[CINE AIL] "Bling Ring - A Gangue de Hollywood", de Sofia Coppola

Sinopse: Nicki (Emma Watson), Marc (Israel Broussard), Rebecca (Katie Chang). Sam (Taissa Farmiga) e Chloe (Claire Julian) - entre outros jovens de Los Angeles - têm em comum uma vida meio vazia, de pais ausentes, como Laurie (Leslie Mann), mãe de Nicki, que não tem a menor noção do que as filhas estão fazendo nas ruas, durante o dia e, pior, durante a noite. Fascinados pelo mundo glamuroso das celebridades das revistas, como Paris Hilton, e artistas como Kirsten Dunst, o grupo começa a fazer pequenos assaltos na casa dessas pessoas, quando descobrem que entrar nas residências deles não é nada difícil. Cada vez mais empolgados com "os ganhos", o volume dos saques desperta a atenção das autoridades, que decidem dar um basta nos crimes dessa garotada sem limites. Baseado numa história real.

Resenha: O filme está quase saindo de cartaz, mas assisti. Não apresenta nenhuma estrela de alta grandeza do “ranking hollywoodiano”, mas o detalhe está na assinatura da direção - Sofia Coppola. Então, vale os comentários...

Filmes de Sofia Coppola? Apenas assisti Maria Antonieta, com aquele inesquecível guarda-roupa...  Bling Ring – A Gangue de Hollywood faz Sofia ir além do exercício de observação da banalidade. Ela foca a cultura do gângster e mostra, nas telas, a atual imagem da celebração do gangsterismo romantizado nos EUA.

A atriz inglesa Emma Watson - a mais famosa do grupo, eternizada no papel de Hermione Granger da saga Harry Potter - faz sua tarefa de casa direitinho. Com caras e bocas, se faz de sonsa, sensual e debochada, convencendo o espectador. 
 
O filme mostra o culto às celebridades, o mundo da futilidade, o consumismo, o incentivo à esperteza, confundindo ‘gangsterismo’ e a imagem ‘glamurizada’ de bandidos como a dupla Bonnie & Clyde.  Está é a imagem que a lente da diretora nos revela.

A trama conta a história de um grupo de adolescentes que invadem mansões de celebridades - deixadas inabitadas, por motivo de viagem ou férias - dos seus proprietários e comete uma série de assaltos em Los Angeles.

Eles furtam astros que invejam como Lindsay Lohan e Paris Hilton – a diferença é que não é apenas ficção, o filme é baseado em fatos que estamparam tabloides americanos.
A preferência dos jovens era por objetos que ostentavam marcas como Chanel, Gucci, Tiffany, Cartier e Marc Jacobs. Entre 2008 e 2009, a gangue furtou o equivalente a 3 milhões de dólares em roupas, joias e peças de arte.

Entre um golpe e outro, é possível perceber que não há volta, que não há limites para uma garotada que acha que tudo pode, sem expressar um pingo de culpa. Desde o roubo de carros - para uma simples voltinha -, ao furto de objetos no interior dos ‘possantes’ ou a brincadeira perigosa com armas e drogas, eles não param. As frustrações desse grupo são resolvidas com o poder em divulgar as imagens das grandes ações de furtos na internet, um flerte com a notoriedade pública. Afinal, ninguém é celebridade se a fama não é divulgada e como conseguir seus 15 minutos de fama 'à la Andy Warhol’ e, claro, sem contar o perigo de ser pego pela polícia, encarado como pura adrenalina?

De repente, ao longo do filme, pode-se achar que uma Coppola poderia fazer muito mais e melhor. Ou pensar que há algo errado, que as cenas estão sem conexão, talvez falte uma ligação, um aprofundamento... Essa visão desconexa é proposital pois demonstra o universo que vivem aqueles jovens ricos, rasos e vazios.


No momento que ocorreu a invasão à primeira mansão, veio à memória outra fita, porém com aspectos nada frívolos e muito menos fúteis – The Edukators, um filme de 2004, do diretor alemão Hans Weingartner, que mostra a indignação de um grupo de jovens pelo sistema social/econômico/político de seu país e para externarem seus pensamentos eles invadem mansões, trocam os moveis e objetos de lugar e espalham mensagens de protestos. São jovens que acreditam que podem mudar o mundo. Não poderia ter visão mais antagônica...

Como os universos são tão díspares. O de Sofia traz o capitalismo e sua juventude perdida no consumismo e na glamurização do mundo das celebridades, a voracidade em consumir os leva a ser consumidos. O de Hans mostra o engajamento de jovens na luta por uma causa, protestando contra a diferença de classes sociais, com desfecho que vai além do protesto. 

Assistir Bling Ring nos obriga um olhar mais atento e crítico pois Sofia Coppola joga na tela um fato, mas não aleatoriamente. É uma grande denúncia, um questionamento de como está a educação de jovens de classe média alta em seus país, como os pais lidam com situações relacionadas aos seus filhos e como essa juventude resolve suas frustrações, como é o seu olhar para si e como vê o que está a seu redor. A diretora faz uma denúncia...

Penso que o filme traz uma grande análise comportamental da sociedade contemporânea, porém sem dar de presente o que se deve achar e sim colocando o cinéfilo a pensar. 

Estão aí duas dicas:  Bling Ring – A Gangue de Hollywood e The Edukators.  O primeiro, vocês terão que correr para assistir na telona, pois como inicio essa resenha, o filme não demora sair de cartaz. O segundo só em DVD ou Blu-Ray. (Eleni Rosa)
Assista o trailer oficial

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