[5 PERGUNTAS] AIL entrevista R.S. Boning

O Brasil é um país muito estranho... Ninguém conhecia "O Senhor dos Anéis" por aqui. Mas, quando saiu o primeiro filme dirigido por Peter Jackson, TODO MUNDO passou até a ter aulas práticas de élfico e tudo... Assim como ninguém conhecia "As Crônicas de Fogo e Gelo" mas foi só aparecer o seriado "Game of Thrones" que TODO MUNDO faz parte de um clã e cita suas falas por aí... Sabemos que nada disso é novo mas atualmente criou-se um fenômeno literário tamanho que está sendo explorado também por autores brasileiros com reconhecido sucesso.

Um deles é R. S. Boning, autor do livro "As Pedras de Adão - Os Sonatas" (de nossa #parceira Editora Baraúna, que já havíamos divulgado aqui), que vai falar um pouco sobre seu processo de criação, a tal "moda" da literatura fantástica e muito mais, em apenas #5perguntas... Vamos lá?

1) Como surgiram as ideias de "As Pedras de Adão"? Quais suas principais influências?

R.S. Boning: Eu sempre tive o sonho de escrever um livro. Vê-lo publicado, nas mãos das pessoas, nas estantes, nas bibliotecas. Essa ideia era mágica, mas não é tão simples quanto parece. Escrever um livro, não é nem de longe uma tarefa fácil. Conheço pessoas brilhantes, que têm ideias brilhantes, mas não conseguem colocá-la no papel. Eu sabia que, com determinação, conseguiria escrever um livro, mas precisava de algo além da determinação, precisava de uma história.

Capa de "As Pedras de Adão"
(Ed. Baraúna)

Desde pequeno, era muito criativo e gostava de criar histórias, livros e contos, para meus amigos lerem. Claro que todas as histórias que eu criava quando era pequeno, não eram 'boas', analisando de forma lógica. Uma criança, por mais criativa que seja, não possui senso crítico, não possui um bom português e nem escreve como um adulto. Mas analisando pelo lado criativo, eram ótimas histórias. E posso revelar que usei algumas partes delas, assim como personagens e coloquei em "As Pedras de Adão".

Mas quero contar como me surgiu a inspiração. Como disse, sabia que teria a capacidade de escrever um livro, só não tinha a história. Tentei usar minha imaginação, pensar em algo fantástico e nunca imaginado por outra pessoa. E eis que em um dia, estava assistindo TV e passava o desenho dos Padrinhos Mágicos.
É desenho de criança, eu sei, mas, enfim, ouvi o Cosme dizer algo que ficou na minha mente:

— Eu segurei as pedras de Cher e li os versos Andreais.


(Já procurei por esse episódio mas nunca o encontrei novamente)

Procurava por uma história e uma simples fala de um desenho animado, me deu toda a inspiração necessária. Comecei a pensar em um personagem chamado Cher, que criou algumas pedras. Até ai, simples, mas o que essas pedras teriam de especial? Foi ai que entrou o meu fascínio pelos elementos naturais. Eu, quando criança, sempre brincava de poder controlar a água (tem um córrego a 1 metro da janela do meu quarto). Lançava pedras para o alto e as imaginava obedecendo meu comando. Fazia fogueiras e balançava as mãos como se o fogo me obedecesse. E sempre que soprava uma brisa suave, fechava os olhos e imaginava o vento fazendo o que eu queria. Foi então que decidi: Cher iria criar 4 pedras que controlariam os elementos naturais. Mas de onde sairia esse poder? Foi assim, que toda a história foi se moldando na minha mente. Liguei tudo isso à Alquimia e, assim, mais uma pedra surgiu para a minha história, a Pedra Filosofal. E é com ela que é criado o vilão da história. Encaixei 'os versos Andreais' na história (que inclusive será o subtítulo do terceiro e último livro da série). Andreais passou a ser uma personagem, mãe de Cher.  Ai, agora você deve estar pensando:

— Se o título do livro é 'As Pedras de Adão', porque o personagem se chama Cher?

