[RESENHA] "O Inferno de Gabriel", de Sylvain Reynard

Sinopse: O professor Gabriel Emerson, especialista em Dante Alighieri, é um homem que vive em seu inferno pessoal. Até o momento em que se vê atraído por Julianne Mitchell, uma de suas alunas...
Ficha Técnica 

Título: O Inferno de Gabriel
Autor: Sylvain Reynard
Ed. Arqueiro | 2013 | Brochura |  512 páginas

Resenha: Antes de começar a resenhar, quero dizer quais foram as minhas impressões e expectativas ao ler a sinopse. 

A capa diz que “um professor atormentado por seus pecados se vê tentado por uma aluna angelical” e no verso fala que Gabriel é um professor misterioso e enigmático durante o dia mas que "à noite se entrega a uma desinibida vida de prazeres sem limites". Logo formei uma imagem mental de Gabriel: um homem bonito, entre os 30 e 40 anos, cabelos pretos, olhos azuis escondidos por um par de óculos e, claro, um corpo perfeito. Imaginei que fosse me deparar com um professor de olhar intenso, um ótimo profissional, é claro, alguém que sabe o que está falando. Sobre o mistério, imaginei que ele desse respostas evasivas a qualquer indício de pergunta pessoal ou um meio sorriso, talvez. Sobre a parte dos prazeres dsem limites, achei que frequentasse à noite um grupo do tipo mostrado no filme "De Olhos Bem Fechados", onde ricos faziam verdadeiras orgias regadas a álcool e drogas. Imaginei que ele fosse olhar para a tal aluna angelical e se sentir mais ou menos como Grey ao perceber que Anastasia não era para ele e que se punia com essa vida por algum segredo obscuro do passado, achando, claro, que não merecia Julia.

Então, abri o livro e... 

- Homem bonito: check!
- Entre 30 e 40 anos: check!
- Cabelos pretos: check!
- Olhos azuis: check!
- Óculos: check!
- Corpo perfeito: check!
- Olhar intenso: check! Quero dizer, ele é descrito como tal, daí a dizer que realmente passa a impressão de serem intensos...
- Ótimo profissional: check! (O melhor da área, claro!)
- Misterioso: Bem, falaremos sobre isso.
- Festas do tipo “De Olhos Bem Bechados”: Quê?
- “Não sou bom para você, Julia”: Check!
- Punição devido a segredos do passado: Check!

Coincidência ou previsibilidade? Façam suas apostas. Mas o fato é que eu acertei 80% do livro só nas minhas expectativas iniciais. Assim, não sei se preciso dizer mais alguma coisa a fim de convencê-los a lerem ou não, mas só pelo que viram até aqui já dá para saberem se o livro vai lhes chamar a atenção. Mas como eu não consigo manter a língua dentro da boca – ou o dedo fora do teclado –, vou falar assim mesmo...
“- Por que você bebeu tanto?
- Para esquecer”


Talvez este seja o único momento do livro inteiro em que podemos achar Gabriel um homem misterioso. Uma resposta não tão vaga assim, mas que pode nos dar trocentas coisas para pensar. Não, Gabriel não é um homem misterioso. Ele é apenas um homem solteiro, que não tem satisfações para dar a ninguém e que não abre sua vida pessoal aos seus alunos. É fato que tem um segredo em seu passado, algo com o qual ele tenta lidar, mas não encontrei um só indício de mistério nele.
Aliás, até aproximadamente a metade do livro, eu detestei Gabriel. Tudo porque achei que o autor – ou autora, também falarei melhor sobre isso – quis mostrar um homem num inferno pessoal e acabou por perder um pouco do tom. Logo no primeiro capítulo, Paul, um dos alunos de Gabriel, escreve um bilhete para Julia afirmando que o professor é um babaca. E ele age assim mesmo. Mas não é como Christian Grey - meu amado arrogante e maníaco por controle - ou Gideon Cross - meu querido direto e até mesmo grosseiro. Gabriel Emerson é um babaca em TODOS os sentidos da palavra! Mas aí as defensoras do professor me dirão que ele perdeu uma pessoa querida e está sofrendo o luto ainda nas primeiras páginas. E também me falarão sobre o inferno pessoal que ele está vivendo. Mas eu ainda acho um exagero mostrá-lo como um homem mal-humorado e mal-educado até a metade do livro, quando há uma reviravolta em sua vida.
Julia resolve contar para ele que os dois já haviam se encontrado anteriormente. E isso faz com que ele mude da água para o vinho! O Professor Emerson - que até então vinha sendo um Babaca com “b” maiúsculo - se transforma no verdadeiro “Cara”, deixando Théo, Raj, ou seja lá quem for o mocinho da vez, morrendo de inveja. Aí vem as defensoras dizendo o que Julia significava para o tal professor e justificando sua mudança de comportamento. E eu digo que o homem não mudou de comportamento, ele simplesmente virou um personagem totalmente diferente. Sylvain Reynard escreveu duas personagens: Gabriel Antes de Saber e Gabriel Depois de Saber. Fato!

