[RESENHA] "O Pacto", de Joe Hill

Capa da edição brasileiro
(Editora Sextante)
Sinopse: Ignatius Perrish e Merrin Williams se conheceram muito jovens e o amor que nasceu entre eles era tudo o que duas pessoas podiam desejar na vida. O que não imaginavam era que, depois de quase uma década, sua história estaria fadada a terminar numa terrível tragédia. Merrin foi estuprada e morta em condições inexplicáveis e todas as suspeitas recaíram sobre Ig. Após um ano vivendo num purgatório de sofrimento e solidão, ele acorda certa manhã com uma enxaqueca terrível e descobre algo aterrador: havia criado chifres durante a noite. A primeira coisa que pensa é que se trata de uma alucinação, fruto de sua mente perturbada e deprimida. Mas logo percebe que os chifres são reais e têm o poder de impelir as pessoas a confessar seus pecados.

"O Pacto é uma história muito bem elaborada e com grandes méritos intelectuais. Este livro não apenas diverte o leitor, como também o desafia a refletir". -  The New York Times

Resenha: Confesso que, até ouvir os rumores a respeito deste livro, não fazia ideia da existência de Joe Hill. Menos ainda que um romance com uma história no mínimo extravagante iria me surpreender de várias maneiras.
É com esta certeza que digo que "O Pacto" possui, do início ao fim,  uma gama de simbolismo - por detrás dos dogmas - muito presente,  sejam nas menções à "Criação do Mundo", aos "Pecados Capitais", à "alusão da redenção" através da morte e, por fim, à constituição da capa com imagens bem sugestivas.
O livro faz com que o leitor reflita até que ponto podemos confiar no próximo. E até que ponto o "próximo" é exatamente  quem demostra ser ou o que desejamos que seja? E vai além, ao insinuar que as maiores mazelas desta vida não são causadas por forças sobrenaturais, mas pelo próprio homem que, por ser imperfeito, está sujeito a cometer erros. Estes, na maioria das vezes, irreparáveis.
Talvez por já ter vivenciado algumas decepções ao longo dos meus anos de vida, tenha entendido onde o autor quer chegar com tais reflexões. Sim, queridos leitores, "O Pacto" possui uma profundidade que somente lendo-o vocês entenderão o que estou tentando expressar em poucas palavras.
O que é importante ressaltar, no entanto, é que Joe Hill fala sobre Diabo e Demônios. Sim, com toda certeza, a história se sustenta nestes dogmas! No entanto,  Hill não se atém apenas a estas figuras históricas que todos já ouviram dizer por aí. A intenção dele, na realidade, é apontar para o Diabo e os demônios que existem dentro de cada um de nós. A eterna luta entre o bem e o mal. O embate que põe à prova nossa índole como ser humano. Em outras palavras, Hill "cutuca a ferida"!
" Quando  as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno,  ser o diabo não é tão mau assim"
Me arrisco em dizer que tal ferida é personificada através de Ignatius Perrish.  E através deste protagonista, o autor levanta questões como: até que ponto conseguimos conviver com os nossos próprios demônios? Até onde temos forças para provar quem somos realmente nesta vida? Vale a pena lutar por um ideal ou é mais fácil se deixar levar pelo momento e sentimentos, aceitando os agouros da vida?
Em meio a isto, o leitor se depara com sentimentos como amor, traição, vingança, a dor da perda, inveja e felicidade. Estas emoções são exploradas com maestria e com tanta intensidade pelo autor, que nos faz entender o quanto o perdão, a amizade e a confiança são mais importantes e maiores do que qualquer rancor causado por alguma mágoa. E quando isso acontece, a redenção se faz presente.
O simbolismo nesta trama é caracterizado pela perspectiva do personagem Ig que passa toda a história com estes questionamentos, sofrendo uma decepção atrás da outra e tirando lições de vida também. E talvez seja neste ponto que o leitor perceba uma abordagem relativa à religiosidade e à fé; à purificação e a "danação". Estes símbolos - como o crucifixo de Merrin, o gato preto, as cobras, o tridente e a casa na árvore (alusão ao paraíso) - movimentam a trama do princípio ao fim. E, apesar de serem os eixos de sustentação, estes símbolos possuem uma perspectiva de plano intermediário.
A sacada do autor em dar vida a uma história com narrativa "não-linear" foi bem inteligente pois o leitor é apresentado ao famoso "vai e vem" cronológico de forma que possa entender os fatos e, também, a construção e a importância de cada personagem dentro do contexto. Uma manobra feita com perfeição por Joe Hill, que utiliza esta técnica na medida certa e de forma brilhante, não deixando o texto pesado ou cansativo.

