[ESPECIAL O HOBBIT] Uma Jornada Inesperada pela Música da Terra-média

Em uma de suas mais famosas cartas, a de número 131 da coletânea “As Cartas de J.R.R. Tolkien”, escrita na primavera de 1950 e endereçada a Milton Waldman, o nosso querido professor Tolkien revela que sua intenção ao criar seu legendarium (as lendas da Terra-média) era criar um cenário adulto - apesar de feérico - e que até poderia ser ampliado pelo trabalho de outras pessoas através dos diversos tipos de arte. Abaixo reproduzo parte da aludida carta:
“... certa vez (há muito tempo minha crista caiu) tive a intenção de produzir um corpo de lendas mais ou menos interligadas, que abrangesse desde o amplo e o cosmogônico até o nível do conto de fadas romântico - o maior apoiado no menor em contato com a terra, o menor sorvendo esplendor do vasto pano de fundo - cuja dedicatória pudesse ser simplesmente: à Inglaterra; ao meu país. Deveria possuir o tom e a qualidade que eu desejava, sereno e claro, com a fragrância do nosso "ar" (...); possuiria (se eu conseguisse) a beleza graciosa e fugidia que alguns chamam céltica (apesar de raramente encontrada nas antigüidades célticas genuínas), mas deveria, ao mesmo tempo, ser "elevado", purgado do tosco, digno de uma mente mais adulta, de uma terra há muito impregnada de poesia. Eu delinearia alguns dos grandes contos na sua plenitude, e deixaria muitos apenas situados no esquema, apenas esboçados. Os ciclos deveriam ligar-se a um todo majestoso, e ainda assim deixar espaço para outras mentes e mãos, munidas de tinta, música, drama.”
Com esta importante missiva, o Professor praticamente avaliza que outros artistas possam criar suas próprias visões sobre sua obra. Claro que ele não autorizou ninguém a recontá-la ou ampliá-la através da escrita, por isso, os inconvenientes fan-fics não fazem parte do aval de Tolkien.

Desde a publicação de sua obra mais reverenciada, “O Senhor dos Anéis”, vários foram os artistas que lançaram mão de tentar reproduzir, seja através de ilustrações, canções ou até mesmo do teatro e do cinema, as tradições da imaginária Arda de Tolkien. Dentre os ilustradores, os mais famosos são Alan Lee e John Howe que, além de ilustrarem capas e interiores de diversas edições das obras tolkienianas, chegaram a trabalhar nas recentes adaptações cinematográficas de Peter Jackson.

Dentre os menos badalados citarei os irmãos Hildebrandt e Ted Nasmith, que também já assinaram capas de edições dos livros e calendários de Tolkien. Quanto às adaptações dramáticas do legendarium se destacam os já citados filmes de Peter Jackson, assim como as fracas animações de Rankin & Bass e Ralph Bakshi. Há alguns anos, estreou um musical baseado no livro “O Senhor dos Anéis” que já não está em cartaz.

Apesar de todas as colaborações acima descritas, o tipo de arte que mais teve obras publicadas que foram dedicadas à obra de J.R.R. Tolkien foi o musical e este é o tema da resenha de hoje: a música no mundo de Tolkien. Portanto, prepare-se para viajar por um pouco do mundo feérico das canções tolkienianas.

Das canções de “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”
Imaginar os instrumentos utilizados, estilos ou influências musicais dos povos da Terra-média é tarefa árdua, uma vez que não existe muita informação sobre tais questões nos livros do Professor. Para termos alguma idéia de como seriam as canções cantadas pelos personagens devemos buscar referências no próprio Tolkien. E só existem, até onde alcança o meu conhecimento tolkieniano, dois meios disponíveis.

O primeiro é uma gravação antiga que garimpei alguns anos atrás na internet. Há algumas décadas, um amigo irlandês do Professor pediu que ele lê-se trechos de “O Senhor dos Anéis” diante de um gravador. Diz a lenda que ele rezou em gótico a oração do Pai Nosso para exorcizar a maquineta antes da requisitada gravação. Se isso é verdade ou não, ninguém pode afirmar, porém existem algumas gravações em áudio onde podemos ouvir o próprio Tolkien recitando versos (tanto em alto élfico como em inglês), lendo passagens do livro e em uma delas, podemos ouví-lo cantando a canção “The Troll”, que nos livros é entoada por Sam.

O estilo utilizado por Tolkien na gravação nos remete às canções folclóricas da Europa, também conhecidas como irish drinking songs.

