[RESENHA] O Romantismo Brasileiro de José de Alencar


Bom dia, queridos leitores!!! Esta semana o A.I.L estará voltado para os saudosos escritores brasileiros. Já falamos um pouco sobre Machado de Assis, aqui. Hoje, falaremos sobre o nosso querido José de Alencar.


Nascido em 01 de maio de 1829, em Messejana - Ceará, José Martiniano de Alencar (José de Alencar) cursou advocacia, mas logo tornou-se político, jornalista e escritor. E com esta última atividade, ele obteve reconhecimento que o elevou ao patamar do maior romancista brasileiro. Alencar criou - com singularidade - uma literatura nacionalista, empregando um vocábulo e uma sintaxe típicos do Brasil, evitando o estilo lusitano que, até então, prevalecia no mundo literário da época.

Sua obra traça um perfil da cultura e dos costumes do período em que viveu, bem como da História do Brasil. É fácil percebermos a preocupação do autor com a identificação nacional, seja escrevendo a respeito da sociedade burguesa do Rio de Janeiro ou para temas que abordam questões ligadas ao índio e ao sertanejo. Com isto, seus romances foram classificados em quatro categorias: urbanos, históricos, indianistas e regionalistas

Nos romances urbanos, prevalece a análise do caráter psicológico das personagens femininas, revelando seus conflitos interiores. Destaco, então, cinco romances com estas características: "Cinco Minutos" (1860), "A Viuvinha" (1860), "Lucíola" (1862), "Diva" (1864), "Senhora" (1875) dentre outros. 



Apesar de ser fã de carteirinha de "Cinco Minutos" e " A Viuvinha", reconheço que "Senhora" é considerado o mais importante desta relação. Na narrativa, o autor mostra a hipocrisia da sociedade fluminense durante o Segundo Império. E, através do romance entre Aurélia Camargo e Fernando Seixas, Alencar leva o leitor a refletir a respeito da influência do dinheiro nas relações amorosas e, principalmente, sua influência nos casamentos da época. O romance divide-se em quatro partes, que correspondem às etapas de uma transação comercial: Preço, Quitação, Posse e Resgate.


A adaptação deste romance foi exibida, pela primeira vez,  com o título "O Preço de um Homem" (TV Tupi), em 1971. Mas foi em  2005, que o  romance ganhou notoriedade ao ser ataptado para a TV, através da Rede Record, com a novela "Essas Mulheres". A mesma foi inspirada em 3 romances de José de Alencar: "Senhora", "Diva" e "Lucíola"A novela teve a autoria de Marcílio Moraes e Rosane Lima; escrita em conjunto por Bosco Brasil e Cristianne Fridman; dirigida por Fábio Junqueira, João Camargo e Flávio Colatrello Jr. Com a direção geral de Flávio Colatrello Jr. e direção de núcleo de Hiran Silveira.



Através dos romances indianistas, o autor explora e ressalta as tradições indígenas  para a ficção, relatando mitos, lendas, festas, usos e costumes. No entanto, o índio é visto de forma idealizada, representando - de maneira simbólica - a origem do povo brasileiro. O homem branco (europeu) é tido como o "aquele que corrompe" e o índio "o bom selvagem", destacando seu  bom caráter, valentia e pureza. Aqui destaco: O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1874).

Os romances "Iracema" e "O Guarani" são os mais famosos desta relação. Sendo o segundo, o que obteve mais destaque, através de duas adaptações: tv e cinema.
Série de Tv
Em "O Guarani", Alencar narra  a história do amor proibido entre o índio Peri e a jovem branca Ceci . 

O relacionamento acaba se concretizando com o consentimento do pai da moça, o colonizador Dom Antônio (Herson Capri), graças ao ataque dos índios Aimorés à fortaleza de sua família. É quando o fidalgo pede a Peri que salve sua filha.

O Filme
Em 1991, o romance ganhou versão para série de Tv pela extinta Rede Manchete. Tendo no elenco Angélica (Ceci) e Leonardo Bricio (Peri).

Em 1996, o romance ganhou a versão cinematográfica. No elenco Marcio Garcia (Peri) e Tatiana Issa (Ceci).

Nos romances históricos  os leitores podem encontrar   fatos marcantes da colonização descritos como a busca pelo ouro e as lutas pela expansão territorial. Em vários momentos podemos perceber o nacionalismo exacerbado e o orgulho pela construção da pátria. Destaque para "As Minas de Prata" (1865), "Alfarrábios" (1873), "A guerra dos mascates" (1873).


Enfim, os romances regionalistas em que, facilmente, o leitor pode identificar as caraterísticas que envolvem o cotidiano da vida no campo, a cultura popular e a beleza exótica e natural das regiões mais afastadas do Brasil, que - ainda - não sofreram influência européia. É importante ressaltar que nos romances regionalistas - em oposição aos romances urbanos - os homens recebem destaque com toda sua rudeza e coragem para enfrentar os desafios da vida. E as mulheres aqui tem desempenham papéis secundários. Sendo assim, destacamos: "O gaúcho" (1870), "O tronco do Ipê" (1871) e "O sertanejo" (1876). Com estes romances o autor focou os pampas, o interior paulista e o sertão nordestino, sempre buscando a diversidade regional.


"Os Heróis morrem cedo"...E com José de Alencar não foi diferente. O autor faleceu, na cidade do Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877, aos 48 anos, vítima de tuberculose. 


Cabe ressaltar que, independente dos gêneros de seus romances, José de Alencar sempre enfatizou o seu  sentimento de nacionalismo pelo Brasil. E, por detrás dos temas que envolvem amor, segredos e suspense, fica claro - em seus livros - a profunda crítica à hipocrisia, à ambição e à desigualdade social que (rsssss) ainda sobrevivem neste país. 


Portanto, recomendo a leitura de seus romances. Equipe A.I.L também curte autores brasileiros (rssss).


Bjins e inté (Mac Batista)

4 comentários :

  1. Bem, lá vamos nós...

    Concordo que as obras do cabloco tenham uma importância, até fundamental, para a literatura nacional, blá, blá, blá...

    Porém dizer, data vênia, que ele era um crítico da desigualdade no nosso país é algo que pode ser, pra dizer o mínimo, polêmico. O camarada foi, publicamente, contra a proibição da escravatura no Brasil (tendo defendido este vil sistema quando era vereador, já em uma época em que o senso comum o execrava como um sistema atrasado). Possivelmente ele escrevia uma coisa e fazia outra.

    Li o Iracema e Ubirajara em uma edição única de 1964 (acho que era do meu pai) e achei, ambos, enfadonhos. Fui obrigado a ler "Senhora", na época do colégio (numa daquelas edições ordinárias, publicadas para a demanda estudantil) e achei que o autor demonstra naquele livro uma homossexualidade enrustida e, ao mesmo tempo, paradoxalmente à flor da pele.

    Zeus me livre de ler outra obra deste escravocrata nojento.

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  2. Marlo vc já leu o livro "Feriado de mim mesmo"?!!! Indicadíssimo pelo nosso colega Kal J Moon...Acredito que quando a leitura é obrigatória, o estresse é garantido! rssss...bjins (Mac)

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  3. Oi Mac!
    José de Alencar é uma ótima recomendação mesmo,já li Senhora,Lucíola e O Guarani e adorei todos.
    Bjos Fabi
    http://roubando-livros.blogspot.com

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  4. Oi Fabi, td blz?! Pois é também gosto de Jose de Alencar...tanto que não resisti e dediquei este post a ele!!! rssss...Adoro livros que abordam a cultura indígena...bjinss Mac.

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