[CINEBOOK] "A Hospedeira", de Andrew Niccol


Sinopse: Melanie (Saoirse Ronan) e Jared (Max Irons) foram feitos um para o outro. Esta seria mais uma história de amor, se não fosse um detalhe: estamos no futuro, e a humanidade está quase extinta. A Terra foi invadida por alienígenas que controlam a mente e corpo dos humanos. Melanie e Jared são os últimos humanos que lutam para sobreviver. Até que Melanie é capturada pela Buscadora (Diane Kruger), que usará as lembranças de Melanie para localizar o esconderijo dos humanos. Para não revelar o esconderijo Melanie ocupa a sua mente com visões do homem que ama, desviando a atenção de Peregrina, que incapaz de se separar dos desejos de seu corpo, começa a se sentir intensamente atraída por Jared. A Hospedeira é baseado no best-seller de Stephenie Meyer.




Título: A Hospedeira (The Host)

Diretor: Andrew Niccol
Elenco: Saoirse Ronan, Max Irons, Jake Abel, Diane Kruger, William Hurt, Frances Fisher

Ano: 2013
Lançamento: 29/03/2013
Distribuidora: Imagem Filmes
Duração: 125 min.

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Início da área de spoilers

Na trama, nosso planeta vive em paz. Uma paz que custou muito caro para os humanos pois estes foram quase que totalmente dominados por uma espécie de seres parasitas brilhantes que vieram de outro planeta. Estes seres, que se auto-intitulam "almas", se hospedam nos corpos dos humanos dominando as suas mentes, condenando a consciência do humano dominado à uma existência exilada dentro de seu próprio corpo.
Melanie, já infectada por Peg. (Imagem Filmes)
Os seres humanos que não foram "infectados" pelas almas se refugiam e lutam para não serem dominados. Um destes refugiados é Melanie Stryder, a heroína da história.

Melanie e seu irmão Jamie são, num belo dia, encontrados por acaso por Jared e se unem para sobreviver aos ataques dos Buscadores, que são almas que tem a missão de encontrar humanos rebeldes para futura infecção ou simplesmente para eliminá-los. Não demora muito para Melanie e Jared, que acham que são os últimos de sua espécie (além de Jamie, claro), se apaixonarem. Entretanto, a Buscadora (vivida por Diane Kruger) encontra Melanie e esta é infectada pela alma conhecida pelo nome de Peregrina. A função de Peregrina é encontrar, entre as lembranças e pensamentos de Melanie, informações sobre os rebeldes que pudessem auxiliar no trabalho dos Buscadores.
Muitos beijos e pouca ação. (Imagem Filmes)
Peregrina tenta vasculhar a mente de Melanie, mas encontra muita resistência por parte da dominada. Pouco à pouco, quanto mais conhece sobre Melanie enquanto varre suas memórias, mais Peregrina vai se afeiçoando à Melanie, ao ponto de decidir ajudá-la a reencontrar seu irmão e seu amado Jared.

Daí em diante temos um filme que erra pouco (porque ousa pouco), porém que não surpreende. Em certo ponto, Peregrina é aceita na comunidade humana rebelde, ganhando o apelido de Peg, e chega até a se apaixonar por Ian (personagem de Jake Abel). Daí inicia-se um "quadrado amoroso" entre Melanie, Jared, Peg e Ian. O final desta estória é previsível.

Fim da área de spoilers

Sci-Fi que não é Sci-Fi; Terror que não é terror.

Eu não queria mas é quase impossível resenhar este novo filme sem compará-lo à Saga Crepúsculo. Eu bem que poderia compará-lo à outra saga, Matrix, pela qual é claramente influenciada, mas a tinta forte de Stephenie Meyer no quesito 'romance de quinta' predomina.

