[DIVULGAIL] AIL visita Museu de Arte do Rio


"MAR...avilhoso!"
Quando somos surpreendidos, a sensação é indescritível. Quanta admiração, deslumbramento, um verdadeiro fascínio! Do que estou falando? Do MAR, o Museu de Arte do Rio, inaugurado em 01/03/2013, durante a comemoração dos 448 anos da cidade do Rio de Janeiro. Claro, fui conferir tudo de pertinho...

Os números sempre impressionaram: 15.000 metros quadrados de área construída; 2.400 metros quadrados de área para exposições; previsão de 200.000 visitantes por ano e 3.000 obras num acervo próprio em formação. Além do funcionamento do Museu, também contempla a Escola do Olhar – espaço dedicado a projetos de estudo da arte. Minha expectativa era pessimista: encontrar uma construção mais ou menos, infraestrutura mais ou menos e com exposições também mais ou menos, algo "para inglês ver". Afinal, não dá para acreditar em tudo que se ouve. Mas, para meu êxtase, fui surpreendida.


Comecei a viagem histórica pelo Rio através, exclusivamente, de obras de arte. Que privilégio! Dei a partida às 12h30min, peguei um elevador e na primeira parada, 3º andar, encontrei a Baía da Guanabara, numa visão deslumbrante, sob um teto que lembra ondas do mar. Após admirar a paisagem, me enveredo pelo corredor que dá aceso à exposição ‘O Rio de imagens: uma paisagem em construção’ - curadoria de Carlos Martins e Rafael Cardoso - e, assim, me deparo com aproximadamente 400 peças da exposição permanente do museu. São obras variadas que mostram onde tudo começou: um Rio criança, com exuberante vegetação, praias desertas, plantações... Uma vida no campo que o século XXI não nos permite mais.

São muitas surpresas. Pinturas, gravuras, desenhos, fotografias esculturas, mapas, peças de design e cartões postais. Entre os famosos quadros de Tarsila do Amaral, gravuras de Lasar Segall, aquarelas de Ismael Nery, há uma reprodução multimídia que remonta à Avenida Central, atual Avenida Rio Branco, hipnotizante.

Escorregando pelo assoalho de madeira, tinindo de tão novo, desço ao segundo andar onde a mostra ganha o nome de seu dono, o marchand Jean Boghici com curadoria de Luciano Migliaccio e Leonel Kas, denominada “O colecionador: arte brasileira e internacional na coleção de Boghici”.  Sua coleção abrange pinturas e esculturas de Di Cavalcanti, Brecheret, Guignard, Antonio Dias, Kandinsky e mais uns 70 nomes. Mas o que mais chama atenção dos visitantes é a forma como organizaram as peças, dispostas em dois grandes círculos, com os quadros suspensos.



Depois de admirar o 3º e 2º andares, chego ao primeiro andar do pavilhão. Em destaque, a coleção particular “Vontade Construtiva na Coleção Fadel” com curadoria de Paulo Herkenhoff e Roberto Conduru. Esta mostra exibe 230 obras, das décadas de 1950 e 60, de artistas brasileiros pertencentes aos movimentos concreto e neoconcreto. Entre elas, encontramos Lygia Clark, Amilcar de Castro e Helio Oiticica, dentre outros. À essa altura, já começa a bater uma fominha...



No térreo, encontro a exposição ”O Abrigo e o Terreno”, sob curadoria de Paulo Herkenhoff e Clarissa Diniz, que reúne obras com concepções diferentes da cidade maravilhosa. O passeio agora é em um mundo inteiramente urbano, com viés no contexto social e revivendo muitos momentos atuais. As obras incluem questões sobre habitação, política territorial, relação de inclusão e exclusão. Podemos encontrar artistas como Bispo do Rosário, Waltercio Caldas, Ernesto Neto e Hélio Oiticica. O último espaço do Museu nos presenteia com muita interatividade e as crianças adoram.


Já beirava 15h quando, confesso, meu estômago já revindicava algo mais consistente do que a água que o enganava durante todo percurso. Assim, termino minha andança, um pouco apressada, correndo para o primeiro restaurante no Morro da Conceição. Mas juro, completamente, satisfeita e orgulhosa de ser carioca. Afinal, este Museu é MAR ...avilhoso.

Uma curiosidade: li, num desses cadernos de cultura, que o MAR seria um museu inovador, com a utilização do conceito de “transversalidade". Palavrinha muito utilizada pelos pedagogos.

Porém, em se tratando de museu, quer dizer “estabelecer, a partir de diferentes pontos de vista, uma ‘teia de pensamento’, que contemple a compreensão de contexto histórico, social e as múltiplas perspectivas pessoais”. Em resumo: “museu que permita múltiplas interpretações e explicações para o que exibe”, palavras de Clarissa Diniz, Gerente de Conteúdo do museu. Taí. Gostei. Supercontemporâneo...

(Eleni Rosa)


SERVIÇO

O MAR fica na Praça Mauá, 5 - Centro / RJ. 
Contato: (21) 2203-1235

Horário de visitação: das 10h às 17h. 
Funcionamento de terça-feira a domingo, abrindo durante os feriados, mas fechando às segundas-feiras. 
As entradas custam: R$8,00 e R$4,00 (meia). 
As terças-feiras, a entrada é gratuita para o público em geral. 
Nos demais dias, não pagam: alunos da rede pública - ensino médio e fundamental - crianças com até cinco anos de idade, pessoas com mais de 60 anos, professores da rede pública, membros do ICOM e profissionais de museus, grupos em situação de vulnerabilidade social em visita educativa.

1 comentários :

  1. Que lindo!!! Ainda quero ter a oportunidade de conhecer esse lugar!

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