[5 PERGUNTAS] AIL entrevista Chuck Dixon!!!

Chuck Dixon por Marcelo Salaza
& Kal J. Moon
Nos anos 1990, li muitas histórias do Batman nos quadrinhos por conta da "febre" gerada pelos desenhos animados para TV produzidos por Bruce Timm e Eric Radomski. Tentava procurar aquela atmosfera noir nos roteiros e me decepcionava quase sempre...

Mas, para minha sorte e de muitos leitores, um roteirista se destacava dos demais. Seu nome é Chuck Dixon. Seu estilo é simples, direto, sem rodeios e imprimia um caráter cinematográfico em muitas das histórias.

Charles "Chuck" Dixon nasceu em 14 de abril de 1954 na  Philadelphia, Pennsylvania (EUA). Começou a escrever quadrinhos no ano de 1984 na revista Evangeline (Comico Comics) mas sua estréia numa grande editora deu-se quando o editor Larry Hama chamou-o para escrever histórias curtas em "A Espada Selvagem de Conan", da Marvel Comics, onde também teve a oportunidade de escrever a revista do personagem Justiceiro.


Airboy: um dos primeiros trabalhos
de Dixon (Eclipse Comics)



Ele entrou para a Bat-equipe de escritores em 1990, já com a missão de definir a personalidade de Tim Drake, o terceiro Robin, numa minissérie especial. Dixon já havia escrito um personagem juvenil em "Airboy", chamando a atenção do editor Dennis O'Neil, que acreditou em seu trabalho e escalou-o para escrever um título tão importante.

Bane nos quadrinhos
(por Kelley Jones)



E ele não passou somente pelo título do Homem-Morcego ou do Menino-Prodígio mas praticamente TODO o elenco de coadjuvantes do Batman (como Mulher-Gato, Asa Noturna, Aves de Rapina etc) tiveram alguma história escrita por ele... E, na maioria das vezes, ao mesmo tempo!  Também criou o vilão Bane (junto com o desenhista Graham Nolan), responsável por quebrar, literalmente, o corpo e a alma do herói de Gotham City, na história "A Queda do Morcego", que serviu de base para o roteiro do filme "O Cavaleiro das Trevas Ressurge".

Coringa - Advogado do Diabo
(Ed. Abril Jovem)
Alguns críticos dizem que ele não escreveu clássico algum... Como assim? Será que não leram "Coringa - Advogado do Diabo", onde o Palhaço do Crime é acusado de matar muitas pessoas envenenadas porém as evidências apontam que ele não é culpado. Mesmo assim, é condenado à morte por eletrocussão e pode pagar por um crime que não cometeu. Batman vive o dilema de tentar lutar contra o tempo e provar a suposta inocência do vilão ou deixar como está e livrar-se dele para sempre. E você? O que faria no lugar do herói? O desfecho é surpreendente!

Adaptação de O Hobbit
para os quadrinhos
Mas engana-se quem acha que ele só escreveu roteiros com os habitantes de Gotham City, a lista é imensa, indo de Lanterna Verde, Homem de Ferro, e, pasmem, histórias para a revista dos Simpsons e Bob Esponja! Mas não se esqueçam que ele também escreveu uma elogiada adaptação para os quadrinhos do clássico de J.R.R. Tolkien "O Hobbit"... Se Chuck Dixon pudesse ser descrito em duas palavras, certamente seriam "versatilidade" e "produtividade"!

São muitas as histórias que simplesmente cumprem seu papel de entreter. Afinal, não é para isso que servem os quadrinhos?

O roteirista Chuck Dixon
Um conselho aos aspirantes a roteiristas? Chuck Dixon é simples e direto sobre isso:

"Persistência é a palavra chave. Não desistam. Encontrem editores que editem as coisas que vocês gostem. Dessa forma vocês terão algo em comum e, se aparecer uma chance, os gostos e preferências deles pelos gêneros acabarão combinando com os seus. Vão à convenções e tentem encontrar editores. Chamem-nos e os entrevistem se possível. Não desistam se algum editor desencorajá-los. Enviem sempre mais amostras de materiais mesmo assim. Trabalhe em quadrinhos na internet e em editoras independentes para que seu trabalho fique conhecido."

Agora, está lançando, via crowdfunding, "Joe Frankenstein", desenhado por ninguém menos que Graham Nolan, título que conta com uma de suas grandes paixões: monstros! Para saber mais sobre os personagens, como colaborar no projeto e ganhar brindes exclusivos, clique aqui e participe! E se quiser conhecer mais sobre o autor, pode clicar aqui também...

Chega de enrolar e leia nossa primeira entrevista internacional e EX-CLU-SI-VA... São apenas #5perguntas! Então, pule no Batmóvel, aperte os cintos, ligue as turbinas e lá vamos nós!!!

Joe Frankenstein, projeto crowdfunding
em parceria com Graham Nolan
1) O Sr. está lançando "Joe Frankenstein" através da iniciativa crowdfunding. Este novo trabalho não tem espaço nas grandes editoras? Lançar este material de forma alternativa traz que tipo de benefício ao projeto?