Trata-se de um filme de ficção científica. Porém, acho que os fãs de ficção científica, que já tinham se decepcionado no ano passado com Prometheus de Ridley Scott, não irão se interessar por A Hospedeira. Não só pelo fato de ser um filme baseado em um livro da mesma autora da Saga Crepúsculo mas também por não ser um filme assumidamente sci-fi. Se por um lado, Crepúsculo não é um filme de terror porque tinha que ser um romance, A Hospedeira também não é uma filme de ficção científica porque tem que ser, em primeiro lugar, um romance.

Mais beijos... (Imagem Filmes)
A visão de mundo futurístico de Meyer é interessante. A sacada de termos os corpos invadidos por seres parasitas que dominam nossa vontade é legal também. Só que tudo que há de legal em A Hospedeira é posto de lado em favor daquele conflito amoroso piegas que é inerente à obra de Stephenie Meyer. Nós, fãs de sci-fi queríamos muito mais ataques ao refúgio rebelde, mais porrada, tiros e invasões de corpos do que temos neste filme. Sequer uma batalha épica final nos é oferecida. Entretanto, assim como na Saga Crepúsculo, cenas de ciúmes, biquinhos de choro, beijos roubado e climas tensos de tesão enrustido nos são dados aos montes.

A Hospedeira se parece com Crepúsculo em outro aspecto. Todos os atores e cenários do núcleo fantástico da estória parecem ter saído de comerciais de perfume. São todos muito pálidos, com olhos arregalados e estranhos aos nossos, exageradamente elegantes e bem penteados. Só falta mesmo é aparecer uma logomarca da Carolina Herrera ou da Dior quando esses "figuras" aparecem na telona fazendo pose de modelo e carão. Pra que isso?
Núcleo alienígena do filme. (Imagem Filmes)
Em filmes de ficção científica, uma trilha sonora incidental caprichada é fundamental na criação do clima fantástico, mas em A Hospedeira a trilha sonora, composta pelo brasileiro Antônio Pinto (filho do cartunista Ziraldo), é econômica e não chama a atenção. Quase a mesma coisa que aconteceu com a Saga Crepúsculo. Mas no caso deste, decidiram que canções pop contemporâneas poderiam substituir um "score" poderoso.

Toda essa "crepusculização" de A Hospedeira deve-se, talvez, ao fato de a própria Stephenie Meyer ser produtora executiva do longa. Não sei até onde a autora meteu o bedelho no roteiro e na direção de Andrew Niccol mas que fica demonstrado em vários momentos que ela não se contentou apenas em injetar dinheiro na produção, fica. Por exemplo: Tem uma cena em que o personagem de Boyd Holbrook, Kyle, tenta matar Melanie / Peg. Se o roteirista (Niccol) fosse ousado, o tal do Kyle, antes de matar Melanie, tentaria estuprá-la, já que ele vive em uma sociedade onde mulheres são raridade. Mas não, o personagem apenas tenta matá-la, fracassa nessa empreitada humilhantemente e ainda fica com cara de bobo depois. Isso com certeza se deu por influência de Meyer, conhecida pelo conservadorismo religioso...

Pô! E logo em um filme de Andrew Niccol, que já havia dirigido e escrito filmes de sci-fi competentes como Gattaca, S1m0ne e O Preço do Amanhã!!!

Os rebeldes. (Imagem Filmes)
Quanto aos atores, digamos que todos, e eu disse TODOS, apesar de William Hurt, estão atuando no automático. Isso geralmente ocorre quando não se tem um roteiro bom, como ocorreu nesse caso. Nem mesmo Saoirse Ronan, que impressionou todo mundo em Um Olhar do Paraíso, conseguiu me convencer. E olha que eu sou facilzinho, heim... Como eu já disse, faltou ousadia.

Bem, A Hospedeira é ruim de doer, mas se você é fã de Crepúsculo pode ser que se divirta. Se é que é possível se divertir com mais do mesmo...

E olhe que eu nem falei nada daqueles veículos cromados... aff... (Marlo George)

Trailer Legendado em Português

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