[RESENHA]"Ary Barroso – Do Princípio ao Fim", de Diogo Vilela

Quando rezamos para o fim chegar

Cenografia pobre, figurino mais ou menos, iluminação nada atraente, maquiagem / caracterização sem surpresas e músicas sem emoção. Assim é a peça “Ary Barroso – Do Princípio ao Fim”, que ficou em cartaz até o final de março de 2013. Um espetáculo frio, que não preenche o palco do histórico Teatro Carlos Gomes e faz com que o público aplauda de pé apenas por educação.


Nele falta grandiosidade. Afinal, é contada a história de Ary Barroso, uma grande figura de sua época. Compositor de "Aquarela do Brasil", sua mais conhecida canção. Um gênio que além de compositor e pianista, também era radialista, locutor esportivo, jornalista e vereador. O homem jogava nas onze e não perdia um gol!

O espetáculo nos proporciona a estreia do ator Diogo Vilela na direção, que também protagoniza o espetáculo e assina o texto - com supervisão artística de Amir Haddad - porém não é muito feliz pois  não deixa aquele gostinho de quero mais.

A peça tenta remontar o último dia da vida de Ary Barroso. A maior parte do espetáculo ocorre num leito de hospital. Assim, Ary é visitado por integrantes da Escola de Samba Império Serrano, agremiação que no desfile de carnaval de 1964 renderia homenagem ao grande mestre. Nesse encontro, o homenageado recorda passagens marcantes de sua vida.  Suas lembranças ganham vida e se apresentam a uma plateia que devaneia com sua história.

No palco presenciamos seu encontro com personalidades como  Carmem Miranda – A Pequena Notável, Linda Batista, Alda Garrido, Lamartine Babo e Aracy Cortes.


No primeiro ato, revivemos partes interessantes de sua biografia como a aposta curiosa com o torcedor do Fluminense Haroldo Barbosa, no Fla x Flu de 1955, quando o Flamengo perdeu e Ary, rubro-negro roxo,  foi obrigado a raspar o bigode que cultivava com tanto zelo...

Com Diogo Vilela, com ótima interpretação, estão nomes como Tânia Alves (que interpreta Yvonne, a esposa de Ary Barroso) e os cantores Marcos Sacramento e Mariana Baltar, nomes em ascensão na cena do samba carioca, porém figuras mal aproveitadas na peça.



Passamos por um primeiro ato funesto: cabisbaixos, abatidos, murchos... Mas, ‘para nossa alegria’, o segundo ato nos evidencia que a peça poderia ser muito melhor pois o brilho de Ana Baird (Linda Batista) e Reynaldo Machado (Boneca de Pixe), ambos com trabalho de interpretação maravilhoso que, com vivacidade e força, enchem o palco do teatro e encantam a plateia.

O clímax da peça é o momento em que Ary apresenta seu programa de rádio ao vivo e recebe os mais engraçados calouros. Vilela encarna com emoção e carisma a cena e, sem dúvida, faz todos caírem em gargalhadas com as figuras que atravessam o palco com as cantorias mais inusitadas.



A opção pela simplicidade não foi uma ótima escolha. Um espetáculo inédito perdeu o brilho e a empolgação que deveria ter. Resta aos espectadores e amantes do teatro aguardar uma próxima direção de Diogo Vilela pois só assim teremos uma verdadeira impressão desse novo diretor que nasce na cena carioca.

Esta realmente não foi uma estreia com o pé direito para Diogo Vilela, um dos melhores atores de sua geração. Todos devem lembrar-se da tragédia na boate Kiss, em Santa Maria (RS), no fim de janeiro de 2013, episódio que levou autoridades de todo o Brasil a reverem a segurança em lugares públicos. No Rio de Janeiro, não foi diferente e muitos locais foram temporariamente fechados. Infelizmente, uma das interdições ocorreu no Teatro Carlos Gomes, um dos teatros mais tradicionais do RJ. Com isso, o musical sobre Ary Barroso também foi suspenso por algumas semanas, até regularização do espaço. É,Vilela tem que visitar a Igreja do Bonfim antes da estreia de sua próxima direção...

(Eleni Rosa)



Ficha Técnica

Texto e Direção: Diogo Vilela
Supervisão Artística: Amir Haddad
Direção Musical e Arranjos: Josimar Carneiro
Elenco: Diogo Vilela, Ana Baird, Alan Rocha, Esdras De Lucia, Mariana Baltar, Reynaldo Machado e Marcos Sacramento
Participação Especial: Tânia Alves

Músicos:

Saxofones / Flauta: Henrique Band,
Violão / Guitarra: Josimar Carneiro,

Piano / Acordeon: Antônio Guerra,
Contrabaixo: Marcelo Müller

Bateria / Percussão: André Boxexa
Iluminação: Jorginho de Carvalho
Cenário: Beli Araújo,
Figurinos: Pedro Sayad
Preparação vocal: Janaína Azevedo,
Preparação Corporal: Carlos Leça
Direção de Produção: Marília Milanez

1 comentários :

  1. Oi adorei sua resenha....mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos..acesse o link..www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem..

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...