[BOOK TOUR] "Ponto Cego" de Felipe Colbert


Bom dia, #Impressionautas!!!

O A.I.L está participando do Book Tour "Ponto Cego" de Felipe Colbert. Desta vez, o evento foi organizado pelo blog "Entrelinhas Casuais". Fomos os primeiros da lista e tivemos a responsabilidade de cumprirmos com os requisitos do Book Tour. E, como não poderia ser diferente, conseguimos alcançar o objetivo estipulado. Livro lido, resenhado e compartilhado aqui como vocês!!!

Sinopse: Um ano após o acidente que interrompeu a gravidez de Nilla e sentindo-se culpado pela iminente separação, o repórter Daniel Sachs recebe um pedido de socorro escondido num objeto e descobre que sua ex-mulher desapareceu em Veneza durante a cobertura de um show de ilusionismo. Seguro de que é o único que pode ajudá-la, ele parte em busca do resgate da fotógrafa e, consequentemente, da correção de todo passado. Porém, pistas misteriosas dão indícios de que o desaparecimento de Nilla possa estar ligado a um novo tipo de comércio ilegal na cidade – a produção de filmes "snuff". Ao solicitar ajuda ao investigador Giuseppe Pacino, Daniel passa a ser perseguido e a ter sua vida ameaçada por um impiedoso criminoso. A situação piora quando eles ficam sabendo que Lorenzo Oro, um ilusionista cego de grande prestígio na Europa e dono de habilidades surpreendentes, foi a última pessoa a conversar com Nilla antes de seu desaparecimento. Incerto das próxima ações, Daniel enfrentará uma série de obstáculos e revelações imprevisíveis até chegar ao clímax arrebatador: a decisão de permitir ou não que seu corpo seja controlado por outra pessoa para salvar a mulher que ainda ama...

Resenha: Quando recebi o e-mail avisando que havíamos sido selecionados a participar de mais um Book Tour, fiquei hiper feliz e ansiosa para receber logo o livro e dar início à leitura. No entanto, nos últimos meses, venho num ritmo frenético de leitura (sem contar o trabalho e a vida pessoal), tanto que nem percebi que o livro se tratava de um romance policial. Eu estava na metade da leitura de um outro título (literatura fantástica), portanto, a mudança foi drástica e confesso que, no início, foi difícil condicionar meu cérebro a um novo ritmo de leitura. Mas consegui!!! (rsss)

Em "Ponto Cego", o leitor é apresentado a uma trama de mistério, assassinatos e muito, mas muito drama. Apesar de ter lido num só dia quase 200 páginas, confesso que somente a partir do décimo primeiro capítulo foi que a trama começou a ficar realmente interessante. Digo isso porque os capítulos anteriores são páginas introdutórias dos personagens: suas vidas, cotidiano e suas dialéticas. E o autor faz deste último o equilíbrio da trama, além do pano de fundo: a investigação em relação ao desaparecimentos de duas mulheres. Tudo digno de um suspense policial que faz o leitor ler páginas após páginas. 

Além disso, Felipe Colbert nos apresenta, com magnitude, uma Veneza dos antigos clássicos da literatura e, também, das produções cinematográficas. Ver lugares como Grande Canal, Igreja Madonna Dell' Orto, Estátua de Antonio Rioba, Mercado Rialto (coração ou a pulsação de Veneza), a Cidade de Vallaresco - São Marco, Colunas de São Marco e São Teodoro, Praça de São Marcos (principal ponto turístico da cidade), a Basílica, o Campanário e o Palácio de Doges descritos tão detalhadamente, dá ao leitor a facilidade de imaginar tais lugares, embarcando na trama, fazendo parte da narrativa. E isso é sempre muito agradável!

São tantas as informações que aparecerem neste livro que, até então, eu não sabia que existiam. Tudo bem, podem me chamar de desinformada mas alguém aqui sabe o significado do termo "Snuff"? Eu jamais saberia da existência de tal prática se não tivesse lido o livro. E ver tal prática descrita nos mínimos detalhes me fez entender o porquê de que algo assim é tão repulsivo...

"Ele encaixou o alicate em um dos dedos indicadores da moça. Parecia meio desconcertado, vacilante, porque demorou um pouco para acertá-lo, mas Daniel não sabia dizer se era proposital. Então, assistiu as hastes serem comprimidas com força e o sangue espirrar como nunca havia visto na vida.
A Jovem surtou. Gritos de agonia e terror surgiram, com se fossem os únicos no universo. Berros que vinham de um animal selvagem, não de uma pessoa. A cama sacudiu  com a energia dispensada pelos seus braços e pernas, e o coração de Daniel paralisou. Meu Deus , isto é de verdade?"(pág.169)

Cabe ressaltar que "Ponto Cego" tem uma narrativa simples, rápida e objetiva, apesar de alguns acontecimentos serem óbvios demais. Entendam que os elementos que regem um romance policial precisam ser verossímeis, mesmo que se trate duma ficção.  Na realidade, é uma ficção; portanto, é permitido "viajar". No entanto, se essa viagem tem como pano de fundo o mundo real, alguns cuidados devem ser levados em conta. Como a "ciranda dos acontecimentos", por exemplo, neste livro tudo é apresentado rápido demais. Os diálogos são superficiais, o que torna a trama óbvia demais!

