Cinebook #06: Prometheus (e não 'cumphrius' !!!)

Cartaz nacional
Filme: "Prometheus" (2012, 20th Century Fox)
Direção: Ridley Scott
Elenco: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Idris Elba, Guy Pearce, Logan Marshall-Green, Sean Harris, Rafe Spall, Kate Dickie, Benedict Wong, Emun Elliott, Patrick Wilson


Sinopse: Uma equipe de cientistas e exploradores embarcam numa jornada que testará seus limites físicos e mentais, colocando-os num mundo distante, onde tentarão descobrir as respostas a nossos dilemas mais profundos e ao grande mistério da vida. Mas algo dá muito errado...



Resenha: O retorno de Ridley Scott à ficção científica. O retorno em grande estilo da franquia "Alien". O retorno da expectativa por um grande filme que não envolvesse super-heróis, vampiros ou adaptações diversas. E o retorno da decepção também...

A nave Prometheus
"Prometheus", novo filme do diretor de sucessos como "Alien - O Oitavo Passageiro", "Blade Runner", "Gladiador", dentre outros, tem aquele ar do que é erroneamente chamado de "filme-cabeça". Mas não é e nem pretende ser. Só por que tem uma abordagem mais inteligente do que o que é comumente fabricado por Hollywood não quer dizer que realmente seja. Apenas a forma de contar isso é que é inteligente...
 
Elisabeth após a "cesariana"
Há rumores de que Ridley Scott, quando sondado para dirigir este filme, pediu para que fosse passado para seu irmão Tony Scott (O Sequestro do Metrô 123) e foi praticamente intimado a sentar no comando da nova empreitada pois não havia sentido em reiniciar algo sem um dos principais responsáveis pelo sucesso do primeiro filme das criaturas imaginadas por H. R. Giger (ilustrador que concebeu todo o design das criaturas, naves e o "universo" do filme). Porém, apesar de ser altamente compreensível a indecisão de Scott em reassumir a direção, ficava a pergunta: era necessário? Ainda existia algo a ser contado neste universo de personagens?

David descobre o segredo
dos "engenheiros"
Este é o principal problema do projeto. Temos cenários fabulosos (claramente inspirados no filme original e uma sincera homenagem a "2001 - Uma Odisséia no Espaço" de Stanley Kubrick), com o 3D funcionando decentemente a favor das situações propostas, figurinos adequados, trilha sonora de Marc Streitenfeld prestando homenagens aos grandes temas sci-fi do passado... Mas a história - escrita parcialmente por Damon Lindelof (do seriado "Lost" - hahahah, deixar-nos sem resposta é sua especialidade!) - não é algo que vale realmente a pena acompanhar.

Cartaz estilo
Vintage
Nem todo o apuro desenvolvido formidavelmente na parte técnica e plástica como esperamos que deve ser em qualquer trabalho de Scott, reconhecido mundialmente por seu esmero na produção e no visual de seus filmes (durante a produção de "Blade Runner" chegou a pedir para inverter a pilastra de um cenário - que ele ajudou a projetar - por que a luz não refletia conforme havia imaginado inicialmente...) consegue salvar um enredo que "promete" mais do que pode responder.

O filme abusa dos simbolismos. Os principais são os religiosos. Elisabeth (Noomi Rapace, de "Sherlock Holmes - O Jogo das Sombras") - que seria o equivalente da Tenente Ripley dos filmes anteriores (ou posteriores?) - é uma cientista que não pode ter filhos. Carrega um crucifixo e estuda a possibilidade de encontrar a origem da vida em nosso planeta "no céu" por conta de sua crença no inexplicável. "Há mais coisas entre o céu e a Terra...", como bem lembra um personagem. Outro simbolismo utilizado é justamente para ir contra o que muitos pensavam ser a principal temática de um filme da série: que espécie domina e que espécie é dominada. Alguns dos aliens "involuídos" lembram genitálias masculinas e femininas, levando-nos ao eterno embate filosófico "atração-dominação", resumindo o que faz parte do instinto de cada ser vivo.
O androide David
(Michael Fassbender)

Embora a nave tenha um capitão (um personagem claramente dispensável, encarnado por Idris Elba, de "Thor"), quem tem o controle de cada movimento é Meredith (interpretada burocraticamente por Charlize Theron, de "Branca de Neve e o Caçador"). Porém, quem rouba a cena num filme em que a maioria dos personagens não são memoráveis é mesmo o androide David, soberbamente defendido por Michael Fassbender (de "Bastardos Inglórios" e "X-men - Primeira Classe"). Arrisco dizer que o filme é sobre a busca por conhecimento e David é o exemplo máximo disso. Ele QUER saber as respostas e não tem envolvimento emocional ou pudores para impedí-lo de alcançar seus objetivos - que é cumprir sua missão, independente das consequências.

 
Cartaz estilo
Lego
Infelizmente, nem todas as boas intenções salvam o que foi comprometido. O filme começa duma forma mas na metade vira uma película comum, reapresentando o que já havia sido oferecido no primeiro filme da série, só que com um orçamento maior e em 3D. Vale a pena assistir no cinema? Pelo visual, sim. Por alguns bons sustos e uma sensação nervosa que há muito tempo não sentíamos no cinema, também. Pela história - que está mais para uma longa introdução de duas horas e meia de duração -, não. Até porque nenhuma das respostas foram satisfatórias. Quer dizer, só uma resposta foi incrivelmente boa: a do público indo ao cinema em enorme quantidade e garantindo o retorno financeiro, dando o sinal verde para a continuação. Que eu nem sei se é realmente necessária...

Kal J. Moon achou que sua vida seria dirigida por Ridley Scott. Mas o orçamento não foi aprovado e contrataram o roteirista de Lost para dar continuidade ao projeto porque ele lhe devia um favor. É por isso que ele nunca tem as respostas que deseja...

Trailer do filme "Prometheus"

6 comentários :

  1. Kal adorei a resenha...disse tudo e mais um pouco...ainda estou com aquela sensação esquisita kkkkk...investiram tanto nesse filme por nada!!! uma pena!!! bjinss, Mac

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  2. O pior é que sinto que não vimos a história completa! "Muito barulho por nada", como diria o Bardo Inglês... Uma pena! (KJM)

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  3. Perdoe-me, mas achei a crítica tão limitada quanto foi o filme...

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  4. Estava em dúvida se iria ou não assistir a esse filme, e permaneço com a dúvida. Rsrsrsrsrs.

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  5. Olá, Walber e Sergio... Confesso que eu tentei expressar exatamente a dúvida com a qual saí do cinema, passando a me perguntar por que diabos esse filme foi feito. Não é um filme ruim mas tb não é bom... Mas tirem suas próprias conclusões, ok? Abração Carioca!!! (KJM)

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  6. Marlo George23 junho, 2012

    Walber Tuler, (WTNIT), Se a crítica está tão limitada quanto o filme, então, ela não exagerou ou depreciou o mesmo...

    Sergio Filho (pelo menos esse tem pai), não assista... esse filme é uma merda (o outro já era). Ouça Megan Conner e seja mais feliz. Segue o link: http://www.ustream.tv/recorded/23432960

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