Donald Swann
O segundo meio disponível é o disco “The Road Goes Ever On” de Donald Swann. Não podemos começar a falar sobre música tolkieniana sem preliminarmente citar o bom, velho e bem aventurado compositor inglês Donald Swann (1923-1994). Em 1967, Swann lançou o álbum “The Road Goes Ever On”, um ciclo de sete canções selecionadas de “O Senhor dos Anéis”. As músicas deste álbum, que tinha o aval do próprio Tolkien (que colaborou escrevendo as frases em tengwar que constam na arte de capa da versão em fita cassete), foram compostas durante os dois anos da turnê “At the Drop of Another Hat” e foi lançado inicialmente, como já informei, com sete faixas: “The Road Goes Ever On”, “Upon the Hearth the Fire is Red”, “In the Willow-meads of Tsarinan”, “In Western Lands”, “Namárïe”, “I Sit beside the Fire” e “Errantry”. A canção “Bilbo's Last Song” foi incorporada ao ciclo quando da segunda edição de “The Road Goes Ever On” e “Lúthien Tinúviel” na terceira edição, que foi lançada em 2002 pela Harper Collins.

Ouvindo o disco (disponível na internet, através do Youtube) vemos que o estilo utilizado por Swann é o clássico, que dá um clima deveras élfico quando combinadas com a leitura dos poemas. Deste modo, podemos concluir que as drinking songs irlandesas e a música clássica certamente fariam parte do legendarium de Tolkien. Porém, como a cultura de Arda é vasta é delicioso poder imaginar que cada uma daquelas comunidades, sejam hobbits, elfos, edain e até mesmo os orcs tenham criado suas próprias tradições musicais, ampliando assim o leque de gêneros musicais que comporiam o mundo tolkieniano.

Tendo em vista este pensamento, iremos agora apresentar algumas bandas, grupos musicais e orquestras que, destemidamente, recriaram os sons de Arda, ou foram influenciadas de alguma forma pela obra em análise. Dividiremos elas em três categorias: a) Tolkienianas, b) Obscuras e c) Famosas. As bandas ou músicos da categoria “Tolkieniana” serão aquelas que mais se aproximam com o que eu acho que ouviria se estivesse realmente na Terra-média. Não me restringirei à bandas que só utilizam instrumentos acústicos (apesar de saber que não existiriam os elétricos pelas bandas das terras do Frodo), pois isso engessaria a lista. As “Obscuras” são aquelas que tem composições inspiradas no legendarium, mas que são pouco conhecidas (pelo menos pela maioria da população) e as da categoria “Famosas”, bem... nem preciso dizer porque pertencem a esta categoria.

TOLKIENIANAS
The Tolkien Ensemble
  • The Tolkien EnsembleFundado em 1995, o grupo The Tolkien Ensemble pretendia ser o primeiro grupo no mundo a interpretar todos os poemas e canções constantes do livro “O Senhor dos Anéis”. Se foram realmente os primeiros a terminar tal tarefa não se sabe, mas em 2005, dez anos após anunciarem a iniciativa, lançaram o quarto álbum do grupo, “Leaving Rivendell”, com o qual concluíram a árdua tarefa de compor, arranjar e gravar todas as canções e poemas do calhamaço tolkieniano. Os álbuns anteriores foram os ótimos “Na Evening in Rivendell” (1997), “A Night in Rivendell” (2000) e “At Dawn in Rivendell” (2002). Em 2006, foi lançado um box com os 4 CD´s intitulado “Complete Songs and Poems”, dedicado à memória de J.R.R. Tolkien. Passaram pelo projeto mais de 150 músicos, entre eles o famoso ator Christopher Lee que, além de narrar alguns trechos do livro, cantou as canções interpretadas pelo ent Barbárvore.
O link pra conhecer um pouco mais sobre o Tolkien Ensemble é esse aqui ó...
  • Anois
Anois

A banda Anois (Agora, em Irlandês) tem, em nossa afetada opinião, as mais belas canções baseadas nos poemas de Tolkien até agora compostas. Veronica Metz, vocalista e compositora da banda tem além de uma voz élfica, um não menos élfico dom para a composição. Lamento que a banda até hoje não tenha conseguido a autorização para a publicação da obra na integra (existem apenas trechos das músicas na internet). Daí que, para ouvi-las só viajando para o velho mundo para um dos raríssimos shows que a banda faz em reuniões da Unquendor (Tolkien Society alemã) ou na Tolk-Folk (festival tolkieniano polonês).



