[CINEBOOK] "O Homem de Aço", de Zack Snyder

Cartaz nacional
(Warner Bros /  Legendary Pictures)
Sinopse: Um garoto descobre ter poderes extraordinários e não ser do planeta Terra. Ao se tornar um jovem homem, ele viaja para descobrir de onde veio e a razão pela qual foi enviado. Mas o herói dentro de si deve se manifestar se ele quiser salvar o mundo da aniquilação e se tornar um símbolo de esperança para a humanidade.

Direção: Zack Snyder
Roteiro: David S. Goyer
Elenco: Henry Cavill, Russel Crowe, Kevin Costner, Diane Lane, Michael Shannon, Amy Adams, Laurence Fishburne e grande elenco | Site Oficial 

Trecho: "Você não é qualquer um. Um dia, você terá de fazer uma escolha.Terá que decidir que tipo de homem quer ser quando crescer. Seja esse homem quem for, bom ou mau, ele vai mudar o mundo" (Jonathan Kent)




Resenha:
Ouvi dizer que "a expectativa é a mãe da decepção". E é a mais pura verdade. Quando esperamos muito de algo (ou alguém), geralmente tomamos um tombo emocional grande. E com filmes não é diferente. Mas deixe-me contar algo interessante... Mesmo antes de eu ter a mais tenra e nítida lembrança, meu super-heroi favorito de minha infância sempre foi o Super-Homem.

(Sim. Quando eu não ainda tinha rugas no rosto nem cabelos brancos, os gibis que vinham para nosso país tinham os nomes de seus heróis traduzidos ou adaptados para nossa língua - assim como o é em qualquer país)
Clark Kent (Henry Cavill) antes de se revelar ao mundo
como Superman
Eu fiquei mesmo vidrado quando vi o célebre primeiro filme estrelado pelo saudoso ator Christopher Reeve - ainda hoje, considerado o mais carismático a interpretar o personagem. Ele conseguia passar toda a timidez de Clark Kent e, ao mesmo tempo, mostrar que Superman era outra pessoa completamente diferente, mesmo que tentassem olhar fixamente para seu rosto. Em minha mente, o melhor do ser humano era ser como aquele heroi de capa: honesto, sincero, ícone da moral e bons costumes, galante... Bom mas não "bonzinho".

Pra mim, ele nunca foi o tal "escoteiro" ou bobalhão que muita gente tentava pintar. Ele era, simplesmente, o maior heroi de todos os tempos. Quando o comparavam com Moisés ou Jesus Cristo, fazia um pouco mais de sentido do que alguém de quem todo mundo se aproveita porque sabe que não vai revidar. Ele era um personagem que se continha por conta, justamente, de saber o mal que causaria se liberasse uma raiva sobre-humana.
Jor-El (Russel Crowe),
 pai biológico do nosso heroi
E foi com isso na cabeça que fui assistir essa releitura entitulada "O Homem de Aço", com o inglês Henry Cavill (do seriado Os Tudors) no papel principal e dirigida por Zack Snyder (de 300 e Watchmen).

Confesso que isso foi um grande erro por exatos dois motivos...

Primeiro porque eu não esperava nada muito do filme. Em minha opinião, ainda era difícil superar a emoção que senti quando criança, mesmo que a película dirigida por Richard Donner fosse uma aventura ingênua e com um roteiro cheio de buracos. Mesmo assim, a história te capturava pela emoção. Quem nunca sofreu algum tipo de preconceito, como não ser aceito na turma de "descolados" na escola ou no trabalho?
Superman entrega-se ao exército
Segundo porque eu já tinha assistido "Superman - O Retorno", dirigido por Bryan Singer. E não tinha gostado de nada. Se nada havia funcionado antes, por que este novo filme seria diferente?

Com todas as expectativas em baixa, verifiquei que sim, "O Homem de Aço" era muito superior ao fracassado filme anterior. Mas só isso. Muitos tem alardeado que é o melhor filme do Superman já feito até hoje, coisa e tal. Não é. Ele apenas fez "o dever de casa". Claro que pegar os mesmos roteiristas que tiraram o Batman do ostracismo depois dos famigerados filmes da era Tim Burton / Joel Schumacher ajudou bastante. Claro que ter o diretor Christopher Nolan na posição de produtor executivo - aquele que orienta a direção do projeto - também tornou tudo mais fácil para Zack Snyder poder trabalhar em paz.
Superman enfrenta Zod
e deixa um rastro de destruição... 
Mas o filme tem três graves problemas que deveriam ser resolvidos antes de chegar aos cinemas.

O ritmo da trama é claudicante! Embora muitos pensaram que ter uma história cheia de flashbacks fosse atrapalhar o desenvolvimento, isso tornou tudo um tanto mais dinâmico em termos narrativos. Mas, curiosamente, esse detalhe de execução, em algumas partes, deixou o conjunto confuso e lento.

