[CINEBOOK] "O Hobbit - Uma Jornada Inesperada", de Peter Jackson

Cartaz original
É muito difícil escrever sobre algo que amamos. Principalmente quando se trata de um amor antigo. Afinal, tendemos a parcialidade e isso não é, digamos, conveniente. Assim sendo tentarei ser o mais imparcial, dentro do possível. Se eu me exceder, desde já peço suas escusas.

Quando cheguei em 14/12/2012 no Top Shopping (que fica localizado na cidade de Nova Iguaçu - RJ), achei que iria encontrar o local sendo habitado - ou melhor dizendo, invadido - por magos, elfos, anões, dentre outras criaturas mágicas.

Que decepção.

Haviam pouquíssimas pessoas no lugar que ali estavam para assistir à "O Hobbit - Uma Jornada Inesperada", apesar da fila do cinema estar enorme. Cara, é o dia da estreia do filme do ano (começaram os excessos), primeira sessão e a galera estava comprando ingresso pra assistir ao filme "Amanhecer - Parte II". Em que mundo nós estamos?

Comprei meu ingresso com antecedência e nem teria sido preciso. Na sala, assim que eu e Andreas (vocês irão conhecê-lo em breve) sentamos na poltrona, verificamos que haviam não mais que 20 pessoas pra assistir o filme. De certo modo, isso foi bom pois o assistimos sem aqueles chatos gritando bobagens, rindo em momentos inapropriados (ou melhor dizendo, em momentos sem a menor graça) ou atendendo celular.

Bem, deixemos essa parte triste de lado e vamos pro que interessa.

[Alerta de Spoilers]

O filme começa com Bilbo devaneando sob o fato de não ter contado toda sua aventura a seu sobrinho Frodo. É o dia do aniversário de Bilbo e Frodo, o mesmo dia daquela festa que vemos em "A Sociedade do Anel", quando Bilbo desaparece diante de todo o Condado. Achei que foi uma maneira bem apropriada para fazer uma ligação com a "trilogia" anterior.

Se em "A Sociedade do Anel", Galadriel nos conta um pouco sobre os acontecimentos que levaram à queda de Sauron e ao achado do Um Anel, neste é de Bilbo a tarefa de situar o espectador na história. Ele conta sobre a derrota dos anões e da tomada de seu reino por um dragão chamado Smaug, numa sucessão de cenas que fazem valer cada centavo do ingresso. O esplendor do reino de Erebor, a soberba da raça anã, a beleza da Cidade Lago e até mesmo o alce do Thandruil são retratados de forma consistente com o material mais antigo integrando ainda mais essa nova produção com aquela vencedora de 17 Oscars.

Bilbo e os anões

Quando os anões chegam à toca de Bilbo - a famosa Bolsão - induzidos por Gandalf, é de encher os olhos de lágrimas (exagerando de novo mas é mesmo). Está tudo tão parecido com o que está no livro que parece que as personagens saltaram das páginas à tela. Revelo que fiquei muito preocupado quando vi as fotos dos 13 anões pela primeira vez (assim como muitos dos fãs) e achei que eles não funcionariam. Achava que o Thorin era novo demais, que o Nori era estrelado demais, que o Kili era elfo demais e só tinha ficado satisfeito com o Balin e o Glóin. Mas todo esse temor saurônico foi desfeito ao assisti-los fazendo bagunça, cantando e berrando em Bolsão. Ficou perfeito!

Após Bilbo aceitar o contrato de prestação de serviços para servir como ladrão, o bando parte em direção à Montanha Solitária. Durante a noite, Fili e Kili dão pela falta de dois dos pôneis que faziam parte da Companhia de Thorin. Os dois anões pedem que Bilbo investigue o sumiço dos animais e acaba topando com três trolls (William, Bert e Tom). A luta entre os anões, Bilbo e os trolls é eletrizante e divertidíssima. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que é impossível reparar a ação como um todo em uma única sessão de cinema. O mesmo acontece na batalha no reino do Grão-Orc.