Foram compostas 12 canções para o álbum que foi intitulado apenas como “The Lord of the Rings”, sendo que uma ainda não tem título. As faixas são “Elvenhymn”, “Verse Of The Rings (extended version)”, “The Fall of Gil-Galad”, “Council of Elrond”, “Beside the Fire”, “The Black Riders”, “Frodo's Lament for Gandalf”, “Bregalad's Song”, “Sam's Song in the Orctower”, “Mount Doom” e “The Eagle's Song”. Ouça algumas destas canções através do site da banda.

  • Brobdingnagian Bards
Após o singleTolkien (The Hobbit and The Lord of the Rings)” ter atingidoa marca de 750.000 downloads, Marc Gunn e seus comparsas da Brobdingnagian Bards decidiram compor um álbum inteiro dedicado à obra de J.R.R. Tolkien.
Brobdingnagian Bar

O resultado? Um ótimo álbum para curtir tomando algumas caixas de cerveja com os amigos... “Memories of Middle-earth” é um álbum divertido com canções irreverentes que em muito lembram os bem humorados habitantes do condado. “Like a Hobbit in a Mushroom Field” e “Psychopathic, Chronic, Schizophrenic Gollum Blues” são os destaques. O álbum foi lançado em 2004 e não existe um meio de ouvir o mesmo online e, como somos cautelosos com estes lances de pirataria...
  • Marc Gunn
Marc Gunn
Membro da banda Brobdingnagian Bards, o bardo Marc Gunn mantém alguns projetos paralelos e vem lançando, de forma independente, vários trabalhos, a maioria baseados nas drinking songs irlandesas. Entre estes trabalhos, Gunn lançou “Don´t Go Drinking With Hobbits”.

E, com este álbum, ele respondeu à antiga pergunta: Que tipo de música os hobbits provavelmente ouviriam em uma noitada no Dragão Verde? Com letras de Rie Sheridan Rose e música de Marc Gunn, este é um álbum lançado através da iniciativa dos fãs, que bancaram parte da produção do produto. São ao todo 20 canções para beber, como “A Working in the Garden”, “Scouring the Shire”, “Don’t Go Drinking With Hobbits”, “Said the Horse to the Hobbit”, “Let’s Get Drunk Tonite”, “Everybody Needs a Drinking Song”, “Do You Fancy a Drink?”, “Raise a Glass in Parting”, entre outras. Para mais informações sobre os bardos e Marc Gunn clique aqui .

OBSCURAS
  • Glass Hammer
Dentre as bandas desconhecidas do grande público, o Glass Hammer se destaca. Com os álbuns “The Jorney of the Dunadan” (1993) e “The Middle-earth Album” (2001), a banda progressive americana nos faz viajar para além das montanhas sombrias. O primeiro álbum, que tem um “quê” de ópera rock, conta a história do mais famoso rei de Gondor Aragorn. Os destaques do álbum são as canções “The Song of the Dunadan” e “Why I Cry (Arwen Song)”.
Glass Hammer

O álbum de 2001, “The Middle-earth Album” por pouco não foi o responsável por categorizar a banda em minha lista de bandas tolkienianas. Acho que poucos discos conseguiram, na História, reproduzir autenticamente o clima de um bar como este disco do Glass Hammer. Ouvindo-o você se sente realmente em uma taverna em Bree, sendo servido por Cevado Carrapicho e tendo que aturar os arruaceiros que o freqüentavam. Não tem como não rir quando o bardo manda alguém tirar a caneca de cerveja de um goblin ou quando um dos “bebuns” do recinto puxa um coro de “Ba-lin! Ba-lin! Ba-lin...!”.
  • Battlelore
Battlelore


Banda finlandesa que se auto-intiula como “fantasy metal”. Todos os álbuns da banda “...Where the Shadows Lie” (2002), “Sword's Song” (2003), “Third Age of the Sun” (2005), “Evernight” (2007), “The Last Alliance” (2008) e “Doombound” (2011), são baseados nos contos de Tolkien.






  • Burzum
O nome desta banda de black metal foi retirado do próprio verso do anel na língua negra (Ash nazg durbatulûk, ash nazg gimbatul, ash nazg thrakatulûk agh burzum-ishi krimpatul) e significa “escuridão”. O único integrante do Burzum é o norueguês Varg Vikernes, que se auto-apelidou Count Grishnackh (nome de um orc do legendarium), passou um tempo na cadeia ao assassinar o dono de um selo de metal com 23 facadas em 1993...
Burzum

As influências de Tolkien em sua obra não se resumem ao seu apelido auto-imposto e o nome que deu à sua banda. As músicas “The Crying Orc”, “Em Ring Till Aa Herske”, “Burzum” e “Beholding the Daughters of the Firmament” trazem em suas letras referências explicitas.

