[RESENHA] "Luxúria", de Eve Berlin


Sinopse: Dylan Ivory é uma autora de romances eróticos e seu próximo projeto trata de escravidão e sadomasoquismo. Ela é aconselhada a procurar Alec Walker, um conhecido dominante dos clubes de Seattle. Mas ela não contava se apaixonar por ele...


Título: Luxúria
Autora: Eve Berlin

Ed. Lua de Papel | 2012 | Brochura | 256 páginas

Resenha: E mais uma vez, vou falar sobre um romance erótico, mas devo dizer que estou, realmente, me cansando. Não, esta não será a minha última resenha sobre o gênero, afinal, ainda falta o último volume da trilogia Cinquenta Tons para falar, ler ansiosamente o último volume de Crossfire e as continuações de Luxúria e Inferno de Gabriel. Mas estou ficando um pouco saturada devido a todos os clichês e paralelos que existem entre eles. Claro que cada um tem o seu charme. Porém, parecem ter saídos todos da mesma forma e me deixam com a impressão de que apenas um tipo de coisa é sexy.

Entretanto, preciso dizer que, depois de Cinquenta Tons de Cinza (no meu coração, ninguém jamais ocupará o lugar de Christian Grey), Luxúria foi o livro que mais me agradou. 

Alec novamente se inclinou por cima da mesa, segurando a mão dela. A mão dele era grande e envolvia a dela com calor e força.– Dylan, deixe-me fazer uma proposta a você. Submeta-se a mim.Ela tentou desvencilhar a mão, mas ele a segurou firme.Seu olhar estava mergulhado no dela, incrivelmente convincente, de um azul cintilante.– Tente –, ele continuou. – Sinta sua reação. Se lhe parecer que estou certo, você terá aprendido algo a seu respeito e conseguirá uma pesquisa bastante pessoal e exclusiva para seu livro. E, se eu estiver errado, bem... mesmo assim terá feito alguma investigação.

Já haviam me recomendado o livro anteriormente aqui no AIL, mas ele nunca havia sido uma prioridade de leitura para mim. Mês passado, decidi me tornar uma pessoa mais culta e resolvi tentar comprar audiobooks para acrescentar mais cultura e informação aos meus dias. Então, para saber se eu teria paciência para ficar ouvindo um livro de História do Brasil, resolvi procurar primeiro um romance bobo para ver se conseguia prender minha atenção. Foi quando encontrei Luxúria.

Resultado: eu mal pude fazer qualquer outra coisa que não fosse ouvi-lo ou lê-lo, já que ele passou a ser uma prioridade... 

– Costumo complicar as coisas. Não sei como fazer de maneira simples.– Talvez possamos aprender isso juntos.De repente, ela queria exatamente isso. Estar com ele, aprender com ele. Crescer com ele. Nem sabia, de fato, o que isso significava exatamente. Mas, de qualquer forma, não queria admitir.Você está caída por ele.
Não.Mas era verdade. Ela estava se encantando, muito e de modo rápido, e, quando finalmente chegasse ao fundo, iria ser uma tremenda confusão.Não faça isso.
Mas estava acontecendo, gostasse ou não. Não podia se conter.Não havia outra saída senão seguir adiante, para onde quer que aquilo levasse. 

Comecemos pelas personagens principais. Dylan Ivory é uma mulher mais velha e mais madura do que as demais mocinhas. Ela já está na faixa dos trinta anos, não é casada, não tem filhos e poucos amigos. Relacionamento com as pessoas é algo que ela evita devido a um passado triste. Bem, desta vez, a problemática é a mocinha. Eva, da trilogia Crossfire, tinha um passado triste, mas não evitava relacionamentos. Ana, de Cinquenta Tons, também não tinha problemas de relacionamento, apenas nunca havia conhecido alguém, de fato, interessante. Mas Dylan escolhe esse estilo de vida. É independente, forte, decidida, controlada (todo o bláblá de sempre), mas aqui, um ponto altíssimo: ela não tem o nhénhénhé das mocinhas mais novas. Ela não é uma garotinha e nem mesmo se deixa envolver com questões femininas que nós, mulheres, adoramos. É uma mulher adulta, bem resolvida, aberta sexualmente. Ela é mais ela. Simples assim. E eu virei fã dela. 

Alec Walker. Este também me fez virar fã dele. Simplesmente porque ele não mudou ao longo do livro. Quero dizer, Eve Berlin não escreveu dois personagens, um antes de se apaixonar e outro depois de se apaixonar, ele se mantém constante em toda a história. Alec começa o livro como um bom dominante, um homem confiante. Dylan o acha arrogante a princípio, mas eu apenas achei que ele era um homem que sabia o que estava fazendo. Desde o começo, ele é um cara legal e mostra-se atencioso o tempo todo. É educado, gentil, inteligente, atencioso. Não se transformou ou virou um moloide porque se apaixonou. As mudanças que o amor causou em Alec foram bem mais sutis, levaram-no a questionar o que estava acontecendo com ele e se suas escolhas eram, de fato, tão acertadas quanto ele pensava ser. Ao contrário dos demais, Alec não é um bilionário ou riquíssimo. É um escritor de thrillers psicológicos, tem uma bela casa, um bom carro e é apaixonado por motos. Inclusive, todas as suas descrições são bem clássicas do badboy: calças jeans, camisas pretas, casacos de couro, tatuagens, cavanhaque... Só faltou o brinco da orelha esquerda e o rock pesado no som do carro. Mas, surpreendentemente, ele gosta música clássica (como todos os outros mocinhos, mas é estranho imaginar Alec ouvindo Chopin). 

