em cartaz até o dia 20 de janeiro de 2014, no CCBB/RJ.

Eleni Rosa

1 comentários :

  1. Eu simplesmente sou apaixonada pela arte!
    Adorei o texto e as imagens, impressionante o trabalho dela!

    Beiijinhos, te espero no meu blog
    http://lendocomaolly.blogspot.com

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