[CINEBOOK] "Terapia de Risco", de Steven Soderbergh

Cartaz nacional
(Diamond Films Brasil)
Sinopse: A história começa com foco no casal Martin (Channing Tatum) e Emily (Rooney Mara), que poderia ser o modelo perfeito do sonho americano, mas devido à crise financeira algumas coisas não dão certo e Martin é preso depois de fraudar o mercado de ações de Nova York.

Resenha: Quem assistiu ‘Che’, ‘Onze Homens e um Segredo’, ‘Solaris’, ‘Full Frontal’? Ninguém? Com certeza, alguém assistiu aos vencedores do Oscar 'Traffic' e 'Erin Brockovich'. Então sabe quem é o diretor Steven Soderbergh. Sim, ele é o diretor deste longa à la Hitchcock.

Neste filme há um hiato: fotografias maravilhosas de uma Manhattan perfeita, tanto de dia quanto à noite sob as luzes artificiais. Os enquadramentos realizados de longe e o contraste da vida boa do casal, refletida com dias ensolarados e do drama que nos coloca imagens de dias nublados ou chuva é pontual.


Emily (
Rooney Mara) é uma jovem que sofre de depressão e, após a saída do marido da cadeia, depois de quatro anos de detenção, seu problema se agrava com tendências suicidas. Sua primeira tentativa em dar fim à própria vida ocorre na garagem do prédio onde mora, quando arremessa seu próprio carro contra a parede.  No hospital , conhece o Dr. Jonathan Banks (Jude Law). Para obter uma rápida alta, ela promete ao Dr. Banks visitá-lo em seu consultório.

Martin & Emily
(Tatum e Mara, respectivamente)
Ela inicia o tratamento no qual o médico prescreve drogas experimentais à nova paciente. No início, tudo são flores, o tratamento deixa-a  atenta, eufórica, alegre... Mas depois os efeitos colaterais começam a aparecer.

Martin (
Channing Tatum), seu marido, relata ao Dr. Banks que sua esposa tem ações estranhas e faz as coisas cotidianas na madrugada, dormindo, em pleno ato de sonambulismo. O médico, que procurou relatos de sua paciente com sua antiga psicanalista Dra. Siebert (Catherine Zeta-Jones), resolve manter a medicação. E decisões erradas, somadas a medicamentos não ortodoxos podem ser fatais.

Estamos diante de (mais) um "drama-denúncia" sobre a indústria farmacêutica? Remédios são administrados e seus efeitos colaterais exigem mais remédios para anularem efeitos anteriores. Soderbergh coloca em evidência os incentivos recebidos pelos médicos por meio das grandes indústrias do ramo e questiona a publicidade livre nas mídias mais efêmeras sobre drogas poderosas, instigando qualquer pessoa a consumí-las, devido à promessa de grandes ‘benefícios’ ilustrados nas propagandas, questionando até a psiquiatria... Que coragem...!
Dr. Banks (Jude Law)

Nossa mocinha - tímida, inquieta, vulnerável, inspiradora de cuidados - continua o tratamento. Na tela, percebemos as mudanças de Emily, o tormento mental, a visão distorcida que tem de si - refletida no espelho de um bar, as sombras que observa e a depressão que a assola. Nas tentativas de suicídio dela, o diretor nos remete à placa de ‘SAÍDA’ - quando sua protagonista resolve tirar a vida para terminar com seus tormentos, como se essa fosse sua única saída – assim ocorre na garagem e na estação de metrô. Porém, o uso de vários medicamentos faz com que a vida de Emily tome um rumo que ninguém imagina. 

Dra. Siebert (Zeta-Jones)
Nas idas e vindas do filme, Soderbergh desvia do foco inicial, esquece-se da denúncia e direciona o roteiro para uma quase conspiração. Jude Law ganha o status de 'médico injustiçado', um quase herói, contrapondo com a médica fria e misteriosa vivida por Zeta-Jones.

Mesmo assim o suspense é dos bons. Este filme revela-se uma surpresa agradável, mesclando várias possibilidades e o flerte com Hitckcock é mágico. Parabéns à atriz Rooney Mara, que faz a diferença, uma verdadeira camaleoa... Lembrete: este é o tipo de filme que não ficará em cartaz por muito tempo. Ou vocês correm pro cinema ou aguardem chegar em DVD. (Eleni Rosa)

Trailer oficial

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