Agora vamos falar sobre Julianne Mitchell.
“- Rachel disse que você está na lista VIP do Lobby. - Julia mudou de assunto rapidamente de novo, ainda sem considerar as suas palavras.
- Isso é verdade.
- Ela fez um mistério sobre isto. Por quê?
Gabriel fez uma careta.
- Por que você acha?
- Eu não sei. É por isso que eu perguntei.
Ele fixou-a com seu olhar e baixou a voz.
- Eu vou lá regularmente, por isso o status VIP. (...).
- Por que você vai lá? Você não gosta de dançar. É só para beber? (...).
- Não, Srta. Mitchell, em geral, eu não vou para o Lobby para beber.
- Então por que você vai?
- Não é óbvio? - Ele franziu a testa. Então, ele balançou a cabeça - Talvez não para alguém como você.
- O que é que isso quer dizer?Alguém como eu?
- Isso significa que você não sabe o que você está me perguntando. - Ele cuspiu, olhando para ela com raiva. - Caso contrário, você não me faria dizer isso! Você quer saber por que eu vou lá? Eu vou te dizer por que eu vou lá. Eu vou lá para encontrar mulheres para foder, Srta. Mitchell. - Ele estava chateado agora e olhando fixamente para ela. - Feliz agora? - Ele rosnou.
Julia respirou fundo e segurou a respiração. Quando ela não pode mais prendê-la, balançou a cabeça e exalou.
- Não. - Ela disse baixinho, olhando para suas mãos. - Por que isso me faria feliz? Isso faz mal ao meu estômago, na verdade. Realmente me deixa doente. Você não tem ideia”
Este é um diálogo que dá para ter mais ou menos uma imagem de Julia.
Ela é totalmente sem sal, do mesmo jeito que Bella Swan. Anastasia Steele também foi escrita para ser meio sem sal mas ao menos tem um humor interessante. Julia nem isso. A personagem é uma mulher de 23 anos, virgem, com uma história triste de vida e um “grande” trauma do passado. Bem, não vou aqui dizer que o que aconteceu com ela seja uma coisa fácil de superar, mas Julia coloca as coisas como se nunca mais fosse conseguir acreditar na humanidade novamente. Ela treme todas as vezes em que alguém toca no assunto "aniversário" para ela!

[Revolta mode on]
Aliás, falando em aniversário, quero aqui fazer uma pausa para uma reclamação: Por que todas as mocinhas desses romances, aquelas que são mais ingênuas ou sem sal, são virginianas? Bella Swan (13/09), Anastasia Steele (10/09), Julia Mitchell (01/09)... Todas nascidas sob o signo de Virgem! E como virginiana verdadeira (30/08), posso dizer uma coisa: ser virginiana não é sinônimo de ingenuidade ou qualquer coisa do tipo. Na verdade, somos bastante desconfiadas, racionais e analistas.
Ok, [revolta mode off]

Eu passei o livro todo sem gostar de Julia. Ela é insegura, algo que a história de vida dela fez com ela. Sua autoestima é devastada por um ex-namorado. Até aí tudo bem. Mas a ingenuidade e bondade dela, chegam a ser burrice, algo que dá para perceber no diálogo que transcrevi. Aliás, ainda tenho minhas dúvidas se uma garota que passou por tudo o que ela passou seria inocente como Julia é. Ou melhor, como deveria ser. Para mim, ela é simplesmente estúpida. E fraca! Sinceramente, uma pessoa para ser boa não precisa ser idiota e pisoteada da forma como ela é.
Sobre os demais personagens, também posso dizer que me desapontei com eles. São todos muito caricatos: personagens que devemos gostar são virtuosos, aqueles que devemos odiar são capazes de todas as coisas odiosas da face da Terra. Uma aluna que quer seduzir Gabriel é uma verdadeira líder de torcida dos filmes adolescentes: sexy, infantil, com ego que se satisfaz rebaixando os outros e capaz de passar por tudo e por todos para conseguir o que quer. Ela age mesmo como uma garota de 15 anos e Gabriel não tem o menor tato para lidar com ela, o que eu acho muito estranho, já que ele é colocado como um professor muito exigente mas aceita ser orientador dela. Outra personagem é uma predadora sexual, adepta ao sadomasoquismo, colocado como algo repugnante e imperdoável, deixando Gabriel cheio de vergonha e culpa por ter experimentado a prática e com medo de que uma escandalizada Julia jamais possa perdoá-lo.
Mas, tirando minha insatisfação com a construção dos personagens, o livro não é de todo ruim.
Um ponto positivo em relação aos últimos romances que li ultimamente é que “O Inferno de Gabriel” não é narrado em primeira pessoa mas por um narrador onisciente que nos conta não apenas o que se passa dentro de Gabriel e Julia mas de personagens de segundo plano como Rachel, Paul e Christa. Muito embora eu seja apaixonada por narradores personagens, achei bastante interessante um romance com esse tipo de recurso narrativo. 
Ainda sobre a narração, posso dizer que ela é bem leve. Comparado com as trilogias “Cinquenta Tons” e “Crossfire”, as palavras são até mesmo doces. Há poucos palavrões ou palavras tidas como “excitantes”. Aliás, é bom dizer que, se você quer ler cenas quentes, o livro praticamente não as tem. Gabriel é sexy e dá uns amassos em Julia mas é tudo sempre muito delicado e não tão detalhado quanto as trilogias eróticas que falei acima. A virginidade de Julia é tratada como uma coisa tão sagrada que parece surreal. E o livro também é muito romântico, sobretudo quando aparece o Gabriel Depois de Saber.
 Também achei bastante interessantes todas as conexões com “A Divina Comédia”, de Dante Alleghieri. Neste primeiro livro, tem muitas referências ao “Inferno”, a primeira parte do poema. Achei muito bacana porque Gabriel parece ser o próprio Dante, enfrentando todo o seu inferno pessoal. Embora eu esperasse muito mais sobre esse tal “inferno pessoal”. Achei bastante artificial, tanto os motivos dele quanto às descrições do sofrimento.  
Mas, para terminar, eu quero falar sobre Sylvain Reynard.
Não se sabe quase nada sobre a verdadeira identidade de Sylvain Reynard. Sabemos que é canadense, que tem muito interesse em arte e cultura renascentista. Aparentemente, este é o nome de um homem e as orelhas do livro se referem a Reynard no gênero masculino, mas ninguém sabe ao certo. 
E eu dou minha cara a tapa como essa pessoa é uma mulher! Hahaha...! Um trecho do livro poderá explicar melhor do que eu:
“- O que está acontecendo com o casamento? Rachel disse que você escolheu uma data, mas quando lhe perguntei sobre isso esta noite ela ficou calada.
Ele balançou a cabeça.
- Não diga nada a ninguém, mas nós estávamos planejando nos casarmos em julho. Isto é, até que Rachel viu o pai dela desabar durante as graças. Ela me puxou de lado depois do jantar e disse que não havia nenhuma maneira de que ela pudesse trazer o tópico de um casamento agora. Então voltamos para onde estávamos antes: noivos com nenhuma data fixa para o casamento - Aaron abaixou a cabeça um pouco e enxugou os olhos com as costas de uma de suas mãos.
Julia sentiu pena dele.
- Ela ama você. Ela vai se casar com você. Ela só quer uma família feliz e um casamento grande e feliz. Você vai chegar lá.
- (...) Mas eu a amo. Eu a amava há anos. Eu nunca quis viver juntos: eu queria casar com ela assim que se formou no colegial. Mas ela sempre quis esperar. A espera está me matando, Jules. (...) Eu quero ficar de pé na frente dela, de Deus e de todos os nossos amigos e fazer promessas para ela. Eu quero que ela seja minha. Não como minha namorada, mas como minha esposa. Eu quero o que Richard e Grace tinham, mas há alguns dias eu me pergunto se isso nunca vai acontecer”.
Bom, ok, um cara estar chateado porque a noiva vive adiando o casamento, mas daí a CHORAR na cozinha com a melhor amiga DELA porque adiou o casamento de novo? E fazer um DISCURSO desses?
Só uma mulher pensa nisso...

