[RESENHA] "Esquecer o Natal", de John Grisham

Capa da edição brasileira
(Ed. Rocco)
Sinopse: Nada de árvores, estresse de shopping lotado, despesas sem controle, cartões com mensagem de paz e felicidade. O Natal dos Krank será diferente: no lugar da festa, do panetone, do peru ou das luzinhas piscando no quintal, o plano é fazer um cruzeiro ao Caribe e desprezar qualquer emoção natalina que ponha tudo a perder. John Grisham provoca boas gargalhadas no leitor com essa hilariante fábula de Natal para os tempos modernos.

Ficha Técnica
Esquecer o Natal | John Grisham | 228 páginas
Ficção americana | Editora Rocco | 2002

"- Qual é a ideia?
- A ideia é muito simples. Não fazemos Natal. Economizamos o dinheiro, gastaremos conosco, para variar. Nem um centavo com comida que não comemos ou com roupas que não usamos ou presente que ninguém precisa. Nem um centavo. É um boicote, Nora, um completo boicote ao Natal.
- Parece horrível.
- Não, é maravilhoso. E é só por um ano. Vamos aproveitar, Blair não está aqui. Ela voltará no próximo ano e podemos voltar ao caos do Natal, se é isso o que você quer. Vamos, Nora, por favor. Vamos pular o Natal, guardar o dinheiro e iremos mergulhar nas águas do Caribe por dez dias.
- Quanto vai custar?
- Três mil dólares.
- Então estaremos economizando?
- Perfeitamente.
- Quando partimos?
- Ao meio-dia. No dia de Natal.
Olharam um para o outro por um longo tempo."

Resenha: Lembro-me com carinho do Natal da minha infância. "Uau, já se comemorava o Natal na sua época, tio Kal...?", podem perguntar vocês, caros #impressionautas. Sim e era muito bom. Morávamos numa vila de casas muito semelhante à do seriado "Chaves", em que todos se conheciam, brigavam muito mas, quando acontecia algo a qualquer um de nós, éramos como se fôssemos da mesma família. E, como disse certa vez o Velho Bardo, "os amigos são a família que Deus nos permitiu escolher".

Mas, com o tempo, as coisas mudaram. um dos costumes que sinto falta é a do cartão de Natal. Faz tanto tempo que não recebo um que até me espantei quando uma grande amiga pediu meu endereço para me presentear com esta singela lembrança.

Isso e toda a falsidade que envolve o Natal, com todo mundo ficando "bonzinho" de uma hora para outra, me deixou um pouco constrangido com a data. E quando li a sinopse desse livro, identifiquei-me no ato com o ranzinza Luther Krank, marido de Nora e pai de Blair. Sua filha viajou ao Peru para ensinar crianças pobres a ler e escrever. Por isso, só voltará daqui a um ano.

Luther, por trabalhar na área de contabilidade e ter muita habilidade com números, faz os cálculos de quanto gastou no Natal passado e chegou a uma soma impressionante, mesmo não sendo uma família considerada rica. Isso sem contar o tempo gasto com os preparativos da festa, o estresse e a correria das compras, a quantidade de presentes que se dá e recebe mas que nunca usará na vida... Enfim! Além dele estar muito cansado dessa rotina sem fim, não tem motivo algum para fazer festa, uma vez que sua filha viajou e, à princípio, era o principal motivo para se ter festa todo ano para um monte de convidados...

Inicialmente, sua esposa reluta muito com a ideia. Afinal, é muito estranho alguém pular o Natal, assim, sem mais nem menos. Mas o plano de Luther de viajar e relaxar longe de toda essa confusão de festas de fim de ano acaba sendo aceito, uma vez que até começam um regime para emagrecer e fazem também sessões de bronzeamento artificial para estarem "nos trinques" para a viagem.

O problema maior ficou para a aceitação de seus vizinhos. Quando a notícia se espalhou - e quem mora numa rua onde todos se conhecem sabe que basta dar um espirro diferente para todos ficarem sabendo disso -, foram todos os tipos de acusações. Os Krank estavam tentando ser mais sovinas este ano e economizarão para viajar e não ajudar os mais carentes. Os Krank não querem se misturar. e coisas do gênero.

Confesso que fui lendo e rindo muito do jeito ranzinza mas completamente humano e prático de Luther, além das reações hilárias de sua esposa Nora (este nome é irônico somente no Brasil, hehehe), quase fraquejando à ideia de pular o Natal. Tá, tudo bem. Já iam onze capítulos apenas falando sobre isso, as reações e os preparativos da sonhada viagem, que finalmente estava chegando. E eu, embora achando muito engraçado, já tava me perguntando se era só isso e, ao final, veríamos apenas o óbvio, que seria vê-los contrariar todo mundo e relaxar nas praias do Caribe.

