[RESENHA] "Inferno", de Dan Brown

Capa da edição nacional
(Ed. Arqueiro)
Sinopse: O simbologista Robert Langdon desta vez acorda com uma amnésia a quilômetros de distância de casa. Mas em pouco tempo, descobre-se metido num arriscado jogo que pode colocar em risco a saúde pública mundial. E as pistas estão escondidas dentro de um dos poemas mais conhecidos de todos os tempos: "Inferno", a primeira parte de "A Divina Comédia", de Dante Alighieri. 

Trecho:  "Queridíssimo Deus, rogo-lhe que o mundo se lembre do meu nome não como um pecador monstruoso, mas como o salvador glorioso que o Senhor sabe que na verdade sou. Rogo que a humanidade entenda o presente que deixo.Meu presente é o futuro. Meu presente é a salvação. Meu presente é o Inferno. Com essas palavras, sussurro amém... e dou o último passo para mergulhar no abismo"
Título: Inferno
Autor: Dan Brown
Ed. Arqueiro | 2013 | Brochura | 443 páginas | Thriller / Suspense
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Resenha: Dan Brown é um dos meus autores preferidos. E concorda comigo quem sabe lê-lo. Explico: Mr. Brown tem uma criatividade muito grande e pega um fato histórico aqui, desvirtua um símbolo ali, uma coisa improvável acolá, mistura no liquidificador com teorias da física e... Bum! Sai um best-seller.

O maior erro das pessoas que leem seus livros é acreditar que tudo aquilo que ele escreve seja verdadeiro. Lembro-me muito bem da época em que saiu "O Código Da Vinci" e várias pessoas pararam de acreditar na Bíblia porque o livro desmentia o Novo Testamento.

Vários e vários exemplares foram queimados em países mais extremistas, enquanto Mr. Brown ia, desesperado, à televisão explicando que era evangélico e dizendo que aquilo tudo era apenas um livro! Um romance que não deveria ser levado a sério! Mas, infelizmente, grande parte das pessoas não vê as coisas dessa forma e criou-se um preconceito muito grande diante do nome de Dan Brown.

E o título deste livro não ajuda nem um pouco, né? "Inferno" foi o livro do Dan que eu mais demorei para ler: exatamente uma semana, devido aos outros compromissos do dia a dia. Totalmente viciante, eu simplesmente não conseguia me desgarrar dele e o carregava para todos os lugares que ia, esperando uma brecha para dar uma espiada. E, adivinhem quantas e quantas pessoas não pararam estupefatas na minha frente me perguntando:
- "Inferno"? Misericórdia! Por que você não lê a Bíblia?
Ou então:
- Vou te dar um livro chamado "Paraíso", pra você largar o "Inferno".
Ou não diziam nada, apenas me olhavam com pesar, como se eu já estivesse com a alma condenada por carregar um livro com este título. E daqui que eu explicasse que eu não estava fazendo nenhum pacto com forças maléficas... Já viram, né? 

O título "Inferno" faz referência à primeira parte de "A Divina Comédia", de Dante. Para quem não sabe, a obra é dividida em três partes: "Inferno", "Purgatório" e "Paraíso", narrando a jornada do próprio Dante nesses três lugares. Descobri que muitas das noções de "inferno", "purgatório" e "paraíso" que se tem hoje são retiradas do poema do italiano e das demais obras de arte que "A Divina Comédia" inspirou - de pinturas a músicas.  

"Inferno" segue a mesma linha dos demais livros ("Anjos e Demônios", "O Código da Vinci" e "O Símbolo Perdido") que trazem Robert Langdon como protagonista: há uma ameaça global vinda de uma seita ou uma mente extremista que quer mudar o mundo de alguma forma e pistas escondidas em símbolos, obras de arte ou pontos turísticos de cidades antigas. E ninguém melhor do que o famoso professor de simbologia de Harvard para decifrar os enigmas escondidos, sempre ao lado de uma bela e brilhante cientista ou agente especial.

No caso de "Inferno", a acompanhante é Sienna Brooks, uma médica superdotada que salva Langdon da morte já nos primeiros capítulos e entra meio que "de gaiato no navio". De todas as parceiras anteriores de Langdon, achei Sienna a mais humana de todas.