FAMOSAS
Existem bandas consagradas que também beberam da fonte profunda e larga do velho Professor Tolkien.

  • Rush
Em seu disco clássico, “Fly by Night”, a banda de rock progressivo Rush fez sua primeira homenagem ao livro “O Senhor dos Anéis”. “Rivendell” é uma canção acústica, tão bela, que automaticamente nos transporta (se você estiver disposto a suspender sua descrença) à casa do Senhor Elrond (onde o Senhor do Escuro não pode entrar).
Rush
Os canadenses conseguiram traduzir em notas toda a atmosfera feérica daquele lugar encantado através desta música. A segunda homenagem veio no ano seguinte, 1975, com “The Necromancer” do álbum “Caress of Steel”, que fala sobre o necromante de Dol Guldur, ou como preferir, Sauron.
  • Blind Guardian
Você achou mesmo que não falaria deles? Claro que falaria! Só não sabia aonde, se aqui, na categoria das bandas famosas, ou na das bandas tolkienianas. Acho que ela fica melhor categorizada por aqui mesmo.
Talvez Blind Guardian seja a banda famosa que mais trouxe influências tolkienianas em sua obra.

Em seu terceiro disco, “Tales from the Twilght World” de 1991, eles nos presentearam com a magnífica “Lord of the Rings”, que trás na letra uma versão diferente do verso do anel. No mesmo ano, eles lançaram o álbum “Battalions of Fear” que trazia, desta vez, três músicas inspiradas em Tolkien: “Majesty”, “By the Gates of Moria” e “Gandalf´s Rebirth”. Em 1992 duas canções, “The Bard´s Song (In the Forest)” e “The Bard´s Song (The Hobbit)” foram lançadas no album “Somewhere Far Beyond”. O álbum “Imaginations from the Outher Side”, de 1995, trazia referências à obra de Tolkien na música-título.

Blind Guardian

Mas foi com o album “Nightfall in Middle-earth”, de 1998, que a banda lançou aquele que é considerado por muitos como o melhor álbum baseado em Tolkien já lançado. Nos moldes de uma ópera metal, o álbum conta parte das histórias do livro “O Silmarillion” (a banda Marillion se chamava “Silmarillion" antes de ser quase processada pelo espólio do Professor), principalmente a queda de Feanor. O Blind Guardian chegou a lançar outra música com tema nas lendas de Tolkien, “Harvest of Sorrow”, do álbum “And Then There Was Silence” de 2001.
  • Led Zeppelin
E fechando com chave de ouro, uma das mais badaladas bandas de todos os mundos (deste e de Tolkien): Led Zeppelin!

Ocultismo, Crowley, Magicka entre outros assuntos eso e exotéricos sempre estiveram presentes nas letras do Led. Porém existem algumas referências à obra de Tolkien em canções de dois dos seus álbuns. “Ramble On” do disco “Led Zeppelin II”, cita Mordor e Gollum em sua letra:
“Mine's a tale that can't be told, my freedom I hold dear.
How years ago in days of old, when magic filled the air.
T'was in the darkest depths of Mordor, I met a girl so fair.
But Gollum, and the evil one, crept up and slipped away with her, her, her....yeah.”

Porém, é no album “Led Zeppelin IV” que as referências são mais explícitas. “The Battle of Evermore” e “Misty Montain Hop” trazem em suas letras, alguns versos inspirados em personagens e cenários presentes no livro “O Senhor dos Anéis”.

Curiosamente, a música mais famosa do Led Zeppelin, “Stairway to Heaven” se encontra exatamente entre as duas canções acima citadas, e, apesar de nunca ter sido considerado que nela existam influências dos livros de Tolkien, muita gente acha que tal canção é sim influenciada pelo mito.

Led Zeppelin

A letra de “Stairway to Heaven” não é fácil de entender. Parece que o narrador está nos contando sobre um sonho ou uma viagem mental e muito do que ele diz parece-nos, à primeira vista, não fazer sentido. Isto bastou para que muitos blogs de fãs postassem suas, geralmente equivocadas, interpretações sobre a aludida canção.

Uns dizem que ela é uma alusão à personagem Galadriel ou ao famoso flautista de Hamelin. Outros dizem que é uma canção satanista. E existem ainda aqueles que dizem que é uma adoração ao deus pagão .