Mas não seria uma história escrita por John Grisham se não houvesse alguma reviravolta espetacular. E isso acontece exatamente no capítulo doze! Luther recebe um telefonema que... Bem, vocês vão ter de ler o livro pra saber o que acontece e como isso pode ser engraçado e trágico ao mesmo tempo. Sério, eu fiquei com pena de Luther e Nora, mesmo rindo muito deles.

E é gozado... A gente começa o livro dando razão aos motivos dele "pular o Natal". Mas, depois do telefonema fatídico e de uma determinada coisa que acontece, entendemos o verdadeiro significado da festa, não para religiosos e afins mas para seres humanos... E é mágico!

Um livro muito bem escrito e que comprei a um preço irresistível - R$ 3 na Feira Itinerante de Livros em Duque de Caxias (RJ), que vai até dia 22/12/2012. Mas como nem tudo são flores, infelizmente a parte da revisão ortográfica do livro deixou a desejar em muitos trechos. Alguns erros grosseiros de digitação e até mesmo erro da grafia do sobrenome dos personagens principais na contracapa do livro mostram que poderia ter havido um cuidado maior nessa parte. Sabemos que existem prazos para se fechar uma edição mas a parte de revisão desta editora sempre foi criticada em diversas obras. E o título nacional é completamente equivocado pois, o tempo todo, a expressão "Skipping Christmas" foi traduzido, no texto, como "pular o Natal" e não "esquecer o Natal". Não acredito que "Pulando o Natal" seja um título ruim ou menos comercial. Além de ser completamente compreensível aqui em nosso país. #ficaadica.

Procurem em sebos ou feiras pois vale a pena. Ninguém vai se arrepender...

Kal J. Moon pulará o Natal este ano pois ainda acredita que o que acontecia em sua infância não voltará nunca mais...

Sobre o autor

John Grisham,
escritor

John Grisham nasceu no Arkansas, em 1955. Formado em Direito pela Universidade do Mississipi, a atividade de advogado influenciou a temática da maioria de seus livros. Desde 1991, é um dos escritores mais lidos dos EUA, com mais de 100 milhões de livros vendidos e traduzidos para 31 idiomas. Vários de seus livros foram adaptados para o cinema. John Grisham vive com a família em Oxford, EUA.





Trilha Sonora: "Christmas is all around"
(Billy Mack - na verdade, o ator Bill Nighy no filme "Simplesmente Amor")

6 comentários :

  1. Eu nunca ligo mto pra Natal, mas o povo gosta. E "Esquecendo o Natal" não me parece um título ruim se for tomado como "deixando o Ntal pra lá".

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  2. Eu gostava do Natal no passado distante de minha infância, Paulão... Mas é como quando a gente não sabia dos detalhes envolvidos e os bastidores. E ainda acho muito injusto as mulheres da família ficarem enfurnadas o dia inteiro - ou dias, dependendo do caso -, para cozinhar para todos reclamarem depois por conta de um costume antigo. Mas cada um na sua...

    Sobre o título "Esquecer o Natal"... Eles não esquecem mas "pulam", o que é diferente. Eles também não "deixam pra lá"... Tanto que prometem no ano seguinte comemorar como antes. Mas "Dando um tempo neste Natal" também não seria um bom título... (KJM)

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  3. Patrícia Junca14 dezembro, 2012

    Kal J. Moon, muito bom! Quero ler o mais rápido possível o livro para saber o que aconteceu quando o Luther recebeu o telefonema. Obrigada caro colega pelo presente.

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  4. Que bom que vc gostou, Patricia! Muito obrigado pelos elogios! Só não vai me dar panetone com "frutas azedas", ok? Abração! (KJM)

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  5. Patrícia Junca14 dezembro, 2012

    Nem pães mofados, iogurtes azedos, broinhas salgadas, amendoins que quebram os dentes, kkkkkkkkkkk.... gosto muitoooooooo disso. Marcou é fato!

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  6. Ai, Mr. Moon...

    E agora, o que faço? Lendo dois livros ao mesmo tempo, mais um na fila para a resenha, mais a minha leitura anual e agora vc me recomenda mais um? Sabe, tenho outras coisas pra fazer da vida além de ficar lendo... hehehehehehe...

    Ah, parece mesmo irresistível! Acho que vou adiar meus planos e ler esse aí...
    :P

    Beijão!

    Ah... Adoro esse filme, "Simplesmente amor". Adoro essa parte... Enfim! Boa escolha!

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