Vittoria Vetra
, a cientista que o ajuda em "Anjos e Demônios" (e TOTALMENTE diferente no filme), é, de longe, a minha preferida! Mas é uma "super-mulher" e alguém que eu não tenho a impressão de que possa encontrar nas ruas um dia. Sophie Neveu e Katherine Solomon - respectivamente de "O Código da Vinci" e "O Símbolo Perdido" - também são mulheres brilhantes, mas também difíceis de se conhecer.

Mas Sienna Brooks... Bem, uma mulher superdotada com vários talentos para improviso e teatro é bastante difícil de se encontrar por aí. Mas quando eu digo que ela é mais humana, refiro-me à forma como Dan Brown a retrata: Sienna tem sentimentos profundos, é confusa, insegura às vezes. Tem medo e chora e não apenas quando se encontra diante de uma situação de risco. Ela é até frágil em certos momentos, intuitiva, forte e... Que os fãs de Vittoria, Sophie e Katherine me perdoem, mas é com Sienna que quero que Langdon fique. Mesmo! 

Lembro-me que logo que comprei o livro, conversei com o também colunista do AIL Kal J. Moon sobre Dan Brown e disse que ele não me desapontaria. De fato, eu estava certa. 

Como eu disse, a história tem muitas referências à primeira parte do poema de Dante. O cientista misterioso é obcecado pelo poeta italiano e esconde pistas relacionadas não apenas ao poema, mas às obras que foram inspiradas pela "A Divina Comédia" e até em sua máscara mortuária. Sienna e Langdon são levados a desvendar os enigmas e percorrer prédios públicos, igrejas e museus descritos com muita precisão por Dan Brown. Às vezes, as descrições são até extensas demais, tanto que chegam a ficar maçantes... Mas a riqueza dos detalhes das obras, das cidades e da história é o que faz o texto dele ser tão bom. Além, é claro, do ritmo frenético de suas narrações e sua habilidade em deixar o leitor sempre querendo ler o próximo capítulo.

Neste livro, além de ter que lidar com uma amnésia e um tiro de raspão na cabeça, Langdon ainda tem que escapar de pessoas que o querem morto e desvendar as pistas deixadas pelo cientista louco. Ou seja, o ritmo continua alucinante - a pegada especial do Mr. Brown - com uma brilhante forma de desenrolar a história e incrível reviravolta no final.

"Inferno" só não é melhor que "O Código da Vinci" porque não achei seu "momento Scooby Doo" - aquele instante em que o mocinho já descobriu as tramas do vilão e explica passo a passo os acontecimentos misteriosos do início - tão convincente quanto. Mas, mesmo assim, é impossível desgrudar de "Inferno" sem terminar de ler. 

Mas o que me chamou atenção neste livro é o tema que ele aborda. Diferente dos demais, Dan Brown não está focado na história da Igreja Católica ou na Maçonaria. O tópico aqui é a superpopulação do planeta. Atingimos recentemente 7 bilhões de habitantes e o planeta é capaz de suportar até 10 bilhões. O que acontecerá conosco quando ultrapassarmos esse número? Só posso dizer que a situação é preocupante e que me fez parar para pensar... Espero que o livro também tenha o mesmo efeito em outros leitores. 

Tom Hanks (e sua peruca!)
como Robert Langdon
Soube que a Sony desistiu de filmar "O Símbolo Perdido" e vai começar a filmar "Inferno", com Tom Hanks repetindo o papel de Langdon e estreia prevista para 2015. O mais interessante é que, quando Tom Hanks foi anunciado para ser Robert Langdon na versão cinematográfica de "O Código da Vinci", eu torci o nariz.

Imaginava alguém como Russel Crowe ou George Clooney na pele do professor. Mas depois que vi o Langdon competente do Tom Hanks, não consegui visualizá-lo de forma diferente nem enquanto lia "O Símbolo Perdido" e muito menos em "Inferno". Só espero que ele mude um pouco aquele penteado horrível que arranjaram para o personagem... hahaha!

Charlize Theron como Sienna
Brooks? Quem sabe...?

Quanto à Sienna... Charlize Theron seria ótima para o papel. Enfim, Dan Brown continua sendo Dan Brown. E eu continuo sendo fã dele, que não me decepciona.

Beijão e até a próxima! o/ (Stef Rhoden)





Trilha sonora: Primeira parte da "Sinfonia Dante", de Franz Liszt - "Inferno", tocada nos momentos finais da história. 

1 comentários :

  1. Oi adorei sua resenha...mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços. www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem..busca.livrariasaraiva.com.br/saraiva/Reverso
    www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html

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