É isso. O próximo livro da série, “O Julgamento de Gabriel” sairá nas livrarias em Julho / 2013. Eu estou ansiosa para ler... Sério! Sei que não vou amar ou me apaixonar, mas quero saber a continuação da história, mesmo sendo o livro mais SABRINA que todas as SABRINAS que já li.
(Stéf Rhoden)

Closer”(Nine Inch Nails) - que deixa Julia altamente perturbada...

[DIVULGAIL] HANGOUT com Sarah Jio, autora do livro "As Violetas de Março"

Bom dia, #impressionautas!!!

Hoje, acontecerá  o Hangout com a autora do livro "As Violetas de Março", Sarah Jio.
Será o terceiro Hangout promovido pela Editora Novo Conceito em parceria com o Google Play e você poderá acompanhar ao vivo a partir das 16h30.

Você já pode enviar perguntas para a autora e acompanhar o bate-papo amanhã na página especial da Novo Conceito criada para nossos hangouts. 05 perguntas serão selecionadas para ganhar 01 kit lindo incluindo o Livro e os presentes de "As Violetas de Março".

Acesse:
http://www.editoranovoconceito.com.br/hangout, envie suas perguntas e participe!

Equipe A.I.L

[NOVIDADES & LANÇAMENTOS #10] "Mentes Inquietas" - Andross Editora

Até 31 de maio, a Andross Editora estará recebendo contos sobrenaturais, de suspense e de terror para publicação no livro “Mentes Inquietas”.
A Andross Editora está recebendo contos de novos escritores para publicação no livro “Mentes Inquietas”, a ser lançado em outubro de 2013 no evento Livros em Pauta. Qualquer pessoa pode participar. Basta acessar o site www.andross.com.br, ler o regulamento de participação e submeter seu texto à avaliação. As inscrições vão até 31 de maio de 2013. 
 
Alfer Medeiros
Alfer Medeiros, organizador do livro, diz que vale qualquer conto com temática sobrenatural, de suspense ou de terror. "Nosso intuito é escolher textos com tramas e personagens bem variados, cuja única ligação é a temática do livro: a inquietação.", diz Alfer. "As tramas precisam mexer com o leitor, deixá-los assustados, perturbados", completa.
 
 SINOPSE DO LIVRO: 
Mary Shelley tinha pesadelos com a ideia de ressuscitar mortos... Lovecraft sentia-se perseguido por entidades anti-humanas... Edgar Allan Poe era fascinado por felinos e pássaros negros... As melhores histórias sobrenaturais, de suspense e de terror de todos os tempos surgiram das mentes mais inquietas que a literatura universal já conheceu. Agora, uma nova safra de escritores impõe ao papel toda a angústia de suas mentes, em tramas que mesclam o fantástico à loucura, o possível ao inimaginável, a penumbra ao medo... Se é horror que você procura, veio ao lugar certo: o subconsciente humano.” 
 
BOOKTRAILER:
 
SERVIÇO: 
Livro:Mentes Inquietas - Contos sobrenaturais, de suspense e de terror” 
Organização: Alfer Medeiros
Envio do texto: até 31/05/2013 
Lançamento: 10/2013 (no evento Livros Em Pauta
Regulamento: no site www.andross.com.br 
Realização: Andross Editora

[DIVULGAIL] Feira Itinerante de Livros de volta à Duque de Caxias (RJ)! [ATUALIZADO]

Mais uma ótima notícia para quem gosta de comprar livros com descontos... A já tradicional Feira Itinerante de Livros está de volta ao município de Duque de Caxias! Durante todo o mês de abril de 2013, a Feira terá diversos estandes de livrarias que venderão os mais variados livros e revistas de histórias em quadrinhos, sendo que muitos deles por preços menores que nas lojas do ramo.

[ATUALIZAÇÃO]

Embora anunciado até o fim do mês, a Feira irá apenas até o dia 17/04/2013, seguindo para Cinelândia (Centro / RJ). O motivo seria as baixas vendas... Por isso, corra pois ainda dá tempo de conseguir aquela pechincha...

[ATUALIZAÇÃO]

Embora desta vez com tamanho menor que a do ano passado (quando tivemos dois corredores de estandes e agora temos apenas um), a quantidade de livros impressiona. A maioria dos exemplares são novos mas existem também exemplares usados e semi-novos à venda... E é aí que o #impressionauta mais atento consegue garimpar aquele livro desejado por um preço mais em conta.