Em suma, "O Pacto" é um romance contemporâneo e bem realista em seus fatos - lidando com questões sobre o "eu interior" de cada um - com uma pitada de surrealismo aceitável.

Sendo assim, para aqueles que curtem uma leitura intimista e subjetiva, recomendo o livro. E fazendo um adendo, atrevo-me a dizer que Joe Hill é uma grande aposta para a literatura fantástica na atualidade. #ficadica...
Ah, sim! A adaptação cinematográfica está mais do que confirmada e a todo vapor!!! Não possui data prevista de estréia mas a produção é de Cathy Shulman e Peter Guber, o roteiro de Scott Bunin e a direção de Alexandre Aja. 

E para aqueles que ainda não sabem, quem interpretará o personagem principal no cinema é
Daniel Radcliffe... o eterno Harry Potter!!!




O Pacto

Sobre o autor
Joe Hill
Filho de ninguém menos que Stephen King, Joe Hill herdou o talento do pai e já ganhou diversos prêmios por seus contos, incluindo dois Bram Stoker, o mais importante da literatura de horror. É autor de "A Estrada da Noite", "O Pacto" e da coletânea de contos "Fantasmas do Século XX", todos publicados no Brasil pela Editora Arqueiro. Hill mantém um blog, além de escrever de forma muito ativa e inspirada em seu perfil no Twitter. Ele mora na Nova Inglaterra com a mulher e os filhos.

Fonte: Editora Arqueiro


Ótima leitura a todos!!! Bjins e inté,  Mac Batista.

6 comentários :

  1. A resenha me deixou intrigado sobre a história, mas não ao ponto de procurar conhecer - não critico a resenha, mas o teor da história. Cara! O Daniel é muito baixo...

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  2. Olá Vinícius, tudo bem?!

    Fico feliz por você ter gostado da resenha. Em relação a sua insatisfação pela escolha de Daniel para interpretar o protagonista é até compreensível para quem ainda não leu a história...rsss Mas garanto uma coisa: o biotipo do Daniel condiz muito com o do personagem. Portanto, a escolha ficou a contento...

    Agora se, como ator, ele saberá passar a mesma emoção... aí são outros quinhentos...rsss... Sinceramente, quero conferir esta adaptação... mas irei sem expectativas... é sempre bom!!! rss..

    Obrigada pela visitinha... volte sempre que quiser e puder, ok?!

    Bjins e inté...

    Mac Batista

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  3. Ameeei a resenha!!!! Baixei o e-book e lerei hj!
    Beijoooos

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    1. Que bom que você gostou da resenha! Depois me diz o que achou do livro, blz?! bjins e inté Mac.

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  4. Fico bem intrigada pelo fato do livro mencionar muitas vezes, blasfêmias sobre a religiosidade ao ponto de não conseguir distinguir este outro lado da história que mencionou. Cheguei a comprar o livro por gostar bastante do autor Joe Hill e de suas outras obras muito surpreendentes na qual, também mencionam blasfêmias porém, superficiais e irrelevantes, portanto queria muito saber se essa questão de difamação leva o leitor a entender o livro de uma forma voltada mais pro "anticristo". Desde já obrigada!

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    Respostas
    1. Oi Anne, tudo bom?
      Bem eu costumo dizer que interpretação textual - e qualquer outra - sempre será subjetiva. E quando esta interpretação está atrelada aos dogmas que sustentam nossas crenças, independentes de quais sejam, é preciso nos distanciarmos daquilo que é objetivo para entendermos o quê o outro está querendo dizer. Isto é algo que pratico diariamente na minha vida e, até o momento, tem dado hiper certo! rss... É claro que o leitor não está livre de ter a interpretação que você citou (anticristo). Como, também, pode ter uma interpretação parecia com a minha. É tudo muito relativo. E a conclusão final condiz muito com a concepção que cada leitor tem a respeito do mesmo assunto. Lembre-se: Literatura nunca, jamais será exata! Ela sempre estará sujeita as várias interpretações sobre o mesmo assunto! rs
      Bjs bjs Mac Batista

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