A narração também é onisciente, centrando às vezes em Dylan e outras vezes em Alec. É interessante porque podemos conhecer a estrutura psicológica dos dois. Em contrapartida, tira um pouco da surpresa - mas é só uma opinião de quem adora narrações em primeira pessoa. O livro é muito bem escrito e amarrado. A história se passa num período "razoável" para que Dylan e Alec se envolvam. Ok, talvez um pouquinho rápido, mas eu consigo engolir. Nada como a trilogia Crossfire que eu tanto critico neste ponto. O vocabulário usado é interessante, talvez porque os dois personagens sejam escritores. Nada rebuscado, porém são diálogos inteligentes e as palavras não são tão usuais nesse gênero. 

Sobre as cenas... Elas são quentes! Bastante! :x

O sadomasoquismo, como uma leitora do AIL disse uma vez, é retratado de uma forma quase didática. É possível entender o que se passa na cabeça de um dominante e de uma submissa. As descrições do clube Pleasure Dome, que Alec frequenta, são tão interessantes que eu me senti lá dentro, sentindo toda a atmosfera do lugar. Mas não achei muito melhor do que Christian Grey e Anastasia faziam. Na verdade, Christian pegava leve com Ana, em comparação a Alec e Dylan

Mas o livro também tem seus pontos baixos. Como todo romance, há clichês. Muito embora aqui a problemática seja Dylan e não Alec. Ainda assim, são pessoas que nunca se apaixonaram na vida e nunca haviam repensado seu estilo de vida antes do encontro. As conversas entre Alec e Dante, seu melhor amigo, são extremamente femininas! Eu quase tinha crises de risos quando havia algum diálogo entre os dois porque homens não conversam entre si daquele jeito! Quando as autoras irão entender que homens não falam de relacionamentos e sentimentos como nós mulheres?

Enfim! Pretendo ler em breve - mas muito breve mesmo - o próximo livro da trilogia: "No Limiar do Desejo". E venho correndo contar para vocês. 

Um beijo grande! (Stef Rhoden)


Sobre a autora

Eve Berlin mora em Hollywood e dá aula de Pilates nas horas vagas. Também escreve romances como seu alter-ego Eden Bradley, mas eu desconfio que Dylan seja uma versão dela mesma...
 


10 comentários :

  1. Eu li os 50 tons, porém não consegui chegar até o final da trilogia justamente por causa dos clichês... nem cheguei a ler outro livro da linha erótica pelo mesmo motivo, parece que todos saíram, se não da mesma caixa, do mesmo autor rsrsrs Eu gosto mais de ler ficção ou policiais, de vez em quando leio um romance água com açúcar, mas leitura erótica não me agrada muito. Até porque, na vida real, quando duas pessoas se encontram de comum acordo somente para sexo, pode acontecer da mulher se apaixonar pelo cara e não os dois se apaixonarem perdidamente e terminarem juntos e felizes para sempre.

    Aguardo vc no meu blog, caso queira retribuir minha visita, é só clicar no meu nome que você vai direto para lá... bjksssssssss

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  2. Puxa vida! Que legal! FINALMENTE, li um comentário feminino parecido com o que acho! Jac tem toda a razão e é por isso que fujo muito de livros do gênero... Obrigado pela visita, Jac e volte sempre!!! (KJM)

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  3. Parabéns pela resenha. Muito boa.
    De uma forma geral acho que os clichês em se tratando de amor e sexo sempre irão ocorrer pq é mais ou menos igual p'ra todo mundo. E tratando-se de sadomasoquismo chega uma hora que não tem mais o que inventar.
    Eu não li 50 Tons de Cinza. Depois que li alguns trechos do livro, achei a narrativa muito fraca e me desinteressei. Este Luxúria me interessou mais.
    Quem quiser dar uma opinião sobre algo que estou escrevendo, ficaria muito grata. https://www.facebook.com/amaldicadodeevaromance
    Obrigada, beijos.

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  4. Amei a resenha vi esse livro quando fui recentemente em uma livraria,gostei da capa e pede pra uma amiga postar a resenha ela nao o fez e resolvir procurar....em questao de livros eroticos estarem saindo de tudo que é lado concordo com vc ja esta cansando,foi so #50tons fazer sucesso pra surgir mas talvez os escritores so estavam esperando uma oportunidade pra lançar.E outra ninguem nunca tinha lançado livros eroticos antes de #50tons pelo menos no Brasil,como viram que o genero agradou estao colocando tudo que é livro pra vender....eu posso ler mil livros eroticos mas nenhum vai fazer o mesmo efeito que #50tons fez em mim ;)

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    1. É, Ticiane.... Christian Grey é único!!!

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  5. por onde vc baixou o audiobook de Luxúria ??

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    1. Pôxa, Arielen... Não me lembro mais. Acho que joguei no Google algo como: audiobooks download e acabei encontrando.
      Infelizmente eu sequer tenho ainda...

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  6. Concordo plenamente, no meu coração, ninguém jamais ocupará o lugar de Christian Grey <3

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