Taí a dica para toda a família! A Feira Itinerante de Livros está localizada na Praça do Pacificador, sob a lona em frente ao Teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias (RJ).

Rock on, abração carioca (e palmense!), bjins e inté!
Equipe AIL

[DIVULGAIL] Remake de Meu Pé de Laranja Lima nos cinemas!

Quem foi criança ou adolescente nas décadas de 1960 a 1980 deve se lembrar do filme e da novela baseada no livro de autoria de José Mauro de Vasconcelos que contava a história de Zezé, que tem quase oito anos e vive com sua família pobre no interior. Ele é sensível, ele é precoce, ele é um contador de histórias: ele é um problema! Seu esporte favorito é transformar sua casa e a vizinhança em cenário para suas traquinagens. E elas não são poucas. Seu refúgio preferido é um pé de laranja-lima. É com ele que desabafa as coisas ruins que lhe acontecem, divide sua solidão ou comemora uma boa novidade, como a amizade com Manoel Valadares, o "portuga". Amizade que fará com que Zezé dê a Manoel um mundo de fantasias e criatividade que ele nunca imaginou possível.

E essa história chegará mais uma vez aos nossos cinemas a partir de 19/04/2013, com direção de Marcos Bernstein (que também assina o roteiro do aguardado "Faroeste Caboclo"), estrelado por João Guilherme Ávila (filho do cantor Leonardo e sobrinho de Pe Lu, do Restart) e José de Abreu, com participação especial de Caco Ciocler.



Emoção à flor da pele com uma trama honesta e sensível, vindo exatamente quando mais precisamos. Que faça jus à obra original. Aguardemos...

[DIVULGAIL] Poster e trailer do filme "Faroeste Caboclo"!!!

Existiam na internet um monte de imagens e videos sobre a conturbada produção do filme "Faroeste Caboclo", baseado na canção escrita por Renato Russo, que quase não saiu por falta de verba e outros problemas.
Cartaz oficial
(Gávea Filmes)
Mas agora as produtoras Gávea Filmes e Globo Filmes - com distribuição da Europa Filmes - lançaram tanto o poster oficial quanto um trailer da obra, que adapta a história de João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira), jovem negro que deixa a cidade de Salvador (BA) em direção à Brasília (DF), onde vende drogas mas acaba se apaixonando por Maria Lucia (Ísis Valverde), largando o tráfico. No decorrer de tudo, envolve-se numa disputa com Jeremias (Felipe Abib), outro traficante. O saudoso ator e diretor Marcos Paulo e os atores Antonio Calloni e Cesar Trancoso também integram o elenco. O filme tem direção do estreante René Sampaio com roteiro de Marcos Bernstein e Victor Atherino.

O filme estreia em 30/05/2013, Confira abaixo o trailer oficial:

[DIVULGAIL] Lançamento do livro "Mascotes" de Walter Tienro - Andross Editora


Até 30 de abril, a Andross Editora estará recebendo contos 
sobre animais de estimação de novos escritores para publicação no livro 
“MASCOTES”.


Não há mau humor que resista ao olhar carinhoso de um cão ou a um roçar de pêlos de um gato. Animais de estimação são companheiros inseparáveis de todo mundo, inclusive dos escritores. Pois agora novos autores poderão homenagear seus bichinhos e contar suas histórias incríveis. A Andross Editora está recebendo contos de escritores em início de carreira para publicação no livro “Mascotes - Contos de cães, gatos e outros animais de estimação", a ser lançado em outubro de 2013, no evento Livros em Pauta, em São Paulo.

Walter Tierno (organizador do livro)
Não há restrição em relação ao bicho protagonista do conto”, diz o escritor Walter Tierno, organizador do livro. "Contanto que seja um animal de estimação, vale qualquer um, até baleia!", brinca

Qualquer pessoa pode participar. Basta acessar o site www.andross.com.br, ler o regulamento de participação e submeter seu texto à avaliação. As inscrições vão até 30 de abril de 2013. 


SINOPSE: "Faz pouco mais de dez mil anos que algum sujeito olhou para um lobo cinzento e pensou que seria uma boa ideia fazer amizade. Passou mais um tempinho e um outro pensou o mesmo ao ver um felino selvagem. Os anos foram se passando e a ideia foi repetiu ao redor do mundo, com animais diferentes. Hoje, convivemos, protegemos e amamos esses camaradas como se fossem membros legítimos de nossas famílias. E quem pode dizer que não o são? Mascotes reúne contos ora engraçados, ora tristes, mas sempre emocionantes sobre esses milenares companheiros, quer estejam cobertos por pelos, escamas ou penas.” 

SERVIÇO:
Livro: “Mascotes - Contos de cães, gatos e outros animais de estimação
Organização: Walter Tierno
Envio do texto: até 30/04/2013
Lançamento: 10/2013 (no evento Livros em Pauta)
Regulamento: no site www.andross.com.br
Realização: Andross Editora

[RESENHA] "Corte Seco" de Christiane Jathahy




Despretensiosamente sento-me, olho ao redor e concluo que o Ginástico ficou muito melhor depois da reforma e da administração do SESC. A poltrona é de um conforto razoável, o ambiente é amplo possui dois andares. Encontro-me no balcão, dele vejo as luzes acesas e um palco todo iluminado, porém estranho algumas cadeiras amontoadas de um lado, um vazio em cena com ar de que está faltando acabar algo. Avisto monitores de LCD, três no total. Há uma mesa grande do lado direito do palco composta por três pessoas (direção, luz e som, penso) que deixa qualquer um intrigado. Isso mesmo... não existe divisórias?  Afinal, estou no lugar certo? Sim, o lugar é este e a peça é Corte Seco.


