[CINEAIL] "Blue Jasmine", de Woody Allen

Sinopse: Uma mulher rica (Cate Blanchett) perde todo seu dinheiro e é obrigada a morar em São Francisco com sua irmã (Sally Hawkins), em uma casa muito mais modesta. Ela acaba encontrando um homem na Bay Area que pode resolver seus problemas financeiros, mas antes ela precisa descobrir quem ela é, e precisa aceitar que São Francisco será sua nova casa.

Resenha:Woody Allen faz uma releitura do clássico teatral “Um Bonde Chamado Desejo”, dos anos 1940, de Tennesse Williams, e o filme “Uma Rua Chamada Pecado”, de 1950 – que tem como tema central a personagem Blanche DuBois, uma mulher diferenciada, bonita que busca esconder seus sentimentos de amargura fugindo da realidade. Com essa inspiração Allen nos trás sua visão da crise econômica de 2008 e da elite que perdeu poder econômico e teve que descer do salto. Utilizando o recurso de flaschbacks, aos poucos, vai desnudando o passado perene da personagem; riqueza, luxo, champanhe, grifes, brilhantes... e o paralelo entre o ontem e o agora que vai revelando, aos poucos, o que realmente a levou ao estágio atual. É um filme egocêntrico, não sobram closes para nenhum outro personagem. O novo filme de Woody Allen, Blue Jasmine, é o céu e o inferno da análise crítica da sociedade sob o ponto de vista do diretor.

No elenco Allen traz como estrela Cate Blanchett, e soma a Alec Baldwin, Sally Hawkins, Andrew Dice Clay, Bobby Cannavale, Max Casella, Michael Stuhlbarg, Joy Carlin, Allen Ehrenreich e Kathy Tong.


De moradora de uma cobertura, em Nova Iorque ela se muda para São Francisco, na California, para dividir um apertado apartamento com a irmã pobre, Ginger (Sally Hawkins). A vida de Janmine (Cate Blanchett) é virada pelo avesso após seu marido Hal (Alec Baldwin), um milionário, ser preso por fraude financeira e perder todos os bens. Em São Francisco ela procura se adaptar a nova vida; atura os sobrinhos irritantes, suporta o namorado da irmã, Chili, vivido por Bobby Cannavale, padece com o ex-marido de Ginger, além de ter que se rebaixar a recepcionista de consultório dentário, para sobreviver. A vida de Jasmine não ficou nada fácil. Ela é a figura dramática mais irritante e antipática descrita por Allen.


Contrapondo a Jasmine, Allen criou Ginger, sua irmã distinguida, enfaticamente, como a-do-ti-va pela protagonista. A irmã, apesar de todos os problemas que viveu e vive , é uma mulher que se diverte com o pouco que tem, não se esconde atrás de fachadas, é sincera, vivaz, apesar de se deixar influenciar por Jasmine. 


Cate mostra que sua personagem não tem um norte e com tantos anos de vida de ‘dondoca’, o máximo que consegue é um emprego de recepcionista de um dentista, Dr. Flicker, vivido por Michael Stuhlbarg – que, para seu pânico, se enamora por ela. Assim, o que resta a essa decadente milionária é arrumar outro marido rico. 


Esse drama-comédia, cheio de características distintas e com humor escasso é denso, cansativo, algumas vezes tedioso. Mas, lembrando que o filme é Jasmine, seu personagem central, vivido por Cate Blanchette, permanecemos na poltrona, meio incomodados, mas odiando e, ao mesmo tempo, amando Jasmine.


Por que a amamos? Simples, porque Cate Blanchette faz uma excelentíssima atuação, construção perfeita da personagem... um show de interpretação. A concepção emocional domina atriz e faz eclodir uma Jasmine desesperada, amargurada, desiludida, culpada, perdida, pedante, cheia de defeitos e com um futuro totalmente nublado que exige a reinvenção de si. 

A complexidade da personagem poderá render o Oscar /2014, de melhor atriz, a Blanchette que equilibra divinamente este presente de Wood Allen. Realmente o filme é Cate.


O diretor não dissimula as deformidades de seu personagem central, o drama pessoal é carregado, pesado. De seus filmes anteriores relembra o filme Match Point”, de 2005, com poucos toques de comédia, ou seja, o humor de Blue Jasmine é ácido. Woody Allen tenta relevar os atos de Jasmine dando-lhe o posto de “mulher traída”, assim criando um laço afetivo com o espectador numa tentativa de ganhar o perdão do público.  Li algo que definia o filme sendo um conto moral. Pode ser.  Nos dias atuais precisamos relembrar conceitos esquecidos; ética, moral, educação e muito mais.


Aos fãs de Woody Allen, vai à dica. E para quem não é fã: por favor, vá ao cinema preparado... não é um filme muito fácil. (Eleni Rosa)

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