A única estrofe que, para mim, nos remete à Terra-média é a seguinte (apesar de haverem aqueles que advogam de que existem outras):
There's a feeling I get when I look to the west,
(Há algo que sinto, quando eu olho para o oeste)
And my spirit is crying for leaving.
(E meu espírito chora ao partir)
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees,
(Em meus pensamentos tenho visto anéis de fumaça através das árvores)
And the voices of those who stand looking(3).
(E as vozes daqueles que ficam parados observando)
Ooh, it makes me wonder,
(Ooh, isso me faz pensar)
Ooh, it makes me wonder.
(Ooh, isso me faz pensar)
Como podemos analisar, é mencionado na primeira frase aquele sentimento que acometeu os elfos e os fizeram desejar deixarem a Terra-média e irem ao Oeste, às terras imortais. São citados ainda os anéis de fumaça que Gandalf soprava e que eram admirados pelos hobbits. Gosto de pensar que a frase final desta estrofe é uma referência aos ents, criaturas fantásticas criadas por Tolkien.

  • Das trilhas sonoras

Até o presente momento, foram lançadas quatro adaptações cinematográficas baseadas nas obras do Professor Tolkien. A primeira “O Senhor dos Anéis”, de 1978, veio ao mundo pelas mãos de Ralph Bakshi e é um exemplo de como não se deve adaptar uma obra alheia. É um insulto de tão ruim. Além de não terminar e deixar o telespectador com cara de bobo, a história é acompanhada de uma trilha sonora indigna de nota composta por Leonard Rosenman (que entre outros trabalhos, criou a trilha sonora de Jornada nas Estrelas IV – A Volta Pra Casa). Essa você pode passar...

Porém, as duas adaptações “O Hobbit” de 1977 e “O Retorno do Rei”, de 1980, de Rankin Jr e Jules Bass, que foram agraciadas com a trilha maravilhosamente composta por Glenn Yarbrough são indispensáveis, principalmente no que se refere à sua trilha sonora original. Yarbrough criou músicas que já fazem parte da cultura pop (tendo sido inclusive parodiada no desenho animado South Park, o que atesta sua inclusão pop). Dá um pouco de trabalho mas, se você persistir, conseguirá achar estas trilhas na internet. Curiosidade: a canção “Far Over Misty Montains Cold” cantada pelos anões da dupla Rankin & Bass é “curiosamente” parecida com aquela que podemos ouvir no trailer do novo filme de Peter Jackson que irá estrear em 14/12/2012.

Howard Shore
Quando Peter Jackson anunciou que estava filmando a adaptação do “infilmável” livro de Tolkien, “O Senhor dos Anéis”, houve muita agitação na vila dos Hobbits... digo, no fandom tolkieniano. Quem será que vai fazer a trilha sonora? John Williams? Danny Elfman? Yoko Ono (sério, eu li isso...)? Não! Ele acertou em cheio, não trazendo o badalado Williams, nem o inconstante Elfman. Howard Shore foi o eleito para dar sons à Terra-média.
Enya

O trabalho de Shore para estes filmes é maravilhoso. Cada um deles tem um clima e a trilha principal de cada um deles se casa perfeitamente com a trama daquele determinado filme.

Quanto às participações especiais de Enya, Emiliana Torrini (que substituiu Björk na última hora) e Annie Lennox, só podemos dizer que deram um brilho todo especial ao conjunto de canções do filme, principalmente no caso de Enya (que já tinha gravado uma canção chamada “Lothlórien” em seu álbum de 1991 “Shepherd Moons”).

Emiliana Torrini
As trilhas dos filmes de Peter Jackson foram lançadas novamente, desta vez uma versão estendida das mesmas, há alguns anos e você as encontra facilmente, seja em lojas online, seja na do seu bairro, se der sorte.
Annie Lennox

Bem, finalizando, espero que tenham curtido esta pesquisa e que busquem bandas e canções Tolkien-based pela internet. Com certeza, elas os ajudarão a criarem aquela atmosfera élfica enquanto lê a obra do nosso amado Professor Tolkien.

Rock on! (Marlo George)

5 comentários :

  1. Ah, eu nem gosto de Tolkien (mas nunca li). Coletânea é com e.

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  2. As músicas da Enya são boas, mas acho que prefiro algumas músicas do Nightwish.

    livronasmaos.blogspot.com.br

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  3. Pois é. Já será corrigido. Erro material.

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  4. Das bandas e cantores apresentadas, conheço Enya, Blind Guardian, Rush, Led Zeppelin e, claro, Glass Hammer, minha favorita. Ainda aguardo ansiosamente o momento de rever o CD que emprestei para ser feito uma cópia e nunca mais devolvido. Deve ter sido jogado no fosso de lava junto com o Um Anel... (KJM)

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  5. Markos, o Nightwish tem uma música, "Elvenpath", que menciona Bilbo Baggins e até poderia ter constado da lista.

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