Mesmo que temos bastante ação narrativa no início da história, mostrando o planeta Krypton antes e durante a destruição iminente - e seu visual era uma mistura do planeta Pandora do filme Avatar com diversos visuais extraídos de muitos gibis (como algumas histórias já clássicas desenhadas por Mike Mignola - hoje, criador do Hellboy - ou mesmo "O Legado das Estrelas", escrito por Mark Waid) -, a trama introspectiva em que vemos Clark enquanto criança e adolescente tentando entender sua natureza é um tanto enfadonha para um filme do gênero. Isso já se via no primeiro trailer divulgado que me deu a impressão de estar vendo uma nova adaptação de "O Velho e o Mar" (livro escrito por Ernest Hemingway).
Jonathan (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane):
pouco tempo em cena
O roteiro - escrito a quatro mãos por David S. Goyer, baseado numa ideia que ele e Nolan tiveram - esboça apenas uma introdução ao universo do personagem, apagando muitas coisas ditas antes, inclusive nos quadrinhos, para criar uma nova síntese, extremamente séria, sisuda e que, ao contrário do clássico filme de 1978, não nos captura pela emoção em momento algum. Temos apenas um relance emotivo numa cena especialmente criada onde Jonathan Kent, o pai adotivo de nosso heroi (vivido pelo veterano ator Kevin Costner), aproxima-se de Clark após este se envolver numa discussão com alguns garotos.

O conselho que Jonathan dá é algo realista o suficiente para levarmos pro resto da vida. E Clark estava lendo um livro com pensamentos de Platão! Mas, infelizmente, essa é a única parte que me fez achar que havia esperança de um ótimo filme a caminho.

Mas, infelizmente, Diane Lane - que interpreta Martha Kent, sua mãe adotiva - não teve a mesma sorte e sua participação, além de quase nula, não lhe reserva espaço suficiente para mostrar o talento que tem. Quem sabe na próxima...?

Mas nada supera a falta de tato do diretor Zack Snyder para arrancar de seus atores a atuação necessária à cena. Isso já havia provado sua inaptidão cênica em Watchmen e Sucker Punch - Mundo Surreal, onde cenas que deveriam ter desenlace dramático suficiente para levar às lágrimas acabavam se resolvendo de forma estética, geralmente saturando a tela e dando a impressão de assistir algo "épico". Nosso novo Superman fala pouco, tem seus dramas resolvidos por suas ações frenéticas que passam longe da emoção. Não conseguimos torcer por ele em nenhum momento!!! E isso é muito ruim quando se trata de nosso maior heroi, mesmo quando há uma grande destruição comandado por um super-vilão (General Zod, vivido pelo caricato Michael Shannon). Não à toa, Snyder era diretor de videoclipes musicais...

E também não podemos esquecer dos coadjuvantes desnecessários como Perry White (vivido por Laurence Fishburne e que já virou piada no mundo inteiro uma vez que o personagem é caucasiano nos quadrinhos), que, mesmo sendo o editor do grande jornal Planeta Diário - e, na história, ele age realmente como um editor agiria! - não tem importância vital à trama, somente salvando uma personagem chamada Jenny (vazou na internet que ela seria Jenny Olsen que, supostamente, substituiria Jimmy Olsen, famoso fotógrafo do jornal mas o sobrenome dela nem é citado por conta da péssima repercussão disso pelo mundo afora).
Perry White (Laurence Fishburne) e Lois Lane (Amy Adams):
personagens irrelevantes
Mesmo assim, temos de admitir que o ator Henry Cavill realmente é o que mais se parece com o personagem FISICAMENTE falando. Ainda falta bastante para que ele chegue à essência do que seria o ideal mas temos de admitir que o roteiro não o ajudou nesse sentido... E tá todo mundo dizendo que esta Lois Lane (desta vez, a atriz Amy Adams) é a que tem mais importante versão de todos os tempos da última semana...

Besteira.

Em determinado momento, a personagem entra em cena sem explicação, para, depois, justificar sua presença à resolução da trama. Uma pena pois nunca achei que Margot Kidder (que interpretou Lois Lane no clássico de 1978) fosse inútil ou mesmo feia como tanto gostam de comentar.

E a polêmica resolução da briga com Zod NÃO atualiza o heroi para este novo século que vivemos. E é até curioso que isso ocorra num filme que tem crianças e adolescentes como parte do público-alvo...
General Zod (Michael Shannon):
embora caricato, personagem interessante
Resumindo: não veja em 3D pois não vale a pena. Vá sem sono pois o filme é cansativo. E ainda não temos O filme do Superman. Acredito que, se utilizarem as poucas ideias interessantes dessa história (Dr. Hamilton, um importante personagem nos quadrinhos, dá o ar da graça e promete algo precioso numa continuação; Pete Ross, o amigo de infância de Clark que foi o primeiro a descobrir sua identidade secreta nos quadrinhos, tem um instigante plot twist durante a história, dentre outros), o segundo filme será algo sensacional.

(Ou não.)

Quando criança, Kal J. Moon usava óculos, corria pela casa com uma toalha vermelha amarrada no pescoço, cantarolando, o tempo todo, o tema composto por John Williams... Tá explicado!

Trailer Oficial Legendado em Português

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