[RESENHA] "Tempo de Matar" de John Grisham

Capa Edição (2008)
TEMPO DE MATAR|John Grisham|Editora Rocco|2008

Sinopse: Pena de morte. Até que ponto se é contra? Até que ponto se é a favor? Se dois drogados estupram, torturam e tentam matar uma menina de 10 anos, qual a pena que deveriam ter? E se um pai, chocado com todas estas barbaridades cometidas contra a filha, resolve fazer justiça com as próprias mãos, o que ele merece? Pelas leis do Mississipi (EUA), 20 anos de prisão para os primeiros e a cadeira elétrica para o segundo. Tentando reverter este paradoxo legal, o advogado Jack Brigance enfrenta mais um problema para defender seu cliente, Carl Hailey, preso depois de matar os dois estupradores: o racismo. A opinião pública fica dividida entre os que apoiam a atitude de Hailey e os que não admitem que um negro acabe com um branco.   A Ku-Klux-Klan resolve comprar a briga. Os jurados e o juiz são ameaçados. O advogado de defesa tem sua casa incendiada, o marido de sua secretária é espancado e morre, sua estagiária sofre um atentado e seu segurança fica paralítico por causa de um tiro destinado a ele. E, pior, todos dizem que a causa é perdida...

Resenha: Todos aqui sabem que sou uma cinéfila incorrigível. E, sendo assim, sempre que posso estou enfiada em alguma sala de cinema. Lembro como se fosse ontem quando resolvi assistir ao filme adaptado deste livro. Até então, não sabia de sua existência. Fiquei tão maravilhada com a história que resolvi procurar pelo exemplar. E ainda bem que o encontrei!

Em "Tempo de Matar",  somos apresentados a uma narrativa de suspense policial completamente intensa. Fatos marcantes com descrições tão detalhadas que o leitor não tem muita dificuldade em imaginar cada linha. Esta mesma narrativa é tensa, densa, angustiante e desperta no leitor sentimentos que são - ao mesmo tempo - diversos e singulares. 

Digo isso porque é exatamente assim que nos sentimos a cada página lida. Logo de cara, o autor nos apresenta a cena de estupro de uma menina negra de 10 anos (Tonya) cometido por dois homens brancos bêbados (Willard e Cobb). A narrativa choca, revolta e faz com que tenhamos cede da mais pura vingança.

“Willard perguntou se Cobb achava que ela estava morta.
Abrindo outra lata, Cobb explicou que não estava porque geralmente não era possível
matar um crioulo com pontapés, pancadas ou estupro.
Era preciso mais para se acabar com eles, uma faca, um revólver ou uma corda.”

O desespero de Carl Hailey - pai de Tonya - é tanto que ele resolve fazer justiça com as próprias mãos, depois que descobre a identidade dos estupradores. Carl sabe que, dificilmente, os criminosos receberão a punição merecida. Afinal eles eram brancos e queridos pelos moradores locais. Então, no dia do julgamento, ele segue para o local armado e, em sua cabeça, um único pensamento: matar os homens que destruiram a inocência de sua filha.

E ele consegue.  A história toma outro rumo. 

Agora, o crime em questão não é mais de dois homens brancos que estupraram uma menina negra mas, sim, de um negro que assassinou dois homens brancos a sangue frio, dentro de um Tribunal de Justiça.

A opinião pública fica dividida. Vem à tona o mais profundo e antigo ódio entre brancos e negros. Uma cidade está prestes a entrar em estado de sítio.

Então, Jack Brigance surge como advogado de defesa de Carl. E ele, sua equipe e família enfrentam perseguições de todos os lados, ao tornarem-se alvos da Ku-Klux-Klan.  E é neste ponto que o autor leva a narrativa ao ápice do enredo, fazendo os seguintes questionamentos: É correto fazer vingança com as próprias mãos diante de tamanha brutalidade? Os fins justificam os meios? Sendo vocês, leitores, detentores da palavra final - como juízes e jurados -, condenariam ou não este pai?

Cartaz do filme (1996)
John Grisham nos faz refletir à respeito do quê o ser humano é capaz de fazer num momento de desespero. E deixa bem claro que não é uma questão de julgarmos o quê é certo ou errado mas, sim, nos questionarmos: E se a vítima  fosse nossa filha? O que faríamos? Pergunta difícil,né?! Mas esse é o carro-mestre que movimenta toda a trama. 