De modo repentino, uma mulher, supostamente a diretora avisa: ‘...ao contar... no número 5 a peça vai começar, 1, 2, 3, ...’ e de repente vários atores entram em cena, começam a arrastar cadeiras, sentam-se e as costas das cadeiras exibem faixas com as inscrições: DIALOGAR, CARACTERIZAR, INTERIORIZAR, NARRAR e DESCREVER.

Uma historieta se inicia, sentada na cadeira escrito NARRAR alguém começa uma história de uma menina, não, minto, de uma família. Não demora muito e alguém senta-se na cadeira CARACTERIZAR, um ambiente é descrito, pessoas são descritas – ‘Tudo começa no Carnaval em Arraial do Cabo, repentinamente uma discussão, um acidente e a morte’. A diretora interrompe ao pronunciar um número. A Narrativa para. Atores saem de cena. Um casal permanece e sua história começa a ser dissecada – cadeiras são retidas e de repente a personagem é proibida de pronunciar qualquer palavra, pois não possui cadeiras. Em meio a gritos e palavrões, eles tentam NARRAR à cena, se atropelam e nos confundem ao pronunciar seus nomes verdadeiros, com lágrimas tentam DIALOGAR e finalmente INTERIORIZAR a separação.



O anseio de quem está assistindo ávido por inovação deixa os olhos abertos e os ouvidos mais apurados ainda. É saboroso assistir uma peça se explicando dramaticamente, quase didaticamente.



As cadeiras impõem desempenhos a quem as ocupa, sofremos com a dificuldade de identificar personagens que se confundem com o artista. Os monitores que estão no palco não são objetos simples do cenário, não estão expostos aleatoriamente, pois são elementos que  interagem  com a cena mostrando seus personagens no interior ou exterior do teatro, tudo em tempo real.

Em outro momento atores fazem um emaranhado de linhas no chão com fita crepe e nos remete a um cenário confuso, fazendo-nos lembrar de um ringue. Para cada caso há um corte súbito conduzido ao vivo pela diretora, apenas ao balbuciar um número. O que nos leva a crer que várias cenas ensaiadas ganharam uma numeração e para utiliza-las e mudar o rumo da história basta dar vida aos números. Assim observamos atentos todas às narrativas que elucubram a realidade de nosso tempo.

Após as cenas do acidente e da separação somos absorvidos em narrativas de abusos sexuais, atropelamentos, relações mal resolvidas entre pai e filho, mãe e filha, homem e mulher além, claro, de notícias recentes que estamparam os noticiários dos jornais como o caso da expulsão dos índios do casarão ao lado do Estádio do Maracanã.

Corte Seco traz na direção Christiane Jathahy e a Cia. Vértice de Teatro. Presenteia-nos com a interpretação de Thereza Piffer, Felipe Abib, Stella Rabello e o global Eduardo Moscovis, entre outros. A peça tem inspiração nas experiências do dramaturgo espanhol José Sanchis Sinisterra, partindo da dramaturgia autoral - entende-se por ‘fusão de parâmetros dramáticos previamente traçados com pulsões subjetivas que os atores possam oferecer no calor da hora’. Estreou em 2009, no Rio de Janeiro, com grande sucesso de crítica e público. Participou de festivais, recebeu indicação de Melhor Texto pelo Prêmio APTR dos críticos cariocas e de Melhor Direção pelo Prêmio Shell 2010. 


Por que Corte Seco? Por tudo que está escrito acima é possível imaginar a resposta, porém há uma explicação técnica: ‘Corte Seco’ é uma expressão utilizada nas edições de vídeo para se referir a mudanças de quadro sem nenhum disfarce.

Observação:

Não é improviso, é um jogo e... aberto, mas com certeza é uma linguagem deliciosa. Mais uma peça que usa a metalinguagem...ou meta-teatro, o teatro falando dele... Em um formato meio McLuhan (teórico que afirmou que o meio é a mensagem) e ‘Corte Seco’ é um bom exemplo desse estudo. 
Pasmem, infelizmente, Corte Seco não está em cartaz no Rio de Janeiro neste início de 2013. Fui privilegiada ao usufruir uma apresentação única na Mostra de Teatro – Panorama Petrobras Distribuidora de Cultura, no Teatro Ginástico, no dia 27 do mês de março. Mas não desanimem, ‘de repente, não mais que de repente’ ela pode retornar à cena carioca. Torcemos, oremos, façamos promessas e mandingas, pois a peça é um primor contemporâneo, vale cada minuto durante e... depois.

Por Eleni Rosa
  
   

[CINEBOOK] "Uma História de Amor e Fúria", de Luiz Bolognesi

Sinopse: Destinado ao público jovem e adulto, com traço e linguagem de HQ, a animação nacional “Uma História de Amor e Fúria”, escrita e dirigida pelo premiado cineasta e roteirista Luiz Bolognesi ( de “Bicho de Sete Cabeças”, dentre outros), narra o amor entre Janaína e um guerreiro indígena que, ao morrer, assume a forma de um pássaro. Durante seis séculos, a história do casal sobrevive, atravessando quatro fases da história do Brasil: a colonização, a escravidão, o regime militar e o futuro, em 2096, quando haverá uma guerra pela água. Em todos estes períodos, os dois lutam contra a opressão. O filme, produção da Buriti Filmes e Gullane, conta com distribuição da Europa Filmes e traz Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro interpretando os personagens principais. Realizado durante os últimos seis anos, o longa é fruto de uma extensa pesquisa com profissionais das áreas de história e antropologia, a partir da qual o diretor e roteirista decidiu quais os pontos da história do país seriam abordados.
Trecho:
"Meus heróis não viraram estátua. Foram mortos por aqueles que viraram...".