Quase todos os personagens são convincentes, exceto o protagonista Daniel Sachs. Digo isso porque mesmo com toda a gama de emoção, das constantes dialéticas (porque o personagem é puro drama), achei sua construção fraca demais. Eu, particularmente, não senti "firmeza" em Daniel. Sua ingenuidade e sensibilidade extremada, às vezes, me fez questionar se de fato a história estava sendo contada pela ótica de um homem. Eu sei que homem também sente, chora, "faz doce", desmaia, tem conflitos... Mas como esse Daniel realmente não existe outro! Pelo menos, não encontrei nenhum com tantos exageros!

E outra: apesar de ser um repórter, o mesmo tem atitudes e "insights"  (ou nenhum deles) não muito característicos destes profissionais. Tudo bem, concordo que a área de atuação de Daniel não tem nada a ver com a investigativa, mas - minha nossa! - coisas óbvias acontecem e ele precisa de uma outra pessoa para chegar a qualquer tipo de conclusão! E isso faz com que outros personagens (Paola, Pacino e, até mesmo, Lorenzzo) se sobressaiam mais do que ele! 

Aliás o que posso dizer de Paola? Proprietária de uma pousada / hotel que se vê na "obrigação" de se tornar uma "investigadora" para manter a boa imagem de seu negócio! Bem, enquanto eu lia, achava tudo muito poético, heroico até! Mas quem em sã consciência vai se meter no meio de uma investigação "não-oficial", correndo o risco de ser a "próxima vítima" só porque se solidarizou com um caso de desaparecimento? Ninguém... Exceto Paola.  E não sei porque, mas toda vez que Paola entrava em cena, lembrava de Kate Mahoney - A Dama de Ouro!!! Mas Paola nem chegou aos pés de Kate, o que me decepcionou um pouco e me deixou com a sensação que ela poderia ter sido melhor aproveitada na trama. 

A luta de Pacino para se manter "sóbrio" nos momentos de bebedeira merecia um maior cuidado. E ocasiões para isso não faltaram, já que o leitor consegue vislumbrar vários capítulos dedicados ao personagem. Outro, também, que ficou no meio do caminho. No entanto, a lucidez do mesmo foi fundamental para o desfecho da história.

E os vilões?! Onde entram na história?! Oras, logo de cara o leitor já os descobre - pelo menos, alguns deles. Mas, não... Não contarei quem são!!!(ha-ha). No entanto, o mais interessante foi perceber a maestria com que o autor conseguiu conduzir o leitor a tirar conclusões precipitadas em relação a estes vilões e, no final, ainda assim, surpreender a todos. Sendo assim, o final - ao contrário de maior parte da trama - não é previsível, o que faz valer muito a pena ler o livro do início ao fim. Mas digo e repito: este também é outro ponto que poderia ter sido melhor construído!

Enfim, Ponto cego é um romance policial, cheio de mistérios e revelações que,  sinceramente, possui seus altos e baixos. O mesmo poderia passar por alguns "ajustes", mas que, mesmo assim, é indicado aos amantes do gênero e curiosos (rsss). Um conselho? Tire uma folga de sua vida. Pode ser um dia! E leia o livro de uma só vez! Porque é exatamente isso que ele pede...

Bjins e inté (Mac Batista)

6 comentários :

  1. Hum...

    O que você falou foi o suficiente pra despertar a minha curiosidade, Mac. Apesar de ter falado sobre algumas questões previsíveis e que mereciam mais atenção, eu fiquei com vontade de ler e saber se vou concordar com você... Provavelmente, sim, mas eu não seria a "Do Contra" se não fosse tirar a limpo... hehehe...

    Adorei sua resenha! Quando ler a história, debateremos sobre ela.

    Beijos!

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  2. Eu já conhecia o termo "snuff movies" de filmes antigos dos anos 1970 e alguns até mais recentes como 8mm, dirigido por Joel Schumacher... Realmente, é uma prática comum que durou com muitas denúncias até o início dos anos 2000, sendo abafado o caso desde então... Onde mais se faziam este tipo de "filme" era na Coréia e em alguns países do Leste Europeu... E não, não gostaria de ter o desprazer de ler esta história com um protagonista que não age como tal e este monte de erros de narrativa e construção de personagens me saltaria aos olhos, me fazendo desistir imediatamente da leitura... (KJM)

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  3. kkk pois é Stéf sempre sou a favor de que as pessoas leiam - primeiro - para se ter uma opinião depois... portanto, tem todo o meu apoio para isso ehehehe bjins e obg pelas palavras ^.^ Mac Batista.

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  4. Kal digo o mesmo para você...leia o livro e depois tire suas próprias conclusões...vai que vc se surpreende e goste realmente do livro? não se baseia apenas pelo o que eu disse...blz?! bjins Mac Batista.

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  5. Adorei a resenha, foi clara, sincera e objetiva. Eu gostei muito do livro, e agradeço pela participação no BT!

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  6. Obrigada, Ananda...Nós é que agradecemos pela oportunidade de participar da BT!!! bjins e inté (Mac Batista)

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