Deixe-me explicar. Quando estava criando a história, contei a um amigo sobre a minha ideia, que estava escrevendo um livro chamado "As Pedras de Cher", quando ele me disse que 'Cher' soava muito esquisito, e que lembrava-lhe uma cantora de dance (risos). E assim eu decidi que mudaria o nome. Mas que nome usar? Foi então que me veio a ideia: Qual o primeiro homem a existir no mundo? ADÃO. Então, o livro se tornou: "AS PEDRAS DE ADÃO".

O restante da história foi se criando automaticamente na minha mente. E lugares, personagens, situações e poderes infindáveis, foram ganhando vida no papel. Até ficar pronto o primeiro livro: OS SONATAS.
Quem poderia imaginar que, de um simples desenho animado, tiraria ideia para um livro?

Minhas influências são muitas. Mas, como todos devem imaginar, temos Harry Potter, O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia... Foram essas histórias que guiaram minha infância pelo mundo fantástico e mágico. Mas se formos analisar a influência no estilo de escrita, digo que minha inspiração é: Sidney Sheldon. Para mim, Sheldon foi o autor que dominou com maior habilidade os métodos de narração. Não posso me esquecer de Dan Brown, Agatha Christie, J.K. Rowling e Julio Verne.

2) Estamos acompanhando algo inusitado em nossa literatura, que é o interesse de autores brasileiros em contar histórias fantásticas e medievais, algo geralmente esperado da literatura estrangeira. O Sr. acredita que isso faz parte de um modismo ou o gênero tem muito a oferecer a autores de nosso País?

RSB: Realmente, também andei percebendo esse crescimento de interesse dos escritores nacionais por literatura fantástica. Para explicar isso, eu sempre gosto de usar uma palavra, é a “Americanização”. Os livros mais consumidos no mundo são aqueles que alcançam o tão sonhado gosto americano. Se a América consome, o mundo também consome. O estilo fantástico quase sempre esteve presente apenas na literatura estrangeira. Antes não era uma boa aposta para as editoras investirem em livros fantásticos mas, de uns tempos para cá, a procura por esse estilo veio aumentando de uma forma assustadora. Acho que os jovens estão lendo mais. Por isso, estão apostando nesse gênero. Da mesma forma, os autores brasileiros não querem ficar para trás e têm de acompanhar o que o publico pede. Apesar do preconceito sobre livro ou qualquer coisa que envolva cultura nacional ainda ser grande, bons escritores de literatura fantástica nacional estão começando a ganhar um espaço nas estantes dos jovens brasileiros.

Quando eu paro e penso nisso, muitas vezes olho essa atitude dos autores nacionais como um movimento, ou até mesmo um modismo. Parece que estão, sim, seguindo a moda para ganhar dinheiro dos leitores, como se fosse uma tática de venda. Mas, quando analiso por outro ângulo, vejo que não é bem assim. Escrever um livro não é uma tarefa fácil. Criar uma história, dar vida a personagens, diálogos bem escritos, cenas de ação, romance, batalhas, criar ambientes e lugares... Tudo isso é muito difícil de fazer. Em um livro fantástico, isso é ainda mais complicado. A fantasia sempre esteve ligada a acreditar no impossível mas até o impossível tem limites. O autor pode criar algo fantástico mas não pode extrapolar na fantasia. Tudo tem limite. Por isso, acredito que não seja um modismo. Não existe uma receita pronta que você siga para ter um livro de sucesso. Acho que vai muito de cada autor. Eu mesmo comecei me aventurando pelo mundo da fantasia mas cresci com isso. Era mais do que esperado que escrevesse um livro mágico. Confesso que tenho outros projetos para livros em processo de criação e pelo menos metade deles são de histórias fantásticas. Eu amo magia e sempre falarei sobre ela nas minhas histórias.

3) Existe a possibilidade de "As Pedras de Adão" abraçar outras mídias, como cinema ou TV, por exemplo? 

RSB: Eu seria um tolo se dissesse que não desejo isso. Mas seria mais tolo ainda se acreditasse que esse fosse um passo simples a dar. Alcançar esse patamar é difícil. Existem grandes autores consagrados, com best-sellers, prêmios literários, que não tiveram seus livros adaptados para outras mídias. Mas se isso chegar a acontecer comigo, abraçarei com muita dedicação. Não existe planos nesse sentido. Na verdade, só pensei na possibilidade de APDA virar um filme agora. Mas como diz minha mãe: “Nada é impossível”.