Resenha: É uma dura tarefa escrever resenha crítica sobre um filme brasileiro de animação. Se falarmos muito bem, sempre terá quem diga que quem escreveu tem receio de que a distribuidora não o chame novamente para outras cabines de imprensa. Se fizermos uma crítica mais dura, haverá a turma do deixa-disso dizendo que deveríamos, pelo menos, apontar as qualidades do filme para "darmos uma força".
Brasil de 2096 a la Blade Runner
e Minority Report
Mas pessoas que tem esses dois polos de opinião podem se esquecer que um filme de animação é, acima de tudo, um produto de entretenimento. E como tal, tem obrigação de cumprir bem seu papel. Afinal, como consumidores, temos o direito de exigir isso...
Janaína na Guerra da Balaiada

E foi com muita estranheza que assisti a esse longa animado completamente nacional chamado "Uma História de Amor e Fúria". Estranheza porque eu não estava na lista de e-mails da distribuidora Europa Filmes. Meu contato deu-se pois queríamos marcar uma entrevista com o diretor estreante (e também roteirista) Luiz Bolognesi. A resposta foi com o convite para assistir ao filme antes da estreia. E como coisas boas não costumam acontecer comigo...

Apesar de já ter tomado conhecimento da sinopse, fui totalmente alheio a quaisquer informações justamente para ser levado pelas surpresas que poderiam ocorrer. E, infelizmente, não foram boas surpresas. O filme começa no futuro, com uma cena lindamente ilustrada e cheia de ação. Em determinado momento, o personagem de Selton Mello narra: "Tem momentos na vida em que nos perguntamos porque tudo está acontecendo. No meu caso, eu sei que foi tudo por causa de Janaína...". Daí, voltamos à época do Descobrimento do Brasil, onde o personagem era um índio. E assim começamos a conhecer a saga deste guerreiro que morre e renasce como um pássaro para reencontrar a amada, sempre numa época diferente e sempre tendo de lutar contra as injustiças...
O casal quando ainda eram índios...
Quando li a sinopse e vi os trailers, a primeira lembrança que me veio à cabeça não foi o filme "A Viagem" (Cloud Atlas, dos irmãos Wachowski) mas sim a novela "Amazônia", escrita por Benedito Ruy Barbosa e exibida na extinta TV Manchete. E também o clássico da literatura "Fernão Capelo Gaivota". Nem acho ruim esse tipo de mistura. O problema é a apresentação e o tipo de abordagem a ser feito neste produto.

Os dois primeiros terços do filme tem problemas seríssimos de animação, feita à moda tradicional e com visíveis dificuldades de acabamento, onde até mesmo "bitmaps brancos" são vistos na telona. Os personagens parecem inexpressivos em relação ao que os atores estão dizendo em muitos momentos. E isso incomoda. Muito. E sabem por que? Pelo simples motivo de que dá a impressão de que o Brasil não pode criar um filme animado de aventura por causa de patrocinadores metendo o bedelho o tempo todo, dizendo como se deve fazer o trabalho...
Violência formou o Exército Brasileiro?

E também incomoda quando vemos que um dos objetivos do filme é contar a História do Brasil. Não, nada de errado nisso também. Mas ao visar o público jovem e adulto, fica difícil saber se atualmente haverá paciência para assistir a uma verdadeira aula de História sobre nosso país na sala do cinema. Principalmente por conta do roteiro extremamente didático nesse sentido pois houve acompanhamento de antropólogos no tratamento da história em si, mostrando alguns fatos que não são evidenciados em muitos livros do Ensino Fundamental e Médio.

Isso não foi por acaso pois está sendo lançado um livro que tem amparo pedagógico e tudo o mais...

Livro e DVD sobre os períodos
históricos abordados no filme
Quando finalmente passamos por um dos períodos mais turbulentos de nossa História recente - a Guerrilha de 1964 -, o roteiro começa a parecer uma produção digna de nossa apreciação, com diálogos melhores trabalhados e ambientação adequada. E daí pro final mantém-se a qualidade.

A impressão que temos ao assistir é que participaram do processo diversos estúdios de animação para realizar o filme. Pois o traço dos personagens evoluem visivelmente. No início, temos índios lembrando cópias malfeitas de personagens saídos de "Pocahontas" (Disney) e "O Príncipe do Egito" (Dreamworks), com traços angulosos e econômicos. Os cenários, lindamente ilustrados na tela, sobressaem-se em decorrência de um desenho visualmente pobre e sem atrativos. Até mesmo a animação, truncada e com problemas de ritmo, faz-se notar por conta disso. Infelizmente, devo ressaltar...

Da metade pro final, mesmo com todos os problemas do roteiro, a animação já torna-se fluída e "casa" com os belos cenários.
Belos cenários

Para quem não sabe, a ideia do filme foi criada há 11 anos. Mas somente há seis que o projeto começou a ter andamento. E ainda não temos uma indústria de animação no Brasil. Temos ótimos animadores trabalhando dentro e fora do país em desenhos animados e filmes diversos mas nada de porte feito exclusivamente pro mercado de cinema e home video nacional.

A dublagem - ou melhor, a atuação pois foi feita antes do filme estar pronto - não incomoda mas também não tem nada de muito brilhante, uma vez que o trio principal já tinha experiência no assunto.
Rodrigo Santoro (esq.), Camila Pitanga (centro) e
Selton Mello (dir.)
(Selton Mello já foi dublador do personagem Charlie Brown em "Snoopy" - dentre outros -, Camila Pitanga fez a protagonista de "Atlantis" e Rodrigo Santoro fez "O Pequeno Stuart Little" e, mais recentemente, um personagem coadjuvante na animação "Rio")

Quando começaram a serem exibidos os créditos finais, rolando uma música ótima da Nação Zumbi e exibindo ilustrações FANTÁSTICAS que misturavam estilos artísticos mostrando períodos da História do Brasil, fiquei pensando se tudo não poderia ser diferente e ousado. E digo mais: talvez a adaptação para animação tenha sido uma escolha equivocada pois se fosse lançada em formato de minissérie para histórias em quadrinhos, daria para desenvolver melhor os personagens e, quem sabe, passar pelo ProAc e parar numa biblioteca pública...