"E se fosse sua filha?"

O livro é simplesmente maravilhoso! No entanto, peca pela excessividade de jargões jurídicos que - por um lado - é bom para que possamos aprender um pouco mais. Pelo outro, quebra um pouco o "timing" da narrativa, fazendo com que a atenção do leitor se disperse em alguns momentos.

Adaptação para cinema

Em 1996, o livro ganhou versão cinematográfica. O filme teve no elenco Samuel L. Jackson (Carl Haily), Sandra Bullock (Ellen Roark), Matthew McConaughey (advogado de Carl Haily), Kevin Spacey (promotor) e Donald Sutherland (irmão dos estupradores). Confesso que este é um dos melhores filmes do gênero que eu tive o privilégio de assistir. A fidelidade entre livro e filme é impressionante!

Trailer do filme

Portanto, para aqueles que curtem o gênero, recomendo a leitura do livro. E se tiverem um tempinho a mais, assistam o filme também. Tenho certeza de que não se arrependerão.

Bjins e inté, (Mac Batista)

Curiosidade:

Conhecido como o número um do legal thriller, John Grisham começou a escrever "Tempo de Matar" apenas três anos depois de se formar como advogado na Ole Mississipi Law School. O próprio autor reconhece que é seu livro mais autobiográfico. Ele foi tentado a transpor para um romance o clima dos tribunais depois que defendeu um homem que cometeu um crime semelhante ao de Carl Hailey. Grisham ficou obcecado com a ideia de vingança. "Por um breve momento, desejei ferozmente matar o estuprador, ser o pai daquela menina, fazer justiça. Havia uma história naquele caso...", afirma. Em 1989, o livro foi publicado pela primeira vez.

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John Ray Grisham Jr. (Jonesboro, Arkansas, 8 de fevereiro de 1955) é um escritor estadunidense. É o sexto escritor mais lido nos Estados Unidos da América, segundo a Publishers Weekly. É ex-político e advogado aposentado. Escrevia nas horas em que o seu trabalho lhe permitia, e logo publicou seu primeiro livro, Tempo de Matar, em 1989. Seus livros giram sempre em torno de questões de advocacia, e geralmente criticam nuances do sistema judiciário americano e das grandes firmas de direito.  Em 2006 figurou na Top 100 Celebrites da revista Forbes. Vive com sua esposa, Renée e suas duas crianças Ty e Shea. É o sexto escritor com mais livros vendidos na década de 2000, segundo a Nielsen BookScan. (Fonte:Wikipedia.org) <==============

4 comentários :

  1. Oi Mac!
    Com certeza o livro nos apresenta dois temas que geram polêmicas,racismo e pena de morte. Sinceramente, não sei qual seria a minha reação, mas acredito que a insanidade tomaria conta de mim.
    Adorei a resenha e a recomendação do filme,vou procurar para conferir.
    Bjos Fabi
    http://roubando-livros.blogspot.com

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  2. Oi Fabi, td blz?!
    Acredito que minha reação não seria diferente. Quando se trata das pessoas que amamos, inclusive filhos, as nossas ações elevam-se a outros patamares. É incrível, eu já vi este filme há tanto tempo, mas até hoje lembro como me senti. Realmente muito marcante. Que bom que você gostou da resenha. E assim que puder assista ao filme, acredito que você vai gostar. Bjins (Mac)

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  3. Marlo George24 junho, 2012

    Marcia é um erro muito comum (até de orelha de livro)dizer que o meu colega não nasceu em Black Oak, no Arkansas. Mas foi lá que ele foi parido (sendo uma das duas pessoas célebres da cidade, o outro é o Jim Dandy), O.K.!

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  4. Marlo coloquei esta minibio para que as pessoas soubessem um pouco sobre o autor. E para aqueles que tivessem um interesse maior que buscassem maiores informações em fontes seguras. Confesso que nem mesmo no site oficial do escritor(http://www.jgrisham.com/bio/) encontrei a informação que você ressaltou. Entendo que por algum motivo isto foi omitido...então...

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