[CINEAIL] "Jogos Vorazes - Em Chamas" de Francis Lawrence



Sinopse: Depois de ganhar o 74º Jogos Vorazes, competição entre jovens transmitida ao vivo para todos os distritos de Panem, Katniss (Jennifer Lawrence) agora terá que enfrentar a represália da Capital e decidir que caminho tomar quando descobre que suas atitudes nos jogos incitaram rebeliões em alguns distritos. Os jogos completam 75 anos, momento de se realizar o terceiro Massacre Quaternário, uma edição da luta na arena com regras ainda mais duras que acontece a cada 25 anos. Katniss e Peeta (Josh Hutcherson), então, se veem diante de situação totalmente inesperada e, dessa vez, além de lutar por suas próprias vidas, terão que proteger seus amigos e familiares e, talvez, todo o povo de Panem.



Resenha:
Jogos Vorazes – em Chamas, o segundo filme da quadrilogia da escritora Suzanne Collins, é quase um déjà vu’ do primeiro longa, e pode ser comparado a um capítulo intermediário – entre um início e o fim das sagas, assim como: ‘Crepúsculo – Lua Nova’ ou ‘Eclipse’ e o arrebatador ‘O Senhor dos Anéis: as Duas Torres’.


O filme dá continuidade à história de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), e Peeta (Josh Hutcherson), depois que os tributos do Distrito 12 vencem os jogos. Neste longa é possível enxergar o quanto os dois, principalmente Katniss, influenciaram os habitantes dos distritos. Enquanto um levante contra a tirânica Capital é iniciado, os protagonistas são obrigados a participar de uma edição especial dos Jogos Vorazes, o Massacre Quaternário, que acontece a cada 25 anos. Uma invenção do presidente Snow (Donald Sutherland) que pretende desmoralizar a jovem perante o povo que assiste aos jogos.


Dessa vez o elenco aumenta, além de Lawrence e Hutcherson, o casal principal, Liam Hemsworth (Gale Hawthorne), Elizabeth Banks (Effie Trinket), Woody Harrelson (Haymitch Abernathy), Stanley Tucci (Caeser Flickerman) e Donald Sutherland (Presidente Snow), o novo Diretor Francia Lawrence (‘Constantine’ e ‘Eu sou a Lenda'), soma ao elenco o time de vencedores dos jogos anteriores; Sam Claflin (Finnick Odair), Jena Malone (Johanna Mason), Amanda Plummer (Wiress), Lynn Cohen (Mags), Meta Golding (Enobaria), E. Roger Mitchell (Chaff), Bruno Gunn (Brutus), Maria Howell (Seeder), Cashmere (Stephanie Leigh), Alan Ritchson (Gloss), Toby Jones (Claudius Templesmith) entre outros. Mas a aquisição de peso foi o ator Philip Seymour Hoffman, que interpreta Plutarch, diretor geral dos Jogos Vorazes. O ator foi vencedor do Oscar na categoria ‘Melhor Ator’ por sua atuação em “Capote, em 2005. 


Na telona Katniss Everdeen e Peeta esforçam-se para tolerar as sequelas do que foram forçados a fazer e pela previsão de seus futuros é possível que nunca termine. Os dois são obrigados a começar uma turnê pelos 12 distritos de Panem divulgando os jogos e descobrem que sua união e rebeldia despertaram sentimentos entorpecidos há décadas em cada habitante. Katniss se tornou o símbolo de luta, uma bandeira real para o sonho de liberdade de seu povo. 


A capital, incomodada, não consegue controlar seus jovens gladiadores e desconta nos habitantes dos distritos que, além da luta diária pela sobrevivência, agora o cidadão de Panem enfrenta o cerceamento do governo. Com pulso de aço, o Presidente Snow  tenta manter o povo nas rédeas através do medo, da manipulação - com direito a toque de recolher e chicotadas em praça pública. Nada mais perigoso.


O segundo longa é mais que estar em uma arena, não é apenas um ‘mata-mata’, investe na história política e na construção de um clima para uma possível revolução. A mudança de visão da nação sob o estado totalitário toma uma discussão mais profunda sobre liberdade.  Mesmo sendo voltado ao público jovem, o filme oferece uma crítica social, e constitui uma apropriada reflexão sobre a sociedade em que vivemos - expõe as mazelas do culto as celebridades (com outro perfil do culto praticado no filme Bling Ring – A Gangue de Hollywood) e o cerne frívolo e manipulatório dos reality shows.


É uma película ‘teen’, para quem está em outro patamar, pois trata de abuso de poder, direitos e deveres do estado e sacrifícios de pessoas. Há um clima de tensão, com um carácter ideológico marcadamente de esquerda, ‘a lá movimento artístico do ‘neo-realismo’, com aquele toque de esquerda. De modo geral, o que também chama atenção é a capacidade de tematizar a tomada de consciência da sociedade.



Katniss Everdeen, como figura central, tem preocupação com o seu próximo e sua família. É uma mulher forte. O enredo de JV vai de encontro à procura por liberdade, justiça, a crítica sobre o sistema e com uma visão paralela pode-se lembrar (por favor, não me chamem de louca) do filme “V de Vingança”, o diferencial está na mocinha que não tem consciência do que deseja provocar no outro e, inconscientemente, é envolvida por acontecimentos flutuantes. Suas atitudes são de revolta, mas por enquanto apenas pela própria sobrevivência.

As atuações são boas e prevalece o desempenho de Jennifer Lawrence. Fiquei intrigada com a função do ator Philip Seymour Hoffman, mocinho ou bandido? Eu tenho a minha opinião. Os figurinos são adequados. Ah! Não falei da fotografia, das imagens belíssimas da natureza contrapondo as cenas de violência, pois fiquei muito interessada na função do filme. Afinal Hollywood consegue sempre surpreender, fazer um blockbuster com viés reflexivo. Ah! E teen. 



Agora é aguardar o próximo filme para presenciar o grande desfecho para Panem e seus protagonistas. Afinal, “ideias são à prova de balas”.


Elizabeth Banks que interpreta Effie Trinket, parece ter saído do filme “Alice no País das Maravilhas”, de  Tim Burton, poderia ser a esposa do Chapeleiro Louco, vivido por Johnny Deep. Uma verdadeira ‘bufão’ de sorriso amarelo, vestindo a cada quadro um figurino mais exagerado do que o outro, mas que no fundo é dominada pela capital, e timidamente expressa sua insatisfação pelo regime e sua sensibilidade na luta dos jovens.


Amei! Mas também odiei...assistam ao filme e entendam o motivo.

Eleni Rosa

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