"Mas, tio Kal... O filme entretém ou não???", pergunta o incauto #impressionauta. Depende. Se houver paciência por parte da plateia, sim. O filme recebeu censura 14 anos por conta de cenas de nudez e violência, portanto não é feito para crianças. E isso é um detalhe que pode comprometer na arrecadação...

Resumindo: é uma história de amor, passando por diversos momentos da História de nosso país, chegando a um possível futuro. O final é um recomeço e já existe a possibilidade de um segundo filme a caminho, possivelmente feito em CG 3D. E a esperança que tenhamos mais produtos de animação bem formatados à nossa realidade, sem problemas de concepção e com a preocupação em contar uma boa história. Mas assista. Nem que seja para "dar uma força"...

Kal J. Moon não gostaria de ser personagem desse filme. Essa Janaína dá o maior azar!

Trailer Oficial

[RESENHA]"Ary Barroso – Do Princípio ao Fim", de Diogo Vilela

Quando rezamos para o fim chegar

Cenografia pobre, figurino mais ou menos, iluminação nada atraente, maquiagem / caracterização sem surpresas e músicas sem emoção. Assim é a peça “Ary Barroso – Do Princípio ao Fim”, que ficou em cartaz até o final de março de 2013. Um espetáculo frio, que não preenche o palco do histórico Teatro Carlos Gomes e faz com que o público aplauda de pé apenas por educação.


Nele falta grandiosidade. Afinal, é contada a história de Ary Barroso, uma grande figura de sua época. Compositor de "Aquarela do Brasil", sua mais conhecida canção. Um gênio que além de compositor e pianista, também era radialista, locutor esportivo, jornalista e vereador. O homem jogava nas onze e não perdia um gol!

O espetáculo nos proporciona a estreia do ator Diogo Vilela na direção, que também protagoniza o espetáculo e assina o texto - com supervisão artística de Amir Haddad - porém não é muito feliz pois  não deixa aquele gostinho de quero mais.

A peça tenta remontar o último dia da vida de Ary Barroso. A maior parte do espetáculo ocorre num leito de hospital. Assim, Ary é visitado por integrantes da Escola de Samba Império Serrano, agremiação que no desfile de carnaval de 1964 renderia homenagem ao grande mestre. Nesse encontro, o homenageado recorda passagens marcantes de sua vida.  Suas lembranças ganham vida e se apresentam a uma plateia que devaneia com sua história.

No palco presenciamos seu encontro com personalidades como  Carmem Miranda – A Pequena Notável, Linda Batista, Alda Garrido, Lamartine Babo e Aracy Cortes.


No primeiro ato, revivemos partes interessantes de sua biografia como a aposta curiosa com o torcedor do Fluminense Haroldo Barbosa, no Fla x Flu de 1955, quando o Flamengo perdeu e Ary, rubro-negro roxo,  foi obrigado a raspar o bigode que cultivava com tanto zelo...

Com Diogo Vilela, com ótima interpretação, estão nomes como Tânia Alves (que interpreta Yvonne, a esposa de Ary Barroso) e os cantores Marcos Sacramento e Mariana Baltar, nomes em ascensão na cena do samba carioca, porém figuras mal aproveitadas na peça.



Passamos por um primeiro ato funesto: cabisbaixos, abatidos, murchos... Mas, ‘para nossa alegria’, o segundo ato nos evidencia que a peça poderia ser muito melhor pois o brilho de Ana Baird (Linda Batista) e Reynaldo Machado (Boneca de Pixe), ambos com trabalho de interpretação maravilhoso que, com vivacidade e força, enchem o palco do teatro e encantam a plateia.

O clímax da peça é o momento em que Ary apresenta seu programa de rádio ao vivo e recebe os mais engraçados calouros. Vilela encarna com emoção e carisma a cena e, sem dúvida, faz todos caírem em gargalhadas com as figuras que atravessam o palco com as cantorias mais inusitadas.



A opção pela simplicidade não foi uma ótima escolha. Um espetáculo inédito perdeu o brilho e a empolgação que deveria ter. Resta aos espectadores e amantes do teatro aguardar uma próxima direção de Diogo Vilela pois só assim teremos uma verdadeira impressão desse novo diretor que nasce na cena carioca.

Esta realmente não foi uma estreia com o pé direito para Diogo Vilela, um dos melhores atores de sua geração. Todos devem lembrar-se da tragédia na boate Kiss, em Santa Maria (RS), no fim de janeiro de 2013, episódio que levou autoridades de todo o Brasil a reverem a segurança em lugares públicos. No Rio de Janeiro, não foi diferente e muitos locais foram temporariamente fechados. Infelizmente, uma das interdições ocorreu no Teatro Carlos Gomes, um dos teatros mais tradicionais do RJ. Com isso, o musical sobre Ary Barroso também foi suspenso por algumas semanas, até regularização do espaço. É,Vilela tem que visitar a Igreja do Bonfim antes da estreia de sua próxima direção...

(Eleni Rosa)



Ficha Técnica

Texto e Direção: Diogo Vilela
Supervisão Artística: Amir Haddad
Direção Musical e Arranjos: Josimar Carneiro
Elenco: Diogo Vilela, Ana Baird, Alan Rocha, Esdras De Lucia, Mariana Baltar, Reynaldo Machado e Marcos Sacramento
Participação Especial: Tânia Alves

Músicos:

Saxofones / Flauta: Henrique Band,
Violão / Guitarra: Josimar Carneiro,

Piano / Acordeon: Antônio Guerra,
Contrabaixo: Marcelo Müller

Bateria / Percussão: André Boxexa
Iluminação: Jorginho de Carvalho
Cenário: Beli Araújo,
Figurinos: Pedro Sayad
Preparação vocal: Janaína Azevedo,
Preparação Corporal: Carlos Leça
Direção de Produção: Marília Milanez

[CINEBOOK] "ARGO" de Ben Affleck

 

