[CINEBOOK] "Valente", de Mark Andrews & Brenda Chapman

Poster nacional
Filme: "Valente" ("Brave", Disney / Pixar, 2012)
Elenco original: Kelly Macdonald (Mérida), Billy Connolly (Rei Fergus), Emma Thompson (Rainha Elinor), Kevin McKidd (Lorde MacGuffin), Craig Ferguson (Lorde Macintosh) e Robbie Coltrane (Lorde Dingwall) e participação especial de
Julie Walters

Direção: Mark Andrews & Brenda Chapman
Site oficial


Sinopse: Esta animação de longa-metragem conta a história da heroica jornada de Mérida, uma arqueira habilidosa e a filha teimosa do Rei Fergus e da Rainha Elinor. Determinada a trilhar seu próprio caminho na vida, Merida desafia um antigo costume sagrado dos indisciplinados e barulhentos lordes da região: o imponente Lorde MacGuffin, o carrancudo Lorde Macintosh e o intratável Lorde Dingwall. Porém, ao desejar conquistar algo de forma mais rápida, algo inesperado faz com que tudo saia do controle, transformando a vida de todos ao seu redor...
Merida fazendo o que mais gosta...
Trecho: "Há os que dizem que nosso destino está ligado a terra como uma parte de nós, pois somos parte dela. Outros dizem que o destino é entrelaçado como um tecido, de modo que o destino de um se interliga com os de muitos outros. É por isso que procuramos ou lutamos para mudar. Alguns nunca encontram. Mas há os que são guiados.” (Merida)

Resenha: OK. Peço a todos que olhem diretamente ao poster que está no início desta postagem. O que ele promete a todos nós? Aventura? Ação? Comédia? Tudo junto? Sim. Mas este filme não é sobre nada disso, mesmo que contenha todos os elementos citados acima.

"Olhe aqui, mocinha..."
Pra começar, temos de saber que a personagem Merida foi baseada na filha de Brenda Chapman (que criou o argumento de "A Bela e a Fera") - que ajudou a criar o argumento desse filme e iniciou na direção dele, sendo substituída por Mark Andrews (roteirista de "John Carter - Entre Dois Mundos") ainda durante o andamento da produção por conta de "diferenças criativas" por parte de Brenda (tanto que ela nem compareceu à coletiva de imprensa para promovê-lo).
Merida encontra o começo de todos
os seus problemas (ou não...!)
Notem que a sinopse oficial "esconde" o principal mote do filme, possivelmente para não afugentar o público... Esta é a primeira produção de época da Pixar e com protagonista feminina. Mas não é a primeira vez que uma produção deles tem problemas tão graves em relação ao roteiro. Algo parecido aconteceu durante "Toy Story 2" (que nem de longe lembra a inocência e inventividade do primeiro e teve de haver o belíssimo terceiro filme para corrigir esse grande erro) e "Ratatouille" (em que Brad Bird teve de substituir, às pressas, o diretor anterior - por conta das tais "diferenças criativas" - e, mesmo assim, produziu um filme mediano).
Família reunida
A real história de "Valente" é a seguinte: Merida é uma adolescente como qualquer outra que conhecemos. Brinca com os irmãos, gosta de empunhar seu arco e flecha, correr em seu belo cavalo Angus. Só que ela é uma princesa e precisa se comportar como tal para, um dia, substituir à altura sua mãe, a Rainha Elinor. E, num nada belo dia para Merida, seus pais lhe dão a "terrível" notícia: três reinos vizinhos aceitaram enviar seus príncipes herdeiros para disputarem a mão dela em casamento. E, claro, chegar à maturidade assim, sem nem um 'bom dia', não está nos planos de ninguém, muito menos de uma adolescente que quer mais é viver a vida como melhor lhe convém... Contrariando a vontade da família - e de um país! -, ela entra na disputa por sua própria mão... Só que, ao fazer isso, acaba desencadeando algo muito pior do que ela própria imaginava. Algo que transformaria não só a vida dela mas a de alguém muito querido. E, se não descobrir uma forma de reverter a situação, pode perder essa pessoa para sempre! Contar mais do que isso seria um baita dum spoiler...



