[CINE AIL] "Obsessão", de Lee Daniels

Sinopse: Em 1969, Hillary Van Wetter (John Cusack) foi condenado pelo homicídio de um xerife sem escrúpulos e espera sua execução. Enquanto aguarda sua sentença final, ele recebe cartas da atraente Charlotte Bless (Nicole Kidman), que convencida de sua inocência, entra em contato com o The Miami Times na esperança de que o jornal mandasse repórteres experientes que pudessem ajuda-lo. O admirado repórter do jornal, Ward James (Matthew McConaughey), chega a cidade com seu colega, o ambicioso Yardley Acheman (David Oyelowo), que vão juntos investigar sobre o julgamento. Durante a investigação, o ingênuo e obsessivo Ward pede ajuda de seu irmão mais novo, o jovem Jack James (Zac Efron), um garoto que acabou de largar a faculdade e mudou-se de volta para sua casa de infância em Lately, na Flórida. Como Jack sempre entregou o jornal local The Moat County Times, administrado por seu pai, W.W. Jansen (Scott Glenn), seu irmão o contrata como motorista e junto com seu colega, acreditam que se conseguirem expor Wetter como vítima de uma justiça caipira e racista, vão se tornar aclamados no mundo jornalístico.

Resenha: Este é um filme ácido, que desce como uma bebida amarga que poderá abater o seu estômago. A fita do diretor Lee Daniels, o mesmo de ‘Preciosa’, que levou o Oscar/2010, na categoria de Melhor Roteiro adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante. Lee destila seu fel com doses de violência e sexo, em uma realidade que aterrissa  nos anos 1960 e 1970.

Ambientar a história numa época agitada nos EUA, em meio à revolução comportamental e social, crise do petróleo, manifestações pela liberdade feminina (queima de sutiãs), viagens espaciais, assinatura da Lei dos Direitos Civis (que proibia a discriminação racial), assassinato de Martin Luther King, ascensão e queda de Richard Nixon, Guerra do Vietnã... Torna-se um verdadeiro desafio decodificar a trama.
Nicole Kidman e Zach Efron 
O cast é muito bem composto e o diretor fez uma escalação “the best”: Matthew McConaughey (jornalista investigativo, obstinado por um furo de reportagem), John Cusack (Hillary Van Wetter - o suposto condenado injustamente), Nicole Kidman (a exuberante Charlote - namorada de Wetter), Zac Efron (com surpreendente atuação, vivendo o irmão de Ward), David Oyelowo (Yardley, jornalista parceiro de Ward) e Macy Gray - outra surpresa pois a cantora faz bonito atuando (interpreta uma empregada e também narra todos os acontecimentos).
McConaughey e Efron
Sob o calor escaldante da Flórida, os personagens descobrem que nada será tão fácil. A realidade leva a fita a romper expectativas sobre o enredo que traz a crueza da realidade. O grande motor imaginativo nos leva a várias interpretações prematuras, julgando personagens e ambientes, mas na verdade estamos às cegas. A plasticidade fílmica é perfeita. O diretor é contundente na caracterização da época e nos apresenta um início idêntico aos documentários dos anos 1970 e a mesma situação ocorre com a fotografia e o figurino não deixa nada a desejar. Voltamos no tempo, por quase duas horas, ao fetiche ‘setentista’.

O somatório de quadros com fervor sexual, brutalidade e discriminação resulta numa película que cruza inevitavelmente com a direção ‘Tarantiniana’, com diferenciadas abordagens e variadas homenagens.

As cenas de violência exacerbada são deixadas para Matthew McCounaughey e John Cusack. Com eles, revisitamos Pulp Fiction – Tempo de Violência, o poderoso thriller de Quentin Tarantino.
Nicole Kidman
O filme, quadro a quadro, vai elevando a temperatura e se mostra quente o suficiente para fazer a plateia suar. Nicole Kidman está ímpar. Numa das cenas, ela relembra Sharon Stone em Instinto Selvagem - porém menos discreta e muito mais ousada. Ela protagoniza outra cena na praia, que é uma alusão /  homenagem a Roman Polanski em seu sensual ‘Lua de Fel’. Mas não é só ela mexe com a imaginação do espectador pois Zac Efron também abusa de sua jovialidade viril.

Com certeza a grande obsessão é o ato cíclico de seus personagens, que perpassa pela ideia fixa do jornalista pela verdade, a insistência de Charlotte por Hillary, a paixão deslumbrada de Jack por Charlotte e a insistência de Yardley por respeito e igualdade.
Cusack e McConaughey
O filme tem incômodos mas é um verdadeiro soco no estômago. Tratando de disseminadas questões e colocando o público a procurar respostas ao decorrer dos fatos. Incongruentemente, não tem a intenção de alimentar discussões após a projeção pois ficamos entre Deus e o diabo, entre a inquietude e o pecado e, claro, com um gosto amargo na boca.  Se vocês vão concordar comigo? Bem, só correndo às salas de cinema para fazer o tira-teima... (Eleni Rosa)

Assista abaixo o trailer (legendado em português)

0 comentários :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...