Sinopse:1979. O Irã está em ebulição, com a chegada ao poder do aiatolá Khomeini. Como o antigo xá ganhou asilo político nos Estados Unidos, que haviam apoiado seu governo de opressão ao povo iraniano, há nas ruas de Teerã diversos protestos contra os americanos. Um deles acontece em frente à embaixada do país, que acaba invadida. Seis diplomatas americanos conseguem escapar do local pouco antes da invasão, indo se refugiar na casa do embaixador canadense. Lá eles vivem durante meses, sob sigilo absoluto, enquanto a CIA busca um meio de retirá-los do país em segurança. A melhor opção é apresentada por Tony Mendez (Ben Affleck), um especialista em exfiltrações, que sugere que uma produção de Hollywood seja utilizada como fachada para a operação. Aproveitando o sucesso de filmes como "Guerra nas Estrelas" e "A Batalha do Planeta dos Macacos", a ideia é criar um filme falso, a ficção científica Argo, que usaria as paisagens desérticas do Irã como locação. O projeto segue adiante com a ajuda do produtor Lester Siegel (Alan Arkin) e do maquiador John Chambers (John Goodman), que conhecem bem como funciona Hollywood.

Resenha:Quem diria que aquele jovem que teve uma atuação humilde em Gênio Indomável, Shakespeare Apaixonado e Armageddon, após anos de atuações em Hollywood, com altos e baixos, levaria o Oscar de Melhor Filme com ‘Argo’, uma fita tão desacreditada. Ainda venceu Melhor Montagem e Melhor Roteiro Adaptado. É a vida tem dessas coisas para Ben Affleck.

Um filme histórico, pois remonta uma tragédia que começou em 1979, em plena Revolução Iraniana - movimento que teve início com a luta do povo contra os assassinatos de opositores, prisões, além da grande  pobreza que o assolava o Irã e que o transformaria - de uma monarquia autocrática pró-Ocidente, em uma república islâmica, sob o comando do extremista Aiatolá  Khomeini.

Argo : foto Ben Affleck, Bryan Cranston
Com a mudança política, o Xá encontra refúgio em solo americano, e as massas iranianas reivindicam seu retorno.  Não tarda e, aos gritos de "Morte aos Estados Unidos!", uma multidão de iranianos invade a embaixada americana fazendo 54 prisioneiros. Porém seis funcionários conseguem escapar, sem serem vistos, e se refugiam na casa do embaixador canadense, em Teerã. Este é o gancho para a película de Affleck, baseada em fatos reais.

Para resgatar os 6 reféns na embaixada canadense, em Teerã, a única ideia ruim plausível que a CIA, desesperada, apresenta é fazer um filme falso – completo plágio do filme Guerra nas Estrelas. Assim, com ajuda do agente Tony Mendez (interpretado por Bem Affleck), idealizador da proposta, a ideia é levada aos seus superiores. Quase um meta-filme. Um filme falso dentro da realidade.

Pensando que equipes de produção vagueiam por lugares exóticos e inóspitos, nos 5 continentes,  atrás  de locações para suas filmagens, essa foi a desculpa encontrada para explicar a entrada e saída repentina de supostos canadenses, de um lugar tão pouco provável.  Com a ajuda de amigos em Hollywood e o aval final da Casa Branca, o plano entra em ação. 

Argo : foto Ben Affleck, John GoodmanO que realmente impressiona na fita é a riqueza das questões tratadas: cultura, história e religião. Ela também percorre gêneros diversos; um pouco de comédia, policial, drama e suspense, além da capacidade de Affleck prender o espectador na poltrona do cinema. Ficamos ávidos à cena, sendo possível torcer por cada personagem a cada segundo e pelo plano em si. Detalhe: mesmo tendo o conhecimento do desfecho histórico.

Claro, além da tensão o Diretor conta com ótima fotografia, excelente montagem - imagens captadas de 1979 se comunicam muito bem com as novas imagens criadas para Argo. No elenco John Goodman (O Voo), Alan Aikin (Little Miss Sunshine) e Bryan Cranston (Malcolm in the Middle – série americana), se destacam.

Tudo chama a atenção, mas uma cena marcante é quando uma mulher iraniana aparece na televisão falando que, para sua nação, os verdadeiros terroristas são os americanos, pois na embaixada americana nada foi encontrado que comprovasse que os reféns eram funcionários burocratas. A cena é cópia fiel da real, levada ao ar na década de 70. Quem viveu essa fase tem um verdadeiro ‘Déjà vu.   

Argo : fotoRecordando o olhar da academia é impossível não lembrar a premiação do filme ‘Guerra ao Terror’, da diretora Kathryn Bigelow/2006 - uma versão atual do patriotismo americano. O filme retratou a guerra no Iraque, não como um espetáculo, mas como uma agonia. Em 2013, Argo trouxe também uma crítica implícita de toda a história setentista, passando do cinema a política. Percebe-se na fita o interesse no envolvimento dos americanos com o Xá, da rigidez do presidente  Jimmy Carter, que com ineficácia do resgate fez com que os reféns sequestrados só fossem libertos após 444 dias de cativeiro. E claro, tudo isso levou ao rompimento de relações de Washington com Teerã, em 1980, e desde então a situação entre os dois países é muito tensa. O que mudou é que hoje os EUA têm Barack Obama e o Irã, Mahmoud Ahmadinejad.  

Tudo isso está no filme e ao subir os créditos ninguém ousa levantar-se das poltronas, porque o filme ainda não acabou. Fique atento!  

Adendo: Agora, caríssimos, se o filme contém interesses políticos ou não, deixo a critério dos cinéfilos de plantão, não esquecendo que dessa vez quem abriu o envelope foi, nada menos, que a primeira dama americana, a senhora Michelle Obama. Hum, qual seria a mensagem subliminar?

Por (Eleni Rosa)


Trailer: 



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