Chuck Dixon: Bem, é um trabalho mais autoral, então Graham e eu estamos limitados aonde possamos levá-lo. E a maioria das editoras não está financiando trabalhos de propriedade do autor. Eles preferem trabalhar com o que é auto-financiado. O que acaba tornando o material autoral mais arriscado. Este é o motivo de estarmos tentando o financiamento através do Indiegogo como um meio de bancar alguns de nossos custos na realização da obra.

Joe Frankenstein, projeto crowdfunding
em parceria com Graham Nolan
2) Conte-nos um pouco sobre a criação do projeto "Joe Frankenstein" e sua parceria com o grande desenhista Graham Nolan no que esperamos ser mais um sucesso...

CD: Graham e eu somos grandes fãs dos Monstros da Universal. Você sabe: o clássico Frankenstein, Lobisomem e o resto. Eu cresci assistindo-os no Chiller Theater. Quando eu era pequeno, eu tinha um acordo com meus pais: eu ia pra cama muito mais cedo nas noites de sábado e eles me acordavam (de madrugada) para ver os filmes de monstros.

Joe Frankenstein é sobre um garoto preguiçoso de 17 anos que descobre que é herdeiro do legado de Frankenstein. Além disso, o lendário monstro se tornou um anjo da guarda, vigiando Joe das sombras desde o dia em que ele nasceu. Como se isso já não bastasse, A vida de Joe está realmente em perigo por causa das criaturas da noite que querem seu sangue!


Sim, Dixon escreveu nesta revista
e garante que foi divertido
3) Sua carreira é marcada, positivamente, por seus roteiros com Batman e seus coadjuvantes durante muitos anos. Qual sua trama favorita de todas as que leu ou escreveu neste período?

CD: Minhas histórias favoritas do Batman? Eu amo "1001 Strange Costumes of the Batman", de Bill Finger e Dick Sprang. É uma história da Era de Ouro sobre Robin substituindo Batman num traje especial tipo exoesqueleto. Eu usei elementos dessa história em minha segunda minissérie do Robin e me diverti com isso numa história do Bartman (a versão Batman do Bart Simpson) e numa história do Homem-Sereio para a revista do Bob Esponja! Minha outra história favorita chama-se "Night of the Stalker" da revista "Detective Comics" dos anos 1970. É uma história muito simples do Batman que caça implacavelmente alguns ladrões de banco assassinos e basicamente o reduz à sua essência numa trama em que Batman nunca diz uma palavra.

Bane no filme "O Cavaleiro das
Trevas Ressurge"


4) Ainda sobre Batman, o que achou dos filmes dirigidos por Christopher Nolan, em especial "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" e a abordagem feita para adaptar o vilão Bane e a história "A Queda do Morcego"?

CD: Eu não me lembro de qualquer inclinação política na criação de Bane. Ele é como um personagem clássico criado por Alexandre Dumas: o homem preso por um crime que não cometeu (como na trama de "O Conde de Monte Cristo" - N.T.). Eu gostei de "O Cavaleiro das Trevas Ressurge". Acertaram em cheio na caracterização de Bane. Nolan e companhia trataram o personagem com respeito e o adicionaram permanentemente à galeria dos vilões do Batman. E eles ainda usaram os melhores elementos de "A Queda do Morcego" e "Terra de Ninguém".

5) Como o sr. está reagindo às plataformas digitais para ler e consumir histórias em quadrinhos? É realmente o futuro desta mídia? Mudará a forma de escrever por conta disso?


CD: Eu não mudei minha escrita. Digital ou impresso, quadrinhos são quadrinhos. Eles são sobre emoções imediatas e histórias descompromissadas. Se isso é o futuro dos quadrinhos? Bem, parece que sim. Se é uma coisa boa ou ruim, não estou certo sobre isso. Por mim, eu quero ter um papel que eu possa segurar em minhas mãos. Mas eu não sou o futuro.

O desenhista Graham Nolan
A Equipe AIL gostaria de agradecer a Chuck Dixon por ter concedido esta entrevista e também ao Professor Antonio Carlos Lemos pelo auxílio luxuoso na revisão de nossa tradução... POW! SOC! SPLASH! BAM!

4 comentários :

  1. Incrível como aprendemos cultura ao acessar o blog de vocês!!! Eu recebi o Prêmio Dardos que é muito valioso no mundo dos blogs e existe há anos. Repasso a vocês pelo excelente desempenho em divulgar leitura!!! Para receber e repassar, acessem: http://missoes-patriciatelles.blogspot.com.br/p/premio-dardo_26.html

    ResponderExcluir
  2. Oi Patrícia, obrigada pelas palavras e pelo prêmio que você nos repassou. São esses momentos, dentre outros, que nos faz seguir em frente no nosso propósito!!! ^.^ Já vou publicar matéria falando sobre este prêmio!!! hehe...
    Bjs, querida
    (Mac Batista)

    ResponderExcluir
  3. Aparentemente nunca li porra nenhuma dele. Tadinho.

    (pq é tão difícil comentir aqui? sempre tenho q ficar carregando e recarregando vzs seguidas, perco a mensagem, passo raiva!)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que pena, cara... As histórias dele são muito interessantes...

      Sobre comentar aqui, as respostas são sempre colocadas no ar após aprovação dos mediadores do blog... Abração! (KJM)

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...