Clã Macguffin
Clã Dingwal
Dentre os atuais filmes da Pixar, este é, talvez, o de temática mais próxima dos antigos filmes da Disney. Como os executivos aprenderam com os erros cometidos em "A Princesa e O Sapo" - onde a história era infantil porém seu vilão era deveras complexo -, tornar "Valente" muito sombrio não era a opção. Nota-se claramente a intervenção dos produtores na história, uma vez que, em determinados momentos, a obra oscila de clima, indo de ação à comédia, passando por momentos de aventura e momentos ternos. Esta obra também abre um grande parêntese para incorporar uma trilha sonora com canções mais parecidas com a Disney tradicional (interpretadas, em sua maioria, pela aclamada cantora galesa escocesa Julie Fowlis) com o que esperamos da Pixar - "Os Incríveis", "Wall-E" e "Up-Altas Aventuras" eram tão auto-suficientes em seus roteiros que não precisavam, em nenhum momento, reafirmar o modo de agir de seus personagens em canções do gênero.
Clã Macintosh
Seria injustiça de minha parte dizer que o principal problema do filme é seu roteiro. Ou melhor, a resolução dele.

(Tudo na história me lembrou - muito! - o filme "Sexta-Feira Muito Louca", com Jamie Lee Curtis... Só que sem a troca de corpos entre mãe e filha - acontece algo mais inusitado!)

O dilema da história começa com uma discussão de valores e metas de vida entre mãe e filha. Depois, passamos para a resolução de outro problema, provocado pelo primeiro. E depois passamos a esquecer tudo ao redor para resolvermos tudo apressadamente no arco final. Bem, mais ou menos. Deixar uma resolução em aberto - pelo menos, parcialmente - me parece, à princípio, cogitar a hipótese de seguir com as aventuras de Merida e companhia através duma série animada... Mas, claro, eu posso estar enganado.
Poster nacional

Porém, todos os problemas da história cedem lugar à beleza visual do filme. Um cuidado excepcional com o figurino é notado de imediato, assim como a transcendental trilha sonora orquestrada assinada por Patrick Doyle (de "Thor" e "Harry Potter e o Cálice de Fogo"), as lindíssimas panorâmicas que passeavam pelos quase oníricos cenários da Escócia e alguns interessantes momentos de humor - que poderiam ter sido melhor explorado, é verdade - fazem desse filme uma experiência deslumbrante em 3D, embora possa se perceber tudo isso sem o recurso em voga.

Filme para toda a família, mesmo que eu ache que os pequenos não vão entender do que se trata a história. Poderia ser muito melhor se deixassem a autora contar a história como ela queria. Afinal, ela conhece muito bem o que é ser mãe e mulher, algo que nenhum homem não faz nem ideia da dificuldade e a dicotomia disso... Mas eles são guiados pelo visual. Não pelo sensorial...

Kal J. Moon adoraria viver na época em que se passa o filme. Mas nunca, em hipóstese alguma, entraria na competição pela mão da princesa. Afinal de contas, ele seria o bobo da corte...

P.S.: Prestem muita atenção no curta "La Luna", exibido antes de "Valente". Não percam por nada nesse mundo, ok?
"Valente" Trailer Oficial

4 comentários :

  1. fiquei curioso. pelo q vc escreveu, o tema fica um pouquinho mais compelxo ou profundo e até específico dentro do universo fabuloso dos desenhos disney, q por sua história merece resgatar tmb elementos clássicos.
    tá na minha lista. abs

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  2. Sim, Artmann... É isso mesmo... Pena que a história não foi tratada com o respeito que merece - ou melhor, não foi administrada da forma como foi planejada inicialmente porque parece que temos três filmes diferentes ali...

    Mesmo assim, não compromete a diversão... Veja sem medo! Só não espere muito, heheheh... Abração carioca! (KJM)

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  3. ssisti esse filme no cinema em 3D muito legal, muito legal mesmo

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    Respostas
    1. Realmente, o 3D desse filme é impressionante, assim como os cenários e o figurino... (KJM)

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