Quando Bilbo tem o seu desafortunado encontro com Gollum é que Martin Freeman diz ao que veio. A cena em que ele decide não matar o pobre Sméagol (justificando algo que Gandalf diz a Frodo quando eles estavam nas minas de Moria, no primeiro filme de "O Senhor dos Anéis") é, de longe, a mais emocionante de todo o filme. Confesso que engoli seco, mesmo sabendo o que iria acontecer.

Falando em Martin Freeman, ele é, em minha opinião, o ator que melhor compreendeu uma personagem da raça hobbit. Tudo que Elijah Wood queria ter sido quando interpretou Frodo, Freeman já é. O cara É Bilbo Bolseiro.

Radagast
Outro ator que realmente me impressionou foi Sylvester McCoy. Seu Radagast, apesar da aparência porca e jeitão amalucado, conquistou meu coração. Ficou perfeito e reflete muito do espírito dos livros. É Radagast quem avisa a Gandalf sobre a ameaça de Dol Guldur e o ressurgimento do Necromante (Sauron) e seu assecla mais mortal: O Rei Bruxo de Angmar. Radagast chega a travar uma batalha com o Senhor dos Nazgul, em Dol Guldur.

Thorin Escudo de Carvalho
(Richard Armitage)

Thorin Escudo de Carvalho
também foi brilhantemente interpretado por Richard Armitage. A cena em que a personagem de Armitage vê o próprio avô, Thror, ser degolado por Azog, o orc pálido, deveria render ao ator uma vaga entre os indicados ao Globo de Ouro. Pena que não aconteceu.

Daí pra frente (não vou ficar aqui contando tudo, apesar do alerta de spoiler) nos é apresentado um filme coeso, dinâmico, com algumas piadinhas bem sacadas e que nos deixa com uma vontade louca que o próximo ano passe bem depressa, para podermos continuar a seguir Bilbo e os 13 anões em sua saga.

O filme é espetacular. Isso mesmo, ponto final.

Tudo está certo. O tom do filme fica variando o tempo todo, ora descontraído, ora sombrio, sem perder o timming. A adaptação - tanto do livro homônimo quanto do material selecionado dos apêndices de "O Senhor dos Anéis" - foi feita com maestria e, de certo modo, parece-nos que se eles tivessem optado por adaptar apenas "O Hobbit" poderiam ter feito um filme legal. Mas do jeito como costuraram as tramas que Tolkien tão cuidadosamente nos apresentou nos apêndices que encontramos no livro "O Retorno do Rei", eles aumentaram o nível da parada à quinta potência.

Martin Freeman e Andy Serkis no set

Só dois conselhos: assista em IMAX 48 fps e legendado. Tive que aturar Bilbo falando com a voz do dublador do Adam Sandler. Não ficou legal.

Rock on! (Marlo George)

Se quiser saber mais sobre o universo do livro que inspirou o filme, acesse nossas matérias especiais:

3 comentários :

  1. Vi críticas péssimas sobre o filme. Muita gente me disse que ele não surpreende nada e não é inovador.
    Não vi ainda, mas quero muito.

    livronasmaos.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  2. Ainda não vi o filme mas pretendo antes do fim do mundo. Não sei se não surpreender - o que acho difícil para alguém como Peter Jackson - seria algo ruim. É como quando disseram que o primeiro filme do Arquivo X nada mais era do que um episódio de duas horas. Mas era um episódio de duas horas BOM. E Peter Jackson é obcecado pela obra de Tolkien. Não acredito que ele faria algo ruim com isso. Mas como seguro morreu de velho, prefiro assistir para comentar melhor acerca disso... (KJM)

    ResponderExcluir
  3. O filme é ótimo. Tem muita gente que faz resenha e é amargurada. Cara, na boa, se eles tirassem ou adicionassem demais ia solar o bolo, mas do jeito que ficou o resultado final... ulálá...

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...