4) É possível viver exclusivamente de literatura no Brasil? Qual a maior dificuldade de um escritor nacional neste sentido?

RSB: Não, não é possível viver exclusivamente de literatura no Brasil. Mas essa é a resposta de um autor “semi-independente”. Todo mundo acha que a maior dificuldade de um autor é criar a história ou mesmo escrever o livro, mas não é. O primeiro desafio é conseguir uma editora - pelo menos uma boa editora. Um autor que está começando nunca recebe apoio de uma editora grande. Assim, o autor se vê obrigado a partilhar custos, manda cópias de exemplares para editoras, que quase sempre respondem com um 'não'. O autor precisa ir a impressora mais próxima, comprar cartuchos de tinta ou pagar pela impressão - o que não é nada barato, visando que um livro possui muitas páginas e apenas uma cópia não é necessária, já que o autor precisa atirar para todos os lados. E isso é muito desanimador. Você acredita na sua obra, sabe o trabalho e o empenho que teve para lhe dar vida. Muitas vezes, as próprias editoras ou agentes gostam do livro mas acham melhor não lançá-lo no momento. Mas essa é apenas a primeira batalha. E apesar de saber que mesmo grandes best-sellers foram recusados por editoras, o autor se deprime, guarda o livro na gaveta, e desiste.

O segundo grande problema é a propaganda, o marketing, a venda. É difícil conseguir espaço para propaganda e divulgação. Acho que a vontade de todo autor é que seu livro seja lido pelo máximo de pessoas possíveis, por mais que ele não lucre nada com isso - eu vejo assim. É triste saber que o trabalho que teve, o tempo gasto, as noites em claro, as festas perdidas, não foram suficientes para sua obra ser valorizada.

Para finalizar essa pergunta, afirmo que são raros os autores nacionais que conseguem viver da escrita. A maioria dos escritores, assim como eu, precisa de um emprego por fora. Na verdade, escrever se torna um hobby.


5) Quais suas dicas para que jovens autores deem seus primeiros passos em direção à publicação de suas obras?

RSB: Não desistam. É difícil, é caro, é cansativo, dá vontade de chorar. Mas, no fim de tudo, ao segurar seu rebento nas mãos, não tem sofrimento, dinheiro ou cansaço que seja maior do que essa sensação. Sejam teimosos. Ouça apenas quem te oferece apoio - aparecem muitas pessoas querendo te desanimar. E corram atrás, não esperem que por um milagre seu livro seja lançado. Se ficar parado, nada acontece.

Book-trailer (feito por fã)


Sobre o autor
R.S. Boning
Rondinelle Santos Boning nasceu em Salvador (BA). Ainda bebê mudou-se para uma cidadezinha pacata, no interior do estado do Espírito Santo, onde reside atualmente. O jovem autor sempre gostou de criar histórias fantásticas e mágicas e, ainda criança, confeccionava pequenos livros que ele mesmo escrevia e os dava para amigos e familiares. Depois de adulto, seu dom pela escrita permaneceu, porém com mais maturidade e coesão. Assim, escreveu seu primeiro romance, ‘As Pedras de Adão - Os Sonatas’. Depois de fazer algumas cópias para amigos e conhecidos, percebeu que os mesmos adoraram sua história e o incentivaram a publicá-la. Em parceria com a Editora Baraúna, o autor se lança para o tão sonhado mundo editorial e literário.


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2 comentários :

  1. Cada vez que eu leio algo sobre essa obra ou sobre o autor vou me apaixonando mais. Assim como ele, sou apaixonada pelos quatro elementos e eles estão presentes em meu livro (rascunho de livro rs). Parabéns pela entrevista e pelo blog.
    Beijinhos

    http://vidasempretoebranco.blogspot.com

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    Respostas
    1. Olá, Lary... td blz?!

      Que bom que você gostou da entrevista e se identifica com as histórias de R.S. Boning! Fico feliz em ter gostado do blog! Pode seguir AIL em suas redes sociais, se quiser! ;)
      bjins e inté! Mac.

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