[GIBI REVIEW] "Holy Avenger - Edição Definitiva Vol. 1", de Marcelo Cassaro & Érica Awano


Capa por Erica Awano (traço),
Ricardo Riamonde (cores)
e Samir Machado de Machado (design)

(Ed. Jambô)
Sinopse: Lisandra. Criada por animais em uma ilha selvagem, esta jovem vivia feliz em seu mundo puro... Até que os sonhos vieram. Sonhos sobre o Paladino, um herói com o poder do Panteão. Sobre como ele havia sido derrotado por forças malignas. E sobre como Lisandra poderia ressuscitá-lo se encontrasse suas gemas divinas - os vinte Rubis da Virtude. Para ajudar Lisandra surgem Sandro, filho do maior larão do Reinado, Niele, a bela e maluca arquimaga élfica, e Tork, o troglodita anão.

Resenha: Conheci Holy Avenger através da insistência de nosso querido #impressionista Marlo George. Na época, chegamos a trabalhar juntos por um curto período de tempo e ele tinha todos os exemplares dos encadernados da saga do mundo de Arton. Não levei muita fé e levei aqueles verdadeiros "tijolos" pesadíssimos pra casa... Comecei a ler despretensiosamente durante meus intervalos no almoço e em minhas sempre longas viagens de ônibus. Espantei-me quando comecei a GARGALHAR com a história de Lisandra, Sandro e seus amigos. Era muito engraçado MESMO!



Eu sempre fui cercado por minhas leituras essenciais de quadrinhos ditos "sérios" como "V de Vingança" e "Watchmen" (de Alan Moore) ou "O Cavaleiro das Trevas" (de Frank Miller), mesmo considerando o que Neil Gaiman fez em Sandman algo muito burocrático pra gostar realmente... Quadrinhos divertidos não eram a minha praia. Ainda mais se fossem em versão mangá. Primeiro, porque nunca tive muito dinheiro pra acompanhar a infinidade de títulos que chegavam em profusão às nossas bancas - e ainda chegam numa quantidade absurda para nosso padrão econômico e, claro, nem tudo tem a mesma qualidade das grandes obras do passado. Segundo, porque meu foco sempre foi ler quadrinhos dos Estados Unidos e Europa. Mesmo assim, Video Girl Ai e Rurouni Kenshin eram mangás realmente muito prazerosos de se acompanhar, principalmente por intercalar uma história basicamente dramática com insights muito bem humorados que nos pegavam de surpresa em alguns momentos.

Arte de Érica Awano
e roteiro de Marcelo Cassaro
E o roteiro de Holy Avenger é realmente delicioso de acompanhar justamente por nos fazer esquecer que estamos lendo uma história em quadrinhos mas sim vendo um desenho animado, onde "ouvimos" as vozes dos personagens e vemos suas reações a cada instante, além das consequências de seus atos.

E mesmo que seja muito divertido ler Holy Avenger, o roteiro segue uma grande jornada e é tratada de forma séria. Existem objetivos a serem alcançados pelos protagonistas para que a trama seja levada adiante e chegue à sua curiosa conclusão.

A arte de Érica Awano dispensa apresentações aos leitores mais maduros, uma vez que ela participou de algumas revistas que marcaram muitos fãs como Animax e Anime Ex. Porém, vimos sua gradual evolução realmente em Holy Avenger. Encarar uma saga de tantos capítulos assim e concluí-la após anos de esforço contínuo não é para qualquer um. Exímia caracterizadora de feições e arquejos corporais, sua arte conquista no primeiro vislumbre, cativando-nos imediatamente com personagens que acabaram, principalmente, por conta de seus belíssimos traços. E ainda temos de ressaltar: ela mesma finalizou o próprio lápis e, como muitos sabem, isso é realmente melindroso.
Ilustração da capa
sem a intervenção editorial

Esta "Edição Definitiva" - que sairá em quatro volumes com acabamento de luxo - trata a obra com mais respeito que as versões anteriores pois sai num formato maior, onde podemos apreciar melhor a arte de Awano, além de incorporar trechos do artbook "A Arte de Holy Avenger", item de colecionador e muito raro de se encontrar hoje em dia, contando parte do processo de construção da história, personagens e cenários. Além disso, temos a tira "The Little Avengers", desenhada pelo próprio Marcelo Cassaro, mostrando uma prisma um tanto diferente dos personagens.

A único fato a se lamentar nesta republicação é a ausência das páginas coloridas da história. Nas edições originais - e também nos encadernados -, as primeiras páginas eram coloridas, seguindo para páginas em branco e preto com retículas fazendo o papel de tonalidades de cor, peso de sombra e coisas do gênero. Eu achava um recurso editorial ousado e que deveria ser mantido nesta "Edição Definitiva", uma vez que acredito ser uma edição mais do que especial.

Outro ponto a ser melhorado nos próximos encadernados é na revisão ortográfica. Principalmente nos textos do apêndice "A Arte de Holy Avenger". Nada que invalide o prazer da leitura mas incomoda quando se gosta muito de um material e vemos que poderia ser tratado com um pouquinho só mais de esmero nesta parte sempre criticada por aqueles que acham que histórias em quadrinhos são um tipo de literatura "menor" - e sabemos que não é...

Embora tenha alcançado um inesperado sucesso de público e crítica na época em que foi lançado e, mesmo que tenha ganho dois prêmios HQ Mix de melhor revista seriada, Holy Avenger não foi bem conduzida em relação à parte comercial da coisa. Vendia? Claro. O público consumia? Sim. Mas o público não tinha produtos relacionados aos quadrinhos para expandir a franquia. Certo, eu sei que saíam vários seguimentos de livros de RPG para jogar no mundo de Arton mas estou falando de coisas para o público não especializado, através de coisas simples como mouse pads, capas para notebook, camisetas, bonés, chaveiros, estatuetas dos personagens (os famosos garage-kits), stickers... Digo isso pois acredito que muitos fãs queriam isso na época e ainda querem. E como haviam muitos ilustradores envolvidos no trabalho de capas, ilustrações internas etc, daria pra fazer coisas bem distintas e somente vistas no material do já consagrado Maurício de Sousa. Mas ele já tá estabelecido há anos justamente por isso. Seus gibis iniciaram a franquia mas, hoje em dia, são apenas uma parte do processo, fazendo com que o licenciamento de produtos relacionados tenham grande importância no compartilhamento da difusão da imagem de seus personagens.

E vamos pensar no mundo digital, senhores. A mudança está aí e é o grande momento de aproveitar a onda. Afinal, é sempre bom alcançar novos públicos falando a língua deles. Além de ser mais econômico do ponto de vista financeiro...

Espero que a editora e os autores envolvidos comecem a se mexer nesse sentido pois, como já disse uma vez, quadrinhos são produtos. E como tem algo visual envolvido no processo, pode ser explorado de diversas formas extremamente vantajosas do ponto de vista comercial da coisa. E quando falamos da parte comercial, enfatizamos também a ida em eventos de quadrinhos e afins. Este produto tem de alcançar novos públicos e chegar à pessoas que talvez nunca tenham ouvido falar dos autores, dos personagens ou mesmo da trama mas que possam, como transeuntes num evento, achar a arte bonita e digna de seu consumo. Com este esforço, acredito que haverá um melhor aproveitamento em relação à custo e benefício...

Quem sabe, após consolidar esse processo, não seja (finalmente!) mais viável fazer um desenho animado inspirado nessa obra? Crowdfunding, talvez? Quem sabe...? #ficaadica

Kal J. Moon espera que esta republicação faça muito sucesso e ainda não acredita com o que aconteceu à Niele...

Ficha técnica
Holy Avenger — Edição Definitiva Vol. 1, por Marcelo Cassaro & Erica Awano.
R$ 59,90 (18,5 x 27,5 cm, 240 páginas)
Clique aqui para comprar



Sobre os autores


Marcelo Cassaro,
roteirista
Marcelo Cassaro começou sua carreira em 1985 como assistente de animação. Em 1989, trabalhou na Editora Abril Jovem como roteirista e desenhista em diversos títulos de histórias em quadrinhos. Foi roteirista e editor da lendária revista Holy Avenger, série de fantasia em quadrinhos publicada por 40 números (e alguns especiais ambientados no mesmo universo), a mais longeva até hoje no mercado nacional e que existe um projeto de adaptação para animação com os personagens da saga. Também trabalhou em Victory, o primeiro título criado no Brasil e também publicado nos Estados Unidos. Criou também o cenário de campanha RPG medieval-fantástico Tormenta. Recentemente, escreve roteiros de Turma da Mônica Jovem (publicado no Brasil pela Editora Panini).

Érica Awano,
desenhista
O trabalho de Érica Awano apareceu pela primeira vez em 1996 na revista Megaman mas a carreira profissional só começou mesmo com a revista Street Fighter Zero 3 (Ed. Trama). Além disso, foi colaboradora nas revistas Animax e Anime Ex, onde ensinava como desenhar no estilo mangá. Seus trabalhos mais recentes em quadrinhos foram a adaptação do clássico da literatura "Alice no País das Maravilhas" (The Complete Alice in Wonderland) para os quadrinhos e outra adaptação, desta vez do game "World of Warcraft". Erica também é Bacharel em Letras e Literatura pela Universidade de São Paulo.  


Animação teste para Holy Avenger - O Filme

4 comentários :

  1. Acho que meu comentário foi errado, acabei confundindo os blogs, desculpa... :/

    Mas como tinha dito, já tinha ouvido falar de Holy Avenger, mas nunca li nada além da capa, apesar de ter amigos que adoram.

    No meu blog estou com Sessão Especial J.K. Rowling e Morte Súbita, confere lá: livronasmaos.blogspot.com.br

    Bjão!

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  2. Acompanhei a saga dos Rubis da Virtude e recomendo, não deve nada aos mangás japoneses!e o preço está acessível na minha opinião,vou comprar!

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  3. Acompanhei a saga dos Rubis da Virtude e recomendo, não deve nada aos mangás japoneses!e o preço está acessível